Moby Grape
Por André Heavyman Morize
Postado em 06 de abril de 2006
O Moby Grape foi um dos melhores e mais versáteis grupos de rock nos alucinados e seminais anos 60, um dos símbolos do Summer Of Love em São Francisco, USA, terra natal da banda.
Embora identificados freqüentemente com a cena psicodélica, a sua maior especialidade era fazer excelente música contemporânea a partir de um crossover de música folk, pop, blues e classic rock. Essa mistura já estava presente em 1967, ano do debute do grupo, com a presença marcante e, até então pioneira, de três guitarras simultâneas. Embora tenham mantido um ótimo padrão de qualidade e criatividade em seus trabalhos subseqüentes, por uma combinação de problemas pessoais e mau gerenciamento, o conjunto teve vida efêmera, separando-se precocemente ao final dos anos sessenta.
Naquela época, a maior parte das bandas de São Francisco era formada por imigrantes de outros estados: o Moby Grape não fugiu à regra. Matthew Katz, que empresariou o Jefferson Airplane em seu início, trouxe Skip Spence para o Moby Grape. Spence era um legendario instrumentista canadense cuja especialidade maior era a guitarra, mas que tinha tocado percussão na primeira lineup do Jefferson Airplane a pedidos de Marty Balin, mentor intelectual e líder do Jefferson Airplane.
Skip Spence deixou o Airplane depois do primeiro álbum e juntou-se ao Moby Grape como guitarrista e compositor. O guitarrista Jerry Miller e o baterista Don Stevenson vieram recrutados dos Frantics, e o terceiro guitarrista Peter Lewis já havia tocado na costa litorânea da Califórnia com a surf music band The Cornells. Por sua vez, o baixista Bob Moseley também já havia tocado em diversas bandas do sudoeste californiano.
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Apesar de suas variadas e diversas experiências e influências, era impressionante seu entrosamento. Pareciam ter tocado juntos a vida inteira. O trabalho de parceria entre eles era dividido igualmente, e essa unidade e identificação é nitidamente sentida em seu álbum de estréia. "Moby Grape", de 1967, é considerado por muitos especialistas como sua obra prima. A mistura rock-folk funcionava tão bem quanto os boogies woogies, e "Omaha", "Sittin' by the Window", "Changes" e "Lazy Me" são algumas de suas melhores e mais conhecidas musicas.
Problemas diversos, tais como as pressões de sua gravadora, a Columbia Records, exigindo novos trabalhos em um curto espaço de tempo, processos legais em virtude de três membros da banda terem sido flagrados transando com meninas de menor idade, e uma relação conflitante com seu então manager Katz, influenciaram negativamente a banda.
Seu segundo trabalho, o álbum duplo "Wow" era um dos mais esperados em função do promissor disco debute, mas em virtude dos problemas acima acabou sendo conhecido como uma das maiores decepções dos anos 60. As músicas feitas às pressas para atender aos prazos da gravadora apresentavam uma total falta de homogeneidade, tanto nas letras quanto nas harmonias. As habilidades instrumentais de cada um não se somavam, antagonizavam-se, e os vocais estavam pobres e sem inspiração. O bônus disc era um desperdício total e consistia apenas em jam sessions nada significastivas.
Neste ano de 1968, o álbum estava sendo gravado em Nova Iorque. Spence teve que sair da banda como resultado de um famoso incidente, no qual ele entrou no estúdio com um machado de bombeiro pretendendo usar isto em Stevenson. Internado no Hospital de Bellevue de Nova Iorque, ele ressurgiu para gravar um álbum-solo de acid-folk maravilhoso ao término de 1968, mas isso seria o seu único projeto notável após o Moby Grape; seguiu lutando contra sua enfermidade mental.
Outra baixa inesperada aconteceu quando Moseley, apesar de sua participação no Moby Grape – banda emergente de Haight-Ashbury, cena psicodélica e com atitude antibelicista e antiguerra do Vietnã – alistou-se no corpo de fuzileiros navais no começo de 1969.
A banda continuou na luta, e apesar de mais esse duro golpe, lançou mais dois álbuns durante aquele ano. As melhores músicas destes trabalhos (particularmente o primeiro destes, o "Moby Grape 69") comprovavam que eles ainda poderiam continuar na estrada figurando entre os melhores, embora já com um estilo bem modificado em relação a seu inicio de carreira.
O grupo se desfez no fim dos anos sessenta, embora tenha se reunido periodicamente para álbuns inexpressivos e quase desconhecidos durante os últimos 20 anos, com formações que jamais conseguiram ter simultaneamente mais de um dos membros originais por vez. Matthew Katz tinha os direitos autorais sobre o nome Moby Grape e impediu que esses trabalhos esparsos pudessem levar o nome do grupo.
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