Big Joe Turner
Por Márcio Ribeiro
Postado em 06 de abril de 2006
Big Joe Turner, com um corpo grande e obeso e uma voz volumosa e ressonante, conseguia sacudir qualquer casa sem precisar de um microfone. Era um dos originais "shouters" - gritadores - estilo que renderia filhos como Little Richard, Arthur Alexander e vários outros, duas décadas depois de seu auge.
Nasceu em 18 de maio de 1911 com o nome de Joseph Vernon Turner, na cidade de Kansas City. Quando o pai morreu em um acidente de carro, Turner, aos 15 anos de idade, foi obrigado a deixar a escola e ajudar a levantar dinheiro para sustentar a casa. Ele e sua irmã mais velha, Katie, trabalhavam como engraxates de rua, onde ele aproveitava e cantava por trocados. Durante a manhã trabalhava como cozinheiro em um hotel, preparando o café da manhã dos hóspedes. No ano seguinte, começou a freqüentar o Backbiter's Club, onde assistia aos músicos que admirava: Count Basie, Mary Lou Williams, Lester Young e toda aquela geração de grandes. Um dia tomou coragem e pediu a Pete Johnson, um pianista de boogie-woogie, que o deixasse cantar. Johnson gostou do que ouviu e passaram a formar uma dupla. Era 1929 e Turner tinha apenas 18 anos.

Joe Turner e Pete Johnson passaram a tocar no Black & Tan Club, onde Turner atendia no bar e depois tinha um set com Johnson, o pianista residente da casa. Em 1936 saíram de Kansas City, onde Turner visitou Chicago, St. Louis e Omaha pela primeira vez. Perto do Natal, já de volta a Kansas City, apresentaram-se no Sunset Club, onde conheceram John Hammond. Assim, Joe Turner foi imediatamente convidado a se apresentar no Carnegie Hall, em Nova York, no espetáculo de Hammond, "From Spirituals To Swing", o primeiro show montado para um público branco a tentar apresentar a música negra como uma expressão artística e cultural legítima nos Estados Unidos. Hammond procurava Robert Johnson mas acabaria por descobrir que este havia morrido. Joe Turner e Pete Johnson se apresentaram então no Carnegie Hall para a elite branca nova-iorquina, na véspera de Natal de 1938.

A apresentação rendeu um convite para uma gravação e no dia 30 de dezembro gravaram para a Vocalion Records, "Goin' Away Blues/Roll 'Em Pete". Voltaram para Kansas City, mas dentro de um ano estavam de volta a Nova York, deixando Kansas para trás. Logo a dupla iria caminhar por estradas musicais diferentes; Pete Johnson continuando com o boogie-woogie e jazz, enquanto Joe Turner, aos poucos, caminhava para o gênero que seria futuramente chamado de rock 'n' roll. Durante a década de 40, Turner gravaria uma extensa quantidade de material por diversas gravadoras e com diversos músicos diferentes, nunca se prendendo a uma só banda.
Entre seus primeiros clássicos estão "Joe Turner's Blues," "Beale Street Blues", "Piney Brown Blues", "Wee Baby Blues", "Rock Me, Mama", "Corrine, Corrine", "Nobody In Mind", e "I Got Love For Sale". Em 1951, Turner, já devidamente apelidado de Big Joe Turner, podia se orgulhar de ter cinqüenta compactos em catálogo, feito difícil para uma época onde as residências dos negros nem sempre tinham um rádio, muito menos uma vitrola. É sempre bom lembrar, ao analisar esses fatos históricos, que não foi até 1964 que nos Estados Unidos negros e brancos passaram a ter direitos legais iguais. Pelo menos no papel. Antes disto, havia a cultura da segregação muito bem enraizada, principalmente no sul e meio oeste.
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Ele regravou "Corrine, Corrine", que seria a única gravação sua a freqüentar não só as paradas de r&b como também a de pop, e se apresentou no filme "Shake, Rattle And Rock" em 1956, cantando o que se tornou o grande hit de Bill Haley & The Comets naquele mesmo ano. Quando perguntado a respeito de ser precursor de um estilo novo, ele diria apenas "Rock 'n' roll não é nada mais do que um nome diferente para o mesmo tipo de música que ando cantando por toda a minha vida".
Ele continuaria a gravar pela Atlantic até 1961, embora o público não estivesse mais interessado, ou sequer se lembrasse mais dele. Big Joe Turner, com sua voz que mais lembrava uma trovoada de tão alta e ressonante, jamais parou de cantar ou de se apresentar. Na década de 70, Turner poderia ser ouvido, alto e claro, em qualquer palco, mesmo de bengala. Continuou gravando discos para pequenas gravadoras até a década de 80. Em 1985, com complicações no fígado, Big Joe Turner morreu sem deixar herdeiros.

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