“Que diabos estou fazendo?”. Foi a pergunta que rondou minha cabeça por diversas vezes enquanto me dirigia para a Praça da Apoteose (berço do samba carioca) para conferir a primeira passagem da cantora canadense Avril Lavigne pelo Brasil, em continuação a sua “BONEZ TOUR 2005”.
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Antes de ser criticado e malhado impiedosamente no fórum deste website, pensei comigo mesmo: a dita cuja, apesar de ser musa “teen”, adorada por crianças e adolescentes, também executa um rock and roll com flertes com o punk, “ska” e o pop, claro. Só isso já me bastava para justificar tal cobertura. Mas ainda assim seria um grande evento carioca, e merecia no mínimo uma conferida.
Na entrada do show adolescentes se aglomeravam em busca da sonhada grade que os deixaria próximos a Avril. Várias adolescentes compareceram ao show vestidas como Avril (o famoso “jeans” rasgado com gravata e camiseta, ou saia) e algumas realmente conseguiram ficar parecidas com a cantora. A Apoteose não estava cheia (cerca de 12 mil fãs compareceram ao evento) e alguns nem eram fãs, apenas pobres pais de filhos bem novos que não tiveram chance senão levar suas crianças ao show. No final tudo transcorreu sem incidentes maiores.
A abertura foi realizada pelo LEELA, banda que vem obtendo reconhecimento e que pratica um estilo bem semelhante ao de Avril. Pontualmente as 19 horas a banda entra no palco e executa 5 músicas próprias (entre elas um sucesso global) e dois “covers”: “Seven Nation Army” (do White Stripes) e “Rape Me” (do Nirvana), contagiando os fãs, que receberam o quarteto com bastante entusiasmo. A própria banda demonstrava estar se divertindo muito no palco, e por várias vezes a vocalista interagiu com o público. Só lhe falta maior controle de sua voz, porque quando atinge agudos, os resultados são bem fracos. Mas o LEELA fez seu papel e aqueceu a galera por 30 minutos.
Eram aproximadamente 20:10 quando as luzes se apagaram e Avril entrou no palco, acompanhada de dois guitarristas, baixista e baterista, emendando “Sk8er Boi”, um de seus primeiros sucessos. A galera foi ao delírio, cantando junto com a pequena canadense, que se mexia como uma adolescente agitada. Seguiram-se “Unwanted”, “My Happy Ending” e a punk “I always get what I Want”.
O palco era bem simples, com um pano de fundo imitando o logotipo da turnê (um punho fechado) e um paredão de amplificadores. Segundo consta, boa parte do material de palco foi trazido diretamente dos Estados Unidos, o que justificou a ocorrência do show na Apoteose, que mesmo com uma platéia entusiasmada, estava bem vazia, afinal eram 12 mil num local que comporta 40 mil.
“Mobile”, “I´m With You”, “ Fall to Pieces” e “Don´t Tell Me” inauguram uma seqüência cansativa de baladas aonde notamos o contraste da Avril Lavigne adulta do segundo CD (ou tentando soar adulta) com uma rebeldia adolescente ainda presente. Tal fato fica exemplificado pela colocação de um piano no palco, no qual Avril levou “Together” e “Forgotten”, e depois executou “Nobody´s Home” só no violão.
Nesse momento o público estava mais calmo, apenas observando e aplaudindo, reflexo do fato da própria cantora estar apresentando no palco uma espécie de transição musical. Parece que Avril quer crescer musicalmente, e isso se reflete na quantidade de músicas lentas que foram colocadas no “set”. Nada demais, afinal ela gravou seu disco antes de fazer 18 anos, e isso aconteceria de um jeito ou de outro. Na seqüência, a lenta “Who Knows” e a eletrônica “Losing Grip”, que agitaram a platéia. Mas a adrenalina voltaria a cair em “Take Me Away” e “He Wasn´t”, lentas e cansativas. Um show de contrastes.
Para dar uma aquecida, Avril colocou uma versão de “All the Small Things” do Blink 182, que funcionou muito bem, e mostrou que rock and roll ainda é diversão em alguns momentos. A mesma voltaria com sua banda (bem competente, mas apenas isso) para uma execução de “Song 2” do Blur com uma Avril tocando bateria de maneira bem consistente, e um dos guitarristas nos vocais. “Complicated” encerrou o show, que teve 1h20 minutos de duração.
No final os fãs saíram elogiando muito o evento e reclamando apenas do pouco tempo de show (afinal ainda eram 21hs!). Mas não há nada para reclamar: apesar dos altos e baixos, foi um show coeso e Avril só tem 21 anos. Essa super-exposição que a mídia fez em cima dela a transformou numa musa e por enquanto ela consegue segurar a onda, mas é evidente que sua imagem já está se desgastando e a mesma terá que definir com urgência seu novo direcionamento musical, se quiser manter-se no topo... mas no final das contas foi um bom show...e não tenho nada a reclamar.
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Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?
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