Johnny Cash: o Country mais Rock'n'Roll de todos os tempos

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Por David Oaski, Fonte: Ideologia Rock
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Sempre digo que não é preciso necessariamente tocar rock pra ser rock n’ roll, Johnny Cash é talvez o melhor exemplo disso. ‘O Homem de Preto’ como ficou conhecido, ficou eternizado na música mundial tocando country, mas seu estilo de vida junkie lhe confere características pra roqueiro nenhum botar defeito.

Cash iniciou sua carreira na longínqua década de 1950, tocando um som influenciado por rock e rockabilly, ganhando destaque e emplacando alguns sucessos nas paradas musicais. Porém, foi na década seguinte que sua carreira realmente engrenou, mesmo com seu crescente vício em barbitúricos e anfetamina atingindo o ápice, tendo o músico experimentado nessa época todas as drogas possíveis. No entanto, sua criatividade nunca foi abalada pelas substâncias ilícitas, pelo contrário, lançou bons discos e sempre possuía algum single bem ranqueado nas paradas.

Em 1964, o cantor lançaria seu álbum de maior repercussão até então e um dos destaques de sua discografia: “I Walk The Line”, que além da faixa título, possuía “Hey Porter” e o clássico “Folsom Prison Blues”. Já em 1968, ele lançaria o clássico absoluto, o ao vivo “At Folsom Prison”, ao vivo numa penitenciária na Califórnia, com direito a total interação do performer com seu público. Cash se mostra como sempre muito carismático e muito querido pelos presos. O disco possui uma aura mágica e possui todos os hits lançados pelo homem de preto até então. Indispensável em qualquer coleção que se preze, um clássico da música em todos os tempos.

Cash é um dos músicos mais prolíficos de todos os tempos, tendo lançado um total de mais de cinquenta álbuns em toda sua carreira em vida, além de lançamentos póstumos com sobras de materiais de estúdio. Como todo artista, a carreira do músico teve oscilações, incluindo o ponto alto nos anos 60 e 70, a entressafra nos anos 80, e o retorno ao sucesso nos anos 90 com a parceria com o produtor Rick Rubin e os últimos lançamentos marcantes no começo da década de 2000. Seu retorno às paradas na década de 90 marcou a regravação por parte do cantor de bandas contemporâneas como hits do Soundgarden, Beck, entre outros, sempre abrilhantando ainda mais as canções.

Além da carreira musical, Johnny também teve um programa de televisão entre 1969 e 1971, na rede ABC, onde dava espaço a artistas que viriam a se tornar gigantes da música pop mundial como Neil Young e Bob Dylan. Atuou também em alguns filmes, na década de 80, tendo sido protagonista em alguns.

A vida pessoal de Cash foi durante muito tempo conturbada, oriundo de uma família problemática, nunca digeriu a morte do irmão quando ambos eram crianças, teve um pai conservador e até violento. Seus problemas com drogas lhe tornaram um pai cada vez mais ausente e lhe custaram o primeiro casamento. Essa relação do músico com substâncias ilícitas foi uma constante na carreira do músico, entre recaídas e sobriedade conseguiu se casar com o amor de sua vida e companheira até seus últimos dias, June Carter, que também cantava e o acompanhou em diversas turnês. Sua vida conturbada e seu talento artístico foram adaptados para o cinema em 2005, no filme Johnny & June, estrelado por Joaquim Phoenix (Cash) e Reese Whiterspoon (June).

No seu último álbum lançado em vida, “American IV: The Man Comes Around”, Johnny, diagnosticado com uma doença degenerativa alguns anos antes, realiza uma espécie de despedida, num álbum introspectivo repleto de regravações, se destaca “Hurt” do Nine Inch Nails, numa interpretação emocionante Cash tem seu último registro em videoclipe. Uma despedida tocante de um dos maiores artistas de todos os tempos.

Tenho descoberto aos poucos a obra de Johnny Cash e me encantando cada vez mais com a força de suas canções, sua poderosa abordagem e simplicidade genial de suas melodias, das mais simples às mais densas. Por muito tempo, pensei ser perda de tempo buscar algo interessante fora do rock, graças a Deus revi esse conceito e posso curtir obras geniais de artistas como Cash, James Brown, Prince, Michael Jackson, entre outros.

Além disso, como foi falado, Cash não se consagrou tocando rock n’ roll, mas foi um artista que expandiu os limites de sua música, transcendendo o country que ele tocava para algo além, para música boa, de qualidade e honesta.

Independente do ritmo que executava, Johnny Cash era muito rock n’ roll e tem todo meu respeito.

David Oaski

Disponível também em:
http://rockideologia.blogspot.com/2012/09/o-country-mais-roc...

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Sobre David Oaski

David Oaski é editor do blog Ideologia Rock, colunista do site Stereo Pop Club e colabora frequentemente com os sites Galeria Musical e Whiplash, além de já ter escrito para outras plataformas online. Amante de música (principalmente rock) independente de rótulos, escreve por hobby e para exercitar o senso crítico.

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