Janis Joplin, pérola atormentada

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Por Ana Therezo e Marcos A. M. Cruz
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Provavelmente um ET desavisado que viesse à Terra estudar o comportamento da raça humana no final dos anos 60 estranhasse o fato de uma das maiores manifestações artístico-musicais populares do século XX - o Rock - possuir raríssimas representantes do sexo feminino, ainda mais levando-se em consideração que a música, encarada a nível de arte, requer uma dose muito grande de sensibilidade, algo comumente associado ao chamado "sexo frágil".

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E dentre estas raríssimas representantes, uma delas, sem sombra de dúvida, merece um destaque mais do que especial: Janis Lyn Joplin, que soube como ninguém mesclar sentimento, paixão e lirismo em suas interpretações, derivadas diretamente das grandes damas do blues, mas com um toque ao mesmo tempo forte e suave.


Nasceu em 19 de janeiro de 1943, na pequena Port Arthur, Texas, cidadezinha típica do interior norte-americano, careta, conservadora, que já na adolescência se tornava muito pequena para a jovem rebelde. Após idas e vindas, vinte anos depois Janis trilhava os caminhos da folk music, ao mesmo tempo em que começava seu envolvimento com drogas, pequenos furtos e brigas. Sua voz marcante e atitude irreverente refletiam sua alma atormentada.

Nancy Wilson (guitarrista da banda Heart), comentou certa vez: "Eu acho que ela permitiu às mulheres sentir sua própria dor. A dor que ela também sentia. (...) seu talento inigualável era fruto de seu sofrimento".

Contudo, nada impediu que ela se tornasse um mito e entrasse para a lista dos imortais dos anos 60, fazendo com que a mistura de blues e rock rendesse um sucesso meteórico que durou cerca de três anos - enquanto viva; e um verdadeiro culto ao seu modo de cantar, mesmo três décadas após sua morte.

Tudo começou quando Chet Helms convidou-a para se juntar ao Big Brother & The Holding Company, banda psicodélica típica de San Francisco, em meados da década de 60. Após um álbum de estréia que passou um tanto quanto desapercebido, Janis e a banda deslancharam em 1968 com "Cheap Thrills", que ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas somente no primeiro mês, impulsionado pelo sucesso da apresentação em Monterey. Durante sua breve carreira, lançou outros dois LPs, "I Got Dem Ol'Kozmic Blues Again Mama", com a Kozmic Blues Band, e o póstumo "Pearl", gravado com a Full Tilt Boogie Band, título inspirado em seu apelido, ganho devido à brancura de sua pele, quase sempre longe do sol. Depois houve outros álbuns ao vivo e coletâneas com sobras de estúdio e faixas inéditas.

Em 04 de outubro de 1970, o sonho acabou: Janis foi encontrada morta em seu apartamento, vítima de overdose de heroína combinada com álcool. Talvez seu grande problema tenha sido a aversão às drogas alucinógenas (maconha, LSD), que a levou ao caminho dos estimulantes (anfetaminas, bebidas e heroína).

Conclusão: depois de ler sua história e escutar suas músicas, só existem duas maneiras de senti-la: ou você a ama ou a odeia. Experimente! Janis sempre causa reações inusitadas... as letras das canções não são intelectualizadas, não são nem mesmo grandes composições (tecnicamente falando), mas é justamente esta simplicidade e principalmente a sinceridade que brota nas suas interpretações que as tornam diferentes a cada audição. Você vai sentir!!!

"I can't talk about my singing
I'm inside it.
How can you describe something you're inside of?"




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Sobre Ana Therezo

Engenheira, Escritora de Araque e, atualmente, moradora das planícies gélidas Canadenses. Fã de Rock em todas as suas vertentes, mas com tendências xiitas ao Heavy Metal, ganhou seu primeiro bolachão - No Rest for the Wicked, em 1988. Vinte e poucos anos depois e, contrariando aqueles que acreditam que o gosto musical muda com o passar do tempo, continua escutando Ozzy, AC/DC, Deep Purple e afins. Colaboradora e leitora do Whiplash! desde que o site tinha caveirinhas na página principal, e que a lista dos melhores guitarristas de todos os tempos era o assunto da vez.

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