Titãs
Por Carlos O Chacal
Postado em 06 de abril de 2006
Com 15 anos de carreira, o Titãs é uma das bandas mais misteriosas do rock nacional. Apostaram na diversidade, misturando estilos como punk, funk, hard rock, pop, new wave e MPB, mudaram de imagem e intenções diversas vezes, e conseguiram realizar uma façanha: mantiveram por todos esses anos um público fiel e, com certeza, causaram muita controvérsia, pois não pensavam duas vezes antes de fazer duras críticas a sociedade e incluir palavrões em suas músicas.
Em 1982, com um grande número de integrantes, a banda já causava estranheza no público, eram nove: Arnaldo Antunes (vocal), Paulo Miklos (vocal, sax, guitarra), Marcelo Frommer (guitarra), Sérgio Britto (vocal, teclado), Toni Belloto (guitarra), Branco Mello (vocal), Nando Reis (baixo, vocal), André Jung (bateria) e Ciro Pessoa (vocal). Essa formação surgia com o nome de "Titãs do Iê-Iê" (e não "Iê Iê Iê" como muitos contam) e a proposta inicial era fazer apenas uma releitura da Jovem Guarda.
Dois anos depois, com a saída de Ciro Pessoa em 84, assinaram com o selo WEA e lançaram o primeiro disco, auto-intitulado. Sem estilo definido, o único sucesso do disco foi "Sonífera Ilha", que chegava a ser cantada de 3 a 4 vezes durante os shows. Segundo Sérgio Britto, a falta de um estilo próprio, de um direcionamento musical definido era proposital, uma ideologia da banda.
No ano seguinte sairia o segundo disco "Televisão", produzido por Lulu Santos. A variedade de estilos continuava, canções pesadas e pops dividiam espaço entre as gravações.
No mesmo ano, a imagem da banda seria marcada pela prisão de Arnaldo Antunes e Tony Belloto por porte de heroína. Foram 26 dias de cárcere, onde Arnaldo passou chorando e rezando, segundo o próprio.
Em 1986, com uma produção e musicalidade de peso, os Titãs chegam ao auge da carreira com o que pode ser considerado um verdadeiro marco na história do rock tupiniquim: lançam o disco "Cabeça Dinossauro", que faz duras críticas a igreja, a polícia, a família e a sociedade. Um álbum agressivo, contundente e pertinente. É uma obra básica para os amantes do BRock.
Com a entrada de Charles Gavin no lugar de André Jung, "Cabeça Dinossauro" seria o disco mais pesado, mais punk de toda a carreira da banda. Pela primeira vez podia se enxergar ali uma identidade definida, a verdadeira face do grupo.
Músicas como "Policia", "AA UU" ,"Porrada", "Igreja" e "Bichos Escrotos", que foi censurada, mostravam toda a agressividade e senso crítico da banda, seria uma revolução no rock nacional. Neste disco estava ainda um dos maiores sucessos do grupo, a música "Homem Primata", que era continuamente executada nas rádios.
E quem pensava que a banda teria encontrado o seu caminho, se enganou. Contrariaram todas as expectativas com o lançamento do próximo disco ""Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas" que, apesar de conter algumas músicas pesadas, continha diversos samplers e efeitos eletrônicos Segundo Arnaldo Antunes, a banda não desejava outro Cabeça Dinossauro. O público continuava fiel.
Em 1988, gravado durante a apresentação da banda num festival na Suiça, é lançado "Go Back", com o objetivo de resgatar canções da fase anterior a Cabeça Dinossauro. Entre elas estavam as faixa "Marvim" e "Go Back".
No ano seguinte, em Pernambuco, conheceram a dupla Mauro e Quitéria, que cantavam em uma língua estranha, misturando diversos idiomas. Daí viria a inspiração para o próximo trabalho. O canto dos nordestinos foi usado em "Õ Blèsq Blom ". A faixa "O Pulso" seria o maior sucesso do disco.
Dispensando produtores e de forma totalmente independente, lançam em 91, o álbum "Tudo Ao Mesmo Tempo Agora ". Este seria o mais polêmico disco dos Titãs, por trazer incluídos nas letras palavrões e termos escatológicos, além de um som sujo e pesado.
A banda sofreu duras críticas da mídia e, consequentemente, as músicas tiveram vida curta nas rádios. Somado a isso, os Titãs levariam um duro golpe com a saída de Arnaldo Antunes, o nome mais marcante da banda, que deixava a banda para realizar projetos individuais ,que não cabiam no grupo.
Para amenizar a situação, contratam o produtor norte-americano Jack Endino, famoso por trabalhar com grupos grunges de Seattle, como Nirvana e Soundgarden, para produzir "Titanomaquia", um retorno ao rock pesado que emplacou vários hits. Porém um dos fatos mais marcantes deste disco, foi o fato de ele vir embalado em um saco de lixo.
Após o fim dessa turnê a banda entra em uma grande crise. Os integrantes se separam e resolvem se dedicar a novos projetos. Toni Belloto lança o livro "Bellini e a Esfinge", Nando Reis lança o CD "12 de Janeiro" um trabalho solo, Paulo Miklos também lança seu trabalho solo. Charles Gavin produziu o álbum de estréia da banda Moleques e, junto com Nando Reis, produz o álbum Vange, da cantora Vange Leonel. Os Titãs lançam em conjunto com a WEA um selo, Banguela Records, que revelou outras bandas, entre essas Raimundos.
Parecia definitivamente o fim da banda. Porém, em 1995, novamente eles contrariam as expectativas, mudam de rumo mais uma vez e, novamente com Jack Endino produzindo, lançam o disco "Domingo", um dos mais pop desde "Televisão", apesar das participações peso-pesado de Andreas Kisser e Igor Cavalera do Sepultura, Herbert Vianna e João Barone dos Paralamas do Sucesso.
No ano de 1997, entram no projeto Acústico e lançam um disco em comemoração aos 15 anos de carreira. Com mais de 1 milhão e meio de cópias vendidas, o Acústico se tornou um dos discos mais bem sucedidos do grupo em termos de vendagem.
Além de grandes sucessos revestidos em novos arranjos, o álbum conta ainda com 4 canções inéditas e diversas participações especiais, incluindo Rita Lee, Marisa Monte e o reencontro com o ex-titânico Arnaldo Antunes, entre outros.
No ano de 1998, lançam o disco "Volume II", uma continuação do Acústico, mais sucessos antigos que não entraram no primeiro, juntamente com algumas inéditas e duas covers. Com uma fórmula desgastada e algumas músicas cansativas e enfeitadas demais, não alcançou o sucesso do disco anterior e deixou muitos fãs enfurecidos.
Em 1999, mais um disco lançado com a ajuda de um velho conhecido, Jack Endino. Este álbum porém não agrada nem critica e nem fãs antigos. O álbum "As Dez Mais", é um apanhado de covers de vários artistas da música brasileira como Roberto Carlos, Raul Seixas, Mamonas Assassinas, Tim Maia, entre outros. A banda foi acusada de lançar esse disco apenas como caça-níqueis e por não terem criatividade para lançarem material inédito.
Comportados, sentados em banquinhos e tocando violões, não lembram nem de longe aquele bando de malucos que balançavam a cabeça e metiam o pau em tudo na ótima fase de Cabeça Dinossauro. Com toda essa diversidade musical, o grupo foi ganhando e perdendo fãs a cada ano e disco lançado. Mas a imensa maioria continua fiel, talvez esperando que um dia a banda volte a fazer novas obras-primas como "Cabeça Dinossauro".
Em 2001, ocorreu a maior perda da história da banda. O guitarrista Marcelo Frommer foi atropelado por um motoqueiro enquanto corria pelo bairro do Jardins (São Paulo, Capital), sendo levado em coma para o Hospital das Clínicas e morrendo dois dias depois. Apenas um ano depois seria encontrado o motoboy, responsável confesso pelo atropelamento.
Em 2002 o baixista Nando Reis abandonaria a banda por "diferenças musicais", assumindo de vez uma já bem sucedida carreira solo como compositor e intérprete, além de se dedicar a trabalhos de produção como o do disco póstumo de Cássia Eller. A banda não chegou a interromper a turnê do novo disco, "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana", sendo a vaga de Nando Reis preenchida por Lee Marcucci. Embora a saída tenha sido amigável, o lançamento da biografia do grupo, "A Vida Até Parece Uma Festa", no final de 2002, geraria protestos de Nando Reis, que teve sua imagem digitalmente removida da foto que ilustra a capa do livro.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Confira o Line-Up completo do Bangers Open Air 2027
A banda que Max Cavalera considerava a "versão brasileira do Iron Maiden"
O membro do Iron Maiden que "não aguenta mais e quer sair", segundo Regis Tadeu
A reação dos filhos de James Hetfield quando o Metallica retomou suas masters
Ozzfest confirma retorno com edições em três países para 2027
Por que Derek Riggs não fez a capa de "Fear of the Dark", segundo o Iron Maiden
Bruce Dickinson quer novo disco do Iron Maiden, Steve Harris não sabe, diz Nicko McBrain
A tarefa que Edu Falaschi evitava no sítio de Ricardo Confessori na fase Angra
Fabio Lione publica desabafo irônico que supostamente mira sua ex-banda, o Angra
Rush confirma temporada de shows no The Sphere, em Las Vegas
Dez guitarristas que David Gilmour, do Pink Floyd, elogiou ao longo dos anos
Manager de Tony Iommi considerou letras de Jorn Lande "muito sombrias"
Jairo Guedz sobre as regravações dos Cavalera: "A magia, para mim, está no original"
Pearl Jam segue à procura de novo baterista, revela Jeff Ament
O clássico do Cream que Eric Clapton evita ouvir porque acredita ter errado na hora de tocar
Pantera: "odiei gravar Cowboys From Hell", diz Phil Anselmo
A banda lendária que envelheceu mal e não acabou dignamente, segundo Noel Gallagher
A lendária banda Punk que Eddie Van Halen disse ser difícil de tocar ao vivo


"Epitáfio" do Titãs e a reflexão de uma vida de arrependimentos
O ídolo histórico de Flamengo e Palmeiras que adora Legião Urbana, Titãs e The Smiths
Sepultura, Titãs e Luiz Caldas levam o peso do rock ao Altas Horas deste sábado
A curiosa trajetória de Wagner "Antichrist" Lamounier um dos fundadores da lendária Sarcófago
AC/DC: os últimos dias do vocalista Bon Scott



