Cenário Nacional

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Por André Toral
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Aproveitando o excelente espaço de que o site Whiplash! dispõe para matérias voltadas ao Rock, decidi oferecer mais uma parcela de ajuda dentro de todo este tempo do qual faço parte da equipe que mantém o site.

Prefiro tratar aqui de um assunto do qual todos têm muito interesse e principalmente porque me especializei nesta área: o cenário nacional.

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De certa forma, os trabalhos que venho realizando estão voltados, entre outros fins, a divulgações de bandas nacionais, e isto vem me proporcionando uma visão mais ampla da situação que ocorre dentro do Brasil no que se refere ao Rock.

Com a proposta de oferecer minhas opiniões àqueles que realmente gostam de refletir, disponho aqui meus conhecimentos adquiridos.

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CENÁRIO COM UM TODO

O Brasil, decididamente, faz parte da lista de países que mais consomem Rock no mundo. A prova disso é que muitas bandas estrangeiras continuam vindo para fazer seus shows. Com certeza não fazemos parte de um movimento tão forte quanto funk, pagode e demais anomalias que denomino como "músicas de mal gosto", mas a mídia que nos apoia, geralmente, são rádios comunitárias, gravadoras e veículos especializados no supracitado Rock. Claro que existem os chamados "aventureiros" neste ramo, mas, no geral, estamos sendo brindados com estilos dos mais variados dentro desse estilo de música.

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Um estilo, aliás, que nunca deixou de existir foi o heavy metal, diferentemente do que foi com o grunge e alternativo – que se ainda não acabaram por completo, porém estão muito perto deste acontecimento. A cena do heavy e power metal em países europeus conquistou de vez o público nacional. Assim, começaram a surgir várias bandas dentro destas linhas. Atualmente o Brasil apresenta bandas das mais variadas, musicalmente falando, e isso faz com que os fãs também tenham gostos bem variados. Outro estilo que não pode passar desapercebido nessa matéria é o Black/Doom sinfônico que está se propagando cada vez mais.

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Mas onde a cena se mostra fortalecida? Não é demais dizer que São Paulo, decididamente, é a capital do Rock na América do Sul. Porém, mora aí um perigo cruel. Não são todos, mas algumas pessoas tendem a escutar somente o que é de "Sampa" ou o que é famoso por lá. Isso faz com que excelentes bandas de outras regiões não tenham uma divulgação maior. Afinal, desde quando bairro, cidade ou país, são requisitos para a qualidade musical existente em uma banda? Claro que "Sampa" oferece melhor qualidade de divulgação e shows, mas temos que cruzar fronteiras e procurar coisas onde nunca imaginávamos encontrar. Não fizemos isso com Stratovarius e Nightwish, que são de um país sem tradição nenhuma dentro do heavy, ou seja, a Finlândia? Este é um entre vários outros casos.

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BANDAS

Existem as ótimas, as boas, as mais ou menos e as ridículas. Isso, se falando das brasileiras. Temos que levar em consideração que a falta de recursos financeiros para se gravar e produzir algo com qualidade pode desmoralizar, em parte, uma banda que seja fantástica. Seria compreensível. Nosso país tem cada vez mais se profissionalizado em termos de estúdio e produtores, no que diz respeito à gravações e produções de CDs para o Rock. Isso para a banda que pode pagar pelo serviço. Muitas delas, tendo lançado um CD com qualidade razoável, conseguem se salvar. Aqui, deve-se inserir a dificuldade financeira pela qual passa o Brasil, e que atinge em cheio – novamente – o Rock. Claro que existem grupos que estão lançando trabalhos com qualidade excepcional, mas outras estão se destruindo e concebendo produções ridículas que somente vêm a causar graça e/ou furor entre os ouvintes. Sendo assim, melhor que não gravassem absolutamente nada. Ressaltando, existem casos em que a banda não possui boas condições para produzir um CD mas nota-se o seu potencial, garra e qualidade musical. Cada caso é um caso.

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Porém, um fator desanimador, principalmente no heavy metal, são os vocalistas. Às vezes, uma banda tem um instrumental fantástico mas um vocalista exagerado ou ruim por completo. Exagerado porque insiste em agudos altos parecendo, assim, um "chorão" de carteirinha. Ruim porque não possui absolutamente nada que possa ser aproveitado em sua voz. Incrível a quantidade de vocalistas que se enquadram aí. Pessoalmente, dou destaque para vocalistas não exagerados e que sabem posicionar sua voz, melodicamente, nos arranjos musicais. Fazendo uma comparação com o futebol, se nossa seleção brasileira sofre com a defesa, o heavy/Rock nacional sofre com vocalistas.

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Bandas que eu destaco e conheço são Steel Warrior (power metal/SC), Orquídea Negra (heavy tradicional/SC), Dust From Misery (thrash/RJ), Imago Mortis (heavy/doom/RJ), Adagio (doom sinfônico/SP), Genocídio (death/SP), Harppia (heavy tradicional/SP), Silent Cry (doom sinfônico), Fates Prophecy (heavy tradicional/SP), Dark Avenger (heavy tradicional/DF), Malefactor (black/BA), Nocet (hard/progressivo/RS), Angra (heavy melódico/SP), DR.Sin (hard/heavy/RJ), entre muitas outras.

MÍDIA

Existe apoio por parte da mídia para o Rock? Existe, porém somente daqueles que trabalham pelo nosso movimento. É o tipo ideal de divulgação que nós merecemos? Talvez sim, talvez não.

Ao se discutir sobre os meios que propagam o Rock, entra em uma questão muito delicada. Existem inúmeras rádios piratas e/ou comunitárias que mantêm em sua programação o Rock/heavy. Mesmo não tendo, algumas, qualidade extraordinária, é de se parabenizar as pessoas envolvidas que o fazem por amor ao estilo. Isto, sem dúvida, já é uma grande força de divulgação para o movimento Rock. Destaco o Programa da Brasil 2000 FM, o Backstage, que é dirigido e apresentado por Vitão Bonesso em São Paulo. Mas e a mídia que domina o país e que no auge do Rock, entre os anos 60 e 70, falou bem e agora massacra impiedosamente "nossa gente"? Cada vez mais a TV nos ataca. A Rede Globo chegou a exibir capítulos de "Malhação", em que fãs de Rock eram satanistas e brigões. A mesma emissora, ao dar a notícia do incidente ocorrido no Woodstock ’99, aproveitou para dar mais uma "espetada" em nossa classe. Além disso, no programa dos caipiras Sandy e Junior, exibido todas as manhãs de domingos, a Globo fez questão, mais uma vez, de por uma turma de roqueiros "malvados" destruindo tudo. Sobretudo, ainda temos que agüentar jornalistas desinformados maltratando os nosso ídolos. Um exemplo perfeito foi o ocorrido na Revista Veja, onde um jornalista escreveu barbaridades – incluso algumas inverdades – sobre Ozzy Osbourne. Após um protesto geral promovido pelo site Whiplash!, a mesma pessoa se redimiu publicando na revista, de número seguinte, uma nota dizendo que muitos fãs de Ozzy haviam protestado. Será que alguns fãs e ídolos não fazem por merecer estes rótulos negativos? Talvez o façam, mas não são todos.

E o que a mídia apoia no momento? Axé, pagode e funk, basicamente. Músicas sem qualidade alguma que unicamente refletem a mentalidade da maioria que compõe o povo brasileiro. Isso quer dizer que o Rock é o único estilo a ter qualidade? Que os fãs de Rock tem a cabeça mais aberta deste mundo? Decididamente não. Mas mesmo assim, reparem nas letras de canções vindas de estilos horrendos e todos escutarão apenas: "segura o tchan, amarra o tchan", "lava a checa", "pau que nasce torto nunca se endireita", "vai ralando na boquinha da garrafa" etc. Além do que, o funk é um estilo de música que sempre proporciona morte em seus bailes. Juízes de Direito proibiram, em alguns estados, discotecas deste tipo. Festas de pagode também são especiais para brigas. Quanto às drogas, a mídia adora associá-las com roqueiros. A eles eu diria para que fossem cobrir um show de Reggae, ou que subissem em um morro e/ou favela e escutassem a música que impera entre traficantes e marginais da mais alta periculosidade. Com certeza, não é o Rock.

Por isso eu digo que devemos nos limitar apenas à mídia especializada. Por um lado podem não ter uma grande estrutura comparada com emissoras de grande porte, mas por outro estão sempre estendendo sua mão e fazendo sua parte para manter nosso movimento. Em termos de bandas nacionais, a gravadora que mais tem as ajudado é, sem dúvida, a PRW/ MEGAHARD RECORDS.

Não somente pequenas rádios, mas edições de zines e sites como o WHIPLASH! ajudam cada vez mais o Rock.

SHOWS

Não é novidade que a produção de shows no cenário nacional ainda tem muito a evoluir. Falta de profissionalismo? Para o Rock sim. Mas se formos avaliar, outros estilos de "mal gosto" como o pagode possuem organizações impecáveis. Isto acontece devido ao apoio que a mídia oferece. Como o mesmo Rock não se dá bem com a mídia convencional, temos o que denomino de "falta de educação" para com bandas nacionais. Às vezes pessoas montam uma banda com certa qualidade musical que requer produções dignas para ser apresentada mas o que vemos é exatamente ao contrário. Se o Iron Maiden, que é um monstro, sofreu com uma organização ridícula de um produtor brasileiro que AINDA continua no ramo, imaginem as bandas nacionais. Pior ainda. Dentro deste tempo atuando como "headhunter" (caça-talentos) de bandas brasileiras, tenho ouvido enormes quantidades de reclamações pela falta de respeito por parte de produtores inexperientes. Má qualidade de equipamentos sonoros e etc. Mas prestem atenção, não somente bandas pequenas sofrem com isso; bandas como Angra, Dr. Sin e Sepultura ainda continuam com este problema, ou seja, a situação é geral.

Uma solução prática seria o grupo identificar em quais condições ela pode e não pode atuar. Certo de que, algumas vezes, a própria banda é culpada por esta situação. De que modo? Ora, se uma banda é formada, certamente sentirá a necessidade de se apresentar em público. Sendo assim, a "fissura" por tocar vence qualquer obstáculo como a má produção do evento. É perfeitamente compreensível. Isso parte de uma escolha. Porém, algumas bandas fazem questão de condições básicas para poderem se apresentar. Isso é querer ser "fresco"? Não.

No que se refere à oportunidade das quais as bandas nacionais têm de abrir shows de bandas estrangeiras, rola o que denomino de "injustiça". Nosso cenário nacional conta com excelentes bandas qualificadas para participarem deste evento, mas ao invés disso preferem chamar os de sempre, ou seja Angra e Dr. Sin. O que já tem torrado, literalmente, a paciência de alguns. Outro fator que desanima é o fato de algumas bandas terem que pagar para fazer abertura de atrações internacionais. Aonde entram bandas do porte de Fates Prophecy, Dark Avenger, Steel Warrior, etc.? Todas elas têm qualidade necessária para tocarem aonde for. Existe centralização no Brasil? Pensem sobre isso.

RESUMO FINAL

A história do Rock possui altos e baixos. Nem tudo são flores. O Brasil necessita obter condições básicas para poder oferecer à sua cena condições, do mesmo modo, básicas. Mesmo assim, muitas coisas já se apresentam melhor, e a prova disso é que, cada vez mais, bandas iniciantes concebem CDs de qualidade acima da média, em termos de produção sonora e arranjos. Sendo assim, é improvável que elas não subam ao topo por falta de qualidade.

A radicalização dentro do Rock, por parte de alguns fãs, é outro ponto que faz um mal tremendo ao movimento. Os garotos de hoje, decididamente, não têm a mesma atitude de antes. Muitas vezes, fecham-se para as origens ou falam mal de bandas sem sequer conhecê-las. Questão de gosto? Pode ser, mas quando dizem que as origens são um lixo comparado com a atual conjuntura, caem, sem saber, em contradição. Por que? Justamente porque quem deu início a tudo e inspirou bandas da atualidade foram os de antes. Outras pessoas deixam de ser críticos para formar sua opinião baseado no que "os outros" dizem. Porque os "outros" dizem que algo é bom ou ruim, alguns saem repetindo a mesma coisa sem nunca ter escutado determinado material. Por isso, mais vale ir em encontro de determinada banda e formar, você mesmo, sua opinião. Sem dúvida, a melhor forma de ser verdadeiro tanto com os outros como – mais importante ainda – consigo mesmo.

Também não é sadio os "veteranos" diminuírem os que começaram a curtir Rock a alguns meses ou anos. Nosso movimento precisa de pessoas que sejam úteis e amem o estilo. E se você que está lendo esta matéria acha que não faz nada de útil pelo por ele, está enganado. O fato de você ser um fã já é algo utilíssimo para o movimento. Em suma, necessitamos de união.

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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.

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