Plebe Rude
Por Marcio Amorim
Postado em 06 de abril de 2006
Brasília, a capital federal construída sob um olhar futurista para ser a cidade modelo do pais, havia tornado-se para uma grupo de jovens apenas um lugar tedioso. Ainda bem!!! Pois a partir daí estes jovens impulsionados pelo movimento punk e seu lema "do yourselves" passam a fazer sua própria diversão e dão à cidade o título de principal cidade rockeira do pais. De Brasília saem três das principais bandas do rock brasileiro, Capital Inicial, Legião Urbana e Plebe Rude, com diferentes estilos mas com a mesma ideologia tornam o combalido rock dos anos 80 em algo sério com letras abordando temas como a violência policial (Veraneio Vascaína), a ditadura militar (Proteção) e a corrupção (Que Pais É Esse). Porém, das três bandas foi a Plebe Rude a única a se manter no estilo punk durante seus 20 anos de estrada.
Contemporânea do Aborto Elétrico (banda formada pelos irmãos Fé e Flavio Lemos e por Renato Russo), a Plebe formou -se em 1981 quando André Muller (ex-Metrallhaz) e Philippe Seabra (ex-Caos Construtivos) se conheceram dentro de um ônibus. Chamaram Gutje (ex-Blitx 64), para a bateria e vocal e como trio passaram a ensaiar. Logo nos primeiros ensaios constataram que precisam de um vocalista pois Gutje não tinha fôlego para arrebentar na bateria e ainda cantar. Eis que egressa para o vocal Jander Bilapha que costumava sempre acompanhar os ensaios da Plebe. Por um pequeno período a Plebe Rude chegou a contar com duas garotas nos backings vocals, Marta Detefon e Ana Galbinsk, mas devido o sucesso feito a época pela Blitz ("Você Não Soube Me Amar"), que contava com duas backings vocals e para não ter nenhuma futura comparação com a banda carioca, os plebeus resolveram tirar as garotas da banda.
Com apresentações avassaladoras lembrando em muito a banda punk inglesa The Clash, a Plebe Rude chamava muita atenção por onde passava. Tocaram em todas as danceterias importantes do eixo-Rio São Paulo e ainda no legendário Circo Voador. E numa destas apresentações no Circo Voador conheceram Herbert Viana, que haviam "homenageado" na música "Minha Renda". No principio, o encontro entre os plebeus e o paralama foi tenso, mas logo Herbert sacou todo o inteligente sarcasmo da Plebe Rude e a partir daquele momento tornou-se um dos que mais ajudaram a Plebe a estourar nacionalmente.
O primeiro disco foi gravado em 1985. "O Concreto Já Rachou" é um mini LP de 7 faixas produzido por Herbert Viana. Este disco tornou-se um dos mais importantes da história do rock nacional, trazendo grandes hits como "Proteção", "Minha Renda" e o hino "Até Quando Esperar". Com este álbum a Plebe Rude alcança disco de ouro com mais de 200.000 cópias vendidas.
Em 1987 os plebeus entram em estúdio, novamente produzidos por Herbert Viana, e fazem "Nunca Fomos Tão Brasileiros". Este álbum traz músicas ainda dos tempos áureos de Brasília, e a belíssima balada "A Ida" é escolhida para ser o carro chefe. Mas foi a censura imposta à música "Censura" o grande fato deste disco. O álbum não alcançou a mesma vendagem do primeiro (foram 90.000 cópias). Mesmo assim a Plebe Rude mostrava todo seu vigor e que definitivamente era uma das grandes bandas do rock nacional.
Só que as coisas tomam outro rumo em 1989 quando do lançamento de "Plebe Rude III", um disco diferente de tudo o que os plebeus tinham feito. Com fortes influencias regionais este álbum mostra a Plebe querendo indicar novos caminhos para o rock nacional. Mas nem fãs nem críticos entenderam muito bem este conceito. Internamente as coisas também não vão bem, Jander deixa a banda e meses depois é a vez de Gutje pedir as contas.
Phillippe Seabra e André Muller ainda lançam em 1992 o disco "Mais Raiva do que Medo" mas já não existia na sua essência a Plebe Rude. Por mais cruel que soasse, a Plebe havia acabado. Em 1994 Philippe e André fazem o último show da banda.
Por cinco anos a Plebe ficou separada, mas os rumores de que seus integrantes pudessem voltar a ativa eram muitos. Em 1997 a EMI edita uma coletânea intitulada "Portofolio" e a tiragem de 5.000 cópias se esgota rapidamente. O público mostrava que gostaria de ver novamente reunida uma das bandas mais contestadoras do país.
E o momento chegou. Em 1999 a Plebe volta com sua formação original para um show histórico no festival Porão do Rock em Brasília, e a gravação de um disco ao vivo.
Em maio de 2000 foi lançado o primeiro registro ao vivo da Plebe Rude. "Enquanto a Treguá Não Vem" traz o melhor da Plebe em uma performance memorável, com a produção de Herbert Viana..Neste álbum, além dos clássicos, os plebeus prestam duas homenagens, uma à banda brasiliense Escola de Escândalo, regravando a música "Luzes", e à banda punk paulista Cólera tocando "Medo".
Em 2001 a Plebe Rude comemorou 20 anos de existência. Viva a plebe!!!! Pois o rei está morto!!!
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