Titãs

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Por Carlos O Chacal
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Com 15 anos de carreira, o Titãs é uma das bandas mais misteriosas do rock nacional. Apostaram na diversidade, misturando estilos como punk, funk, hard rock, pop, new wave e MPB, mudaram de imagem e intenções diversas vezes, e conseguiram realizar uma façanha: mantiveram por todos esses anos um público fiel e, com certeza, causaram muita controvérsia, pois não pensavam duas vezes antes de fazer duras críticas a sociedade e incluir palavrões em suas músicas.

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Em 1982, com um grande número de integrantes, a banda já causava estranheza no público, eram nove: Arnaldo Antunes (vocal), Paulo Miklos (vocal, sax, guitarra), Marcelo Frommer (guitarra), Sérgio Britto (vocal, teclado), Toni Belloto (guitarra), Branco Mello (vocal), Nando Reis (baixo, vocal), André Jung (bateria) e Ciro Pessoa (vocal). Essa formação surgia com o nome de “Titãs do Iê-Iê” (e não “Iê Iê Iê” como muitos contam) e a proposta inicial era fazer apenas uma releitura da Jovem Guarda.

Dois anos depois, com a saída de Ciro Pessoa em 84, assinaram com o selo WEA e lançaram o primeiro disco, auto-intitulado. Sem estilo definido, o único sucesso do disco foi “Sonífera Ilha”, que chegava a ser cantada de 3 a 4 vezes durante os shows. Segundo Sérgio Britto, a falta de um estilo próprio, de um direcionamento musical definido era proposital, uma ideologia da banda.

No ano seguinte sairia o segundo disco “Televisão”, produzido por Lulu Santos. A variedade de estilos continuava, canções pesadas e pops dividiam espaço entre as gravações.

No mesmo ano, a imagem da banda seria marcada pela prisão de Arnaldo Antunes e Tony Belloto por porte de heroína. Foram 26 dias de cárcere, onde Arnaldo passou chorando e rezando, segundo o próprio.

Em 1986, com uma produção e musicalidade de peso, os Titãs chegam ao auge da carreira com o que pode ser considerado um verdadeiro marco na história do rock tupiniquim: lançam o disco “Cabeça Dinossauro”, que faz duras críticas a igreja, a polícia, a família e a sociedade. Um álbum agressivo, contundente e pertinente. É uma obra básica para os amantes do BRock.

Com a entrada de Charles Gavin no lugar de André Jung, "Cabeça Dinossauro" seria o disco mais pesado, mais punk de toda a carreira da banda. Pela primeira vez podia se enxergar ali uma identidade definida, a verdadeira face do grupo.

Músicas como "Policia", "AA UU" ,"Porrada", "Igreja" e "Bichos Escrotos", que foi censurada, mostravam toda a agressividade e senso crítico da banda, seria uma revolução no rock nacional. Neste disco estava ainda um dos maiores sucessos do grupo, a música “Homem Primata”, que era continuamente executada nas rádios.

E quem pensava que a banda teria encontrado o seu caminho, se enganou. Contrariaram todas as expectativas com o lançamento do próximo disco “"Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas" que, apesar de conter algumas músicas pesadas, continha diversos samplers e efeitos eletrônicos Segundo Arnaldo Antunes, a banda não desejava outro Cabeça Dinossauro. O público continuava fiel.

Em 1988, gravado durante a apresentação da banda num festival na Suiça, é lançado “Go Back”, com o objetivo de resgatar canções da fase anterior a Cabeça Dinossauro. Entre elas estavam as faixa “Marvim” e “Go Back”.

No ano seguinte, em Pernambuco, conheceram a dupla Mauro e Quitéria, que cantavam em uma língua estranha, misturando diversos idiomas. Daí viria a inspiração para o próximo trabalho. O canto dos nordestinos foi usado em "Õ Blèsq Blom ". A faixa “O Pulso” seria o maior sucesso do disco.

Dispensando produtores e de forma totalmente independente, lançam em 91, o álbum "Tudo Ao Mesmo Tempo Agora ". Este seria o mais polêmico disco dos Titãs, por trazer incluídos nas letras palavrões e termos escatológicos, além de um som sujo e pesado.
A banda sofreu duras críticas da mídia e, consequentemente, as músicas tiveram vida curta nas rádios. Somado a isso, os Titãs levariam um duro golpe com a saída de Arnaldo Antunes, o nome mais marcante da banda, que deixava a banda para realizar projetos individuais ,que não cabiam no grupo.

Para amenizar a situação, contratam o produtor norte-americano Jack Endino, famoso por trabalhar com grupos grunges de Seattle, como Nirvana e Soundgarden, para produzir “Titanomaquia”, um retorno ao rock pesado que emplacou vários hits. Porém um dos fatos mais marcantes deste disco, foi o fato de ele vir embalado em um saco de lixo.

Após o fim dessa turnê a banda entra em uma grande crise. Os integrantes se separam e resolvem se dedicar a novos projetos. Toni Belloto lança o livro "Bellini e a Esfinge", Nando Reis lança o CD "12 de Janeiro" um trabalho solo, Paulo Miklos também lança seu trabalho solo. Charles Gavin produziu o álbum de estréia da banda Moleques e, junto com Nando Reis, produz o álbum Vange, da cantora Vange Leonel. Os Titãs lançam em conjunto com a WEA um selo, Banguela Records, que revelou outras bandas, entre essas Raimundos.

Parecia definitivamente o fim da banda. Porém, em 1995, novamente eles contrariam as expectativas, mudam de rumo mais uma vez e, novamente com Jack Endino produzindo, lançam o disco “Domingo”, um dos mais pop desde “Televisão”, apesar das participações peso-pesado de Andreas Kisser e Igor Cavalera do Sepultura, Herbert Vianna e João Barone dos Paralamas do Sucesso.

No ano de 1997, entram no projeto Acústico e lançam um disco em comemoração aos 15 anos de carreira. Com mais de 1 milhão e meio de cópias vendidas, o Acústico se tornou um dos discos mais bem sucedidos do grupo em termos de vendagem.

Além de grandes sucessos revestidos em novos arranjos, o álbum conta ainda com 4 canções inéditas e diversas participações especiais, incluindo Rita Lee, Marisa Monte e o reencontro com o ex-titânico Arnaldo Antunes, entre outros.

No ano de 1998, lançam o disco “Volume II”, uma continuação do Acústico, mais sucessos antigos que não entraram no primeiro, juntamente com algumas inéditas e duas covers. Com uma fórmula desgastada e algumas músicas cansativas e enfeitadas demais, não alcançou o sucesso do disco anterior e deixou muitos fãs enfurecidos.

Em 1999, mais um disco lançado com a ajuda de um velho conhecido, Jack Endino. Este álbum porém não agrada nem critica e nem fãs antigos. O álbum “As Dez Mais”, é um apanhado de covers de vários artistas da música brasileira como Roberto Carlos, Raul Seixas, Mamonas Assassinas, Tim Maia, entre outros. A banda foi acusada de lançar esse disco apenas como caça-níqueis e por não terem criatividade para lançarem material inédito.

Comportados, sentados em banquinhos e tocando violões, não lembram nem de longe aquele bando de malucos que balançavam a cabeça e metiam o pau em tudo na ótima fase de Cabeça Dinossauro. Com toda essa diversidade musical, o grupo foi ganhando e perdendo fãs a cada ano e disco lançado. Mas a imensa maioria continua fiel, talvez esperando que um dia a banda volte a fazer novas obras-primas como “Cabeça Dinossauro”.


Em 2001, ocorreu a maior perda da história da banda. O guitarrista Marcelo Frommer foi atropelado por um motoqueiro enquanto corria pelo bairro do Jardins (São Paulo, Capital), sendo levado em coma para o Hospital das Clínicas e morrendo dois dias depois. Apenas um ano depois seria encontrado o motoboy, responsável confesso pelo atropelamento.

Em 2002 o baixista Nando Reis abandonaria a banda por "diferenças musicais", assumindo de vez uma já bem sucedida carreira solo como compositor e intérprete, além de se dedicar a trabalhos de produção como o do disco póstumo de Cássia Eller. A banda não chegou a interromper a turnê do novo disco, "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana", sendo a vaga de Nando Reis preenchida por Lee Marcucci. Embora a saída tenha sido amigável, o lançamento da biografia do grupo, "A Vida Até Parece Uma Festa", no final de 2002, geraria protestos de Nando Reis, que teve sua imagem digitalmente removida da foto que ilustra a capa do livro.

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