Canibais
Postado em 06 de abril de 2006
Por Márcio Ribeiro (Creedance)
Os Canibais surgiram em 1965 em meio a Jovem Guarda, sendo uma das raras bandas de rock nacional a ter bastante exposição graças a participações seguidas em programas jovens que passavam a surgir na televisão. Revelados em um destes programas, Festa do Bolinha, de Jair Taumaturgo, esta banda carioca se tornou uma das mais respeitadas bandas de bailes do estado da Guanabara. Sua longa carreira, mesmo que não toda registrado em vinil, é um testamento de sua qualidade. A banda finalmente acabou no inicio da década de setenta.
Uma das mais profissionais bandas da Jovem Guarda, rapidamente tornaram-se junto com Os Fevers e Renato e Seus Blue Caps, uma das mais populares bandas de baile de sua era. Formados por Aramis de Barros e Fernando (?) nas guitarras, Elydio (?) no baixo, Horácio (?) nos vocais, Roosevelt (?) no órgão e Max Pierre na bateria, seu repertório consistia em excelentes instrumentais e uma coleção de versões de sucessos americanos e ingleses. Esta era de fato a tipica concepção de show de rock da época.
Este tipo de proposta, quando bem executada, tende a gerar músicos capazes de assimilar rapidamente repertório e som alheio, dom primordial para uma banda de auditório. Esta capacidade de adaptação rápida leva o grupo a se tornar banda residente de vários programas para o mercado jovem. Estima-se que Os Canibais tocavam para cerca de trinta, ou até quarenta cantores diferentes por semana, em apresentações televisivas transmitidas para todo o Brasil. Muitas vezes a banda se via aprendendo o repertório poucos dias, quando não horas, antes da gravação do programa, que por sua vez, era invariavelmente ao vivo.
Fazem uma excursão pelo Norte e Nordeste que acaba rendendo um contrato com o selo Mocambo de Recife. Com lançamentos a partir de 1967 pelo selo Rozenbilt, chegam às lojas uma série de compactos simples, quase todos versões em português de material estrangeiro. O primeiro destes foi "Gina," versão da canção homônima lançado pelo grupo Eurovision, acoplado pela "Sou Canibal," rara composição da própria banda.
Entre outros títulos estão "Descubram Onde Meu Bem Está," versão de "Wonder Where My Baby is Tonight" dos Kinks, "Quase Fico Nú", versão de "Everything You Do" dos Searchers, "Felizes Juntinhos" versão do clássico dos Turtles, "Happy Together," como também, famosas versões dos Beatles, tão comuns na época. Existe um compacto simples com suas duas obras primas do gênero, "Eu Não Me Enganei" e "Para o Meu Bem", respectivamente "We Can Work It Out" e "Ticket To Ride." O álbum entitulado simplesmente "Os Canibais" foi lançado provavelmente em 1968 e não 1967 como informam certas publicações.
Em 1970, Os Canibais gravam para a Polydor a canção "Hoje É Dia De Rock" de Zé Rodrix, mas o material acaba não sendo lançado, a gravadora não assinando com o grupo. Com a virada da década, o grupo segue as influências da época, onde o rock nacional pós Tropicalismo espelhava cada vez mais Os Mutantes tornando-se significativamente mais pesado. Junto com a mudança na concepção musical veio a mudança do nome, Bango - nome de uma especie de canabis encontrada no nordeste Africano.
Lançam em 1972, já como Bango, o álbum auto-intitulado pela gravadora Musicdisc. Este disco se tornou com o passar dos anos um dos mais raros e mais procurados álbuns do nosso rock nacional. O grupo ainda chegou a colocar no mercado um último compacto simples antes de encerrar atividades. Embora não houve ainda nenhuma tentativa de se fazer um lançamento do disco em CD, algumas faixas podem ser encontrados em coletâneas cobrindo o psicodelismo nacional, principalmente no mercado exterior.
Para não dizer que seus integrantes sumiram completamente, Max Pierre se tornou um dos mais prolíficos produtores do país, trabalhando na década de setenta na Continental com bandas como A Barca do Sol, sendo diretor artístico da Som Livre na década de oitenta, e depois assumindo a direção da Polyram na década de noventa. Com o novo milênio Max passou a vice-presidente artístico da Universal Music do Brasil. Outro que tem um curriculo respeitável como produtor é Aramis de Barros. Na década de noventa Aramis substituiu Max como diretor artístico na Som Livre.
Compactos:
Gina /Sou Canibal
La La La / Penso Só Em Você (See Me Back)
Eu Não Me Enganei (We Can Work It Out) / Para o Meu Bem (Ticket To Ride)
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