Kid Vinil: o "Herói do Brasil" conta sua história

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Por André Molina
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O precursor do punk rock no Brasil, Kid Vinil, esteve mais uma vez em Curitiba para fazer discotecagem baseada no repertório da década de 80. Antes de subir ao palco para comandar as pick-ups do Vox Bar, ele fez uma retrospectiva de sua carreira como músico e jornalista e comentou sobre o cenário da música pop e alternativa atual.

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No repertório preparado para a pista, Kid não deixou de incluir hits de sua antiga banda, a Magazine. Ele começou a discotecagem com “Comeu”, tema de abertura da novela global “A Gata Comeu”, de 1985.

No início da conversa, o expoente da new wave brasileira confirmou que foi ele o responsável por importar o punk rock ao país. “O primeiro contato com o punk rock foi quando viajei a Inglaterra em 1978 e pude conhecer o estilo. Voltei ao Brasil com a nova música que acabava de surgir na Europa e comecei a apresentar em um programa de rádio na Excelsior. Eles permitiram que eu tivesse um programa para tocar punk rock”, disse.

Após o contato, o próximo passo foi formar uma banda punk em São Paulo, que acabou inspirando o surgimento de novos grupos na cidade. “Criamos o AI-5, onde eu era guitarrista. Era só barulho. Não tinha muita melodia. Uma das canções acabou sendo gravada pelo Ratos de Porão na década de 90, chamada John Travolta”, diz.

A canção que estava perdida foi incluída no repertório do CD “Feijoada Acidente”, onde os “Ratos” fazem releituras de raridades do punk rock brasileiro. “É o único registro da canção”, diz Kid.

Magazine

Depois de iniciar uma cena totalmente underground na capital paulista, Kid formou um novo grupo: o Verminose, que se adaptaria mais tarde às necessidades da indústria fonográfica, mudando o nome para Magazine. “Foi o início da new wave. Gravamos o compacto de “Sou Boy”, que tocou em todos os lugares e vendeu 100 mil cópias. Uma vendagem significativa para um compacto com duas músicas”, disse.

O Magazine se tornou um dos principais grupos da Warner para gravar compactos. No início da década de 80, as gravadoras testavam os novos grupos de rock com lançamentos de singles. A Warner Music adotou o sistema com bandas como Ultraje a Rigor, Ira!, Titãs, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e outros. Funcionava como uma avaliação para a gravação do primeiro LP. “Depois do primeiro single, fizemos “Tic Tic Nervoso”, que repetiu o sucesso. Na época começamos a participar de todos os programas de auditório e tocar pelo Brasil. Em seguida, o Caetano Veloso pediu para gravarmos uma música que ele compôs”.

Convite de Caetano Veloso

Com o grande sucesso do Magazine, a banda new wave começou a chamar a atenção do tropicalista Caetano Veloso. Ele telefonou para a gravadora afirmando que gostaria que o “cantor de Sou Boy” fizesse uma versão para a canção “Comeu”, composta para o disco “Velô”. “Foi uma surpresa muito grande. O Caetano disse que minha voz combinava com a canção. Ele só fez uma exigência. Para gravarmos, teríamos que incluir o saxofonista de seu grupo, o Zé Luís. A idéia foi genial. O sax enriqueceu bastante a música, que foi encomendada para ser abertura da novela A Gata Comeu”.

Além de fazer parte da trilha sonora da novela global, a música ainda resultou no quarto compacto da banda, com “Comeu” no lado A e “Crucial” (faixa instrumental de “Comeu”) no lado B. “Nessa época participamos de todos os programas de TV. Tocamos até no Balão Mágico”, diz o cantor.

Pressão da gravadora

Tudo caminhava da maneira como uma nova banda brasileira do início da década de 80 gostaria que fosse. O lançamento de quatro compactos bem recebidos pelo público deu prestígio à banda. Com o sucesso, a Warner começou a pressionar o Magazine para lançar mais um hit. “Foi quando os desentendimentos apareceram no grupo. É difícil compor sucessos sobre pressão. Após fazer o primeiro disco, a gravadora argumentou que não tinha uma música de trabalho. Não conseguia fazer música sob encomenda. A pressão foi tão grande que a banda começou a ter dificuldade para criar”, disse.

Segundo Kid, a difícil relação entre a gravadora e a banda foi o principal motivo da separação do Magazine.

Do ostracismo ao retorno

Depois que o Magazine se separou, o retorno ao ostracismo seria inevitável. Kid Vinil ainda gravou um bom disco com os Heróis do Brasil em 1986. No trabalho, com influências do Blues, o cantor contou com André Cristovam e a participação de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Ainda na década de 80, Kid lançou um trabalho solo sem nenhum comprometimento comercial, chamado “O Toque do Vinil”. Nenhum dos dois discos atendeu as expectativas das gravadoras. “O disco com os Heróis do Brasil foi um trabalho ótimo para fazer. Contei com grandes nomes do blues e do rock brasileiro. Já no disco seguinte tive liberdade de fazer algo que quisesse, sem partir para o lado comercial, e realmente, não vendeu”, afirma Kid.

No início da década de 2000, o cantor encontrou a chance de trabalhar novamente na indústria fonográfica. Ele se tornou produtor da Trama. Sem muita ambição, a gravadora sugeriu que ele utilizasse as horas livres de estúdio para gravar um novo disco. A idéia incentivou Kid a reformular o Magazine para preparar um novo CD. O resultado foi o álbum “Na Honestidade”, lançado em 2002. “Foi a oportunidade de pela primeira vez fazer um trabalho sem nenhuma pressão. Conseguimos fazer as canções com calma e com uma boa produção. É um disco que eu gosto bastante. No álbum fiz a canção Zeca Baleiro, em resposta a música que ele fez para mim”, diz.

Novo rock brasileiro

Ao ser questionado sobre o que acha do rock brasileiro atual, o músico afirmou que o cenário mudou muito. “Não escuto mais rock brasileiro. As bandas novas não apresentam qualidade. A maioria se aproxima do estilo KLB”, disse.

Segundo ele, a indústria atualmente não produz nenhuma banda interessante. “É melhor procurar no My Space. Na internet você encontra bandas legais”, diz.

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Sobre André Molina

André Molina é jornalista, economista e começou a ouvir heavy metal ainda quando era criança. Tem 30 anos de idade e Rock 'n' Roll é sua religião.

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