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Resenha - Kiss (Porto Alegre, 10/06/99)

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Uma fria noite de quinta-feira. O vento era forte, mas mais resistentes foram os 35.000 fãs que viram o KISS em Porto Alegre. Foi a primeira apresentação da banda na cidade.

O espetáculo começou com o Rammstein, banda alemã que faz um heavy metal que mistura Fear Factory, Pantera e Kraftwerk. O som da banda ganha novo ânimo ao vivo, pois está recheado de pirotecnia. Eram foguetes que saiam do palco, fogos de artifício e um número estranho. O vocal Till Lindemann fez uma simulação de sexo com um companheiro de banda, e depois ainda ficou com o "efeito" para fora até o fim da música. Apesar de soar como um Ibiza depois de algumas músicas, valeu a apresentação. Depois de uma garrafada na cabeça, Till sentiu q era a hora de acabar a festa e sem problemas parou o som. Destaque para os músicos que brincaram ao melhor estilo replicante e para a bateria.

Eram 10 e meia quando a cortina subiu. Poucos minutos depois, uma voz anunciava "the hottest band in the world", o KISS. A abertura foi com Psycho Circus, seguida de Shout It Loud e Deuce. O set da banda foi o mesmo da tour REUNION´96 (volta das máscaras), com apenas Psycho Circus, Within e Into the Void acrescidas. Os efeitos em 3-D foram divertidos, colocavam a banda empurrando a guitarra para os olhos da platéia. Os outros efeitos foram a guitarra de Ace que voou no solo depois de soltar fumaça, Paul Stanley voando sobre o público para ficar num palco à parte e o tradicional ritual de sangue de Gene Simmons. Em Firehouse, as sirenes foram ligadas para que Gene surgisse com um cetro em chamas.

O som estava ruim, e a voz de Paul e Ace sumia algumas vezes. Faltou I Love It Loud, e algumas músicas ficaram melhor em CD/mp3 que ao vivo, como Psycho Circus, Within e Shout It Loud. Gene foi o destaque. Parecia que estava em uma festa, pulando e mexendo a sua língua. Além disso, mostrou que é o melhor naquilo que faz, tocar para divertir (e sobreviver disso!).

O público estava parado, só agitando no final do show. Do total presente, muitos foram porque era um grande show e a música que tocava na rádio era uma "baladinha boa". Empiricamente, seriam 25.000 pessoas que conheciam We Are One e Rock and Roll all Nite. Maior prova disso foi a platéia estática durante Detroit Rock City. Dos outros 10 mil, metade eram fãs da década de 80 que saíram decepcionados por não ouvir I LOVE IT LOUD. Sobraram 5 mil que ficaram decepcionados com o show, apesar de uma versão lendária para Love Gun. Esses fãs do Alive I e II sabiam que a banda poderia ter rendido mais...

Outra novidade foi uma maior presença de Ace e Peter no show. Os quatro fizeram seus solos, o de Ace um pouco longo e o de Peter morno. Durante Rock and Roll All Nite, o Jockey Club ferveu. Todos cantavam junto, e Paul só disse "Portu Alegrre is awesome!". No bis, Beth com Peter dando flores ao público e sozinho no palco, Detroit Rock City e Black Diamond com Paul brincando com platéia em seu solo, fazendo uma guerra de torcidas.

A música sempre será atual, mas Peter Criss foi medíocre... poderiam pintar o Eric Singer e colocar ele lá. Ace fez um solo bem normal, poderia ter 1/3 a menos. Acabou salvo quando ele disse "this is for Stanley Kubrick". O video da guitarra (qto será q a Gibson pagou por aquilo?) foi totalmente inspirado em 2001.

Faltou I LOVE IT LOUD. Mas deixo aqui escrito uma coisa que ninguém escreveu e pode ter decepcionado uma galera. O KISS atual, 1a formação, não toca coisa de outros, vide ILILoud - Eric Carr (batera) - e Forever/Take it off - Bruce Kullick (guitar solo) e Eric Singer (batera). Dizem que fazem por respeito, mas será que o Peter consegue tocar isso?

Deu para perceber elementos de playback no show. Na abertura, PsychoCircus, os sons de guitarra continuaram, mesmo com Ace jogando palhetas e Paul arrumando a peruca. Ah, a peruca é marca dos vovôs. Quem conferiu eles no hotel (furou o esquema de segurança... não existem mais fotos deles sem máscaras heheheh) saiu surpreso com tudo. Além das rugas, todos estão com uma careca bem avançada. Apesar disso, a música não está velha.

A organização poderia tirar algumas lições. Um som decente não faz mal a ninguém. Em muitos momentos a voz do Paul sumia e a guitarra do Ace desaparecia. Se melhor organizado (e sem vento), o Jockey suporta um evento desses, mas aguentar tamanha buraqueira na pista foi difícil. Em um terreno irregular, quanto mais perto do palco, menos era visto.

Seria bom escutar um Cd ao vivo dessa tour, para escutar com cuidado e escutra algum efeito de estúdio. Já disse Derek Sherinian, ex-tecladista do Dream Theater, sobre o fato de ter trabalhado no CD Alive III "logo eu aprendi que a pós-produção em um disco ao vivo do KISS é pegar a bateria e o barulho do público e refazer TUDO!... Você lembra do que sentiu quando descobriu quem Papai Noel era?". Se no Alive III, com bons músicos foi assim, imagina agora...

Ainda existem os boatos de que a banda está brigando entre si e que Porto Alegre viu uma versão mais light (e pobre) do show. Durante o show a banda passava uma sensação de que seria essa tour e deu, nada mais. E isso ainda pode ser confirmado. Paul Stanley será "O fantasma da Ópera" no Canadá por 10 semanas. Depois disso farão a estréia do filme Detroit Rock City, alguns shows na Ásia e EUA e deu. Acabou o PsychoCircus.. e pode acabar a banda.

Ainda é o velho rockzinho, básico, simples mas legal. 20 reais foram barbada. Mesmo assim, com um forte gosto de quero mais, valeu a pena. O KISS pode fazer mais, tem tudo para fazer isso. Mas diante do quadro apresentado, ou acaba logo ou arranja máscaras para Bruce Kullick e Eric Singer...

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