Em 16/03/2009 | Iron Maiden: o caos no show do grupo em São Paulo!

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Iron Maiden: o caos no show do grupo em São Paulo!


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No último domingo, 15 de março de 2009, o IRON MAIDEN fez um show histórico para um público recorde entre 63.000 e 100.000 pessoas (os organizadores não se entendem em levantar um número oficial) em São Paulo. A apresentação em si foi excelente, bateu recorde de público em uma apresentação solo da banda e mostrou todo o profissionalismo em mais de 30 anos de carreira.

Porém (e eu odeio que um momento tão bacana entre banda e fãs seja marcado por esse “mas”), se um ponto é unânime para todos que estiveram presentes naquela noite, foi a bagunça na organização do show e a falta de estrutura absurda a qual os fãs foram submetidos e que poderiam ter muito bem resultado em uma tragédia.

Esta matéria não visa analisar o show em si, mas os erros da organização do espetáculo para que os problemas não se repitam e todos possam aproveitar futuros shows sem preocupações externas.

Eu não fui ao KISS no Autódromo de Interlagos em 1999. Na época, a grana era curta, eu só podia escolher entre assistir ao KISS ou ao METALLICA e fiquei com a segunda opção. Mas alguns de meus amigos optaram pelos mascarados e lembro claramente que juraram nunca mais pisar naquele lugar (me refiro apenas aos shows, não às corridas) e após o show do IRON MAIDEN, eu entendi bem o porquê.

Para começar, seguindo os conselhos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e dos Press Releases divulgados (inclusive aqui mesmo pelo Whiplash!), optei pelo transporte público. Porém, não moro nem perto do Autódromo – que fica na Zona Sul extrema da cidade, enquanto resido na Zona Norte – então, por volta das 16 hs (o show estava marcado para começar às 20 hs) fui com meu carro até o estacionamento de um shopping relativamente próximo onde me encontrei com mais alguns amigos e pegamos o trem em direção ao local. Mais ou menos 200 pessoas tiveram a mesma idéia e a idéia de voltar ao shopping após o fechamento do mesmo meia noite, estava descartada se levarmos em conta a pontualidade britânica e os recentes shows do grupo em São Paulo que sempre começaram no horário ou com um pequeno atraso de 10 minutos.

Infelizmente, as notícias que chegavam do autódromo já não eram nada favoráveis. Os portões que seriam abertos às 14 hs para os fãs que madrugaram em frente ao portão para ver seus ídolos de perto só foram efetivamente liberados às 15:30 hs. A situação já mostrava o que estava por vir.

Nossa primeira surpresa desagradável ocorreu quando chegamos a estação da linha de trem da CPTM. Ao contrário do que o nome pode sugerir, a estação Autódromo não é tão próxima assim. Como o portão liberado (sim, só um, mas voltamos a este assunto mais para frente), era do lado oposto do autódromo em relação a estação, a caminhada durou quase meia hora que, se na ida não cansa muito pela empolgação do momento, na volta, após quase 6 horas de pé, se torna um martírio.

Ao sairmos da estação em direção ao autódromo, outra surpresa bastante desagradável: não existiam sinalizações indicando o caminho. Nada! Nem uma mísera placa! Em primeiro lugar, eu não tenho a obrigação de andar com um GPS acoplado ao meu cérebro, em segundo, se a própria organização sugeria e imaginava que os fãs fossem de trem, por que não espalhar simples banners mostrando o caminho?

Em diversos momentos, tivemos de parar para pedir informação. Informação esta que nem sempre chegava da melhor maneira possível (ninguém sabia qual portão seria usado para a entrada do público, muito menos os moradores da região, que nem tinham obrigação mesmo) e fez com que vários grupos de amigos se perdessem ou desencontrassem nas imediações do lugar, o que colaborou com o tumulto ocorrido algumas horas depois, mas já chegamos lá.

Após a caminhada de meia hora, enfim o Autódromo, porém a mesma situação de falta de placas ou informações prevalecia. Enquanto assistíamos a uma fila absurdamente grande, ninguém sabia se a tal fila era para a pista simples, premium ou para as duas. Será que existia outra entrada? Ninguém sabia informar e, aliás, não existiam pessoas para organizar a fila o que, claro, no Brasil resulta em fura-filas, jeitinhos de burlar e coisas do gênero que infelizmente já estamos acostumados a presenciar em eventos deste porte. Ninguém nem sabia se aquela fila ia dar em algum lugar. O mais comum eram respostas do tipo “sei lá, deve ser a fila certa pelo tamanho”. Conclusões precipitadas ou não, a verdade é que quem ficou na fila a partir da metade de seu longo comprimento (fala-se em insanos 2 KM), já demoraria mais de 1 hora para conseguir adentrar o autódromo. Aliás, o tempo médio para a entrada, chegou a ser superior a 2 horas. E isso tudo porque só existia UMA ÚNICA entrada para todas as mais de 60.000 pessoas.

Revoltas a parte, como eu e meus amigos compramos ingresso para a pista premium (porque já prevíamos confusão pelo histórico do KISS em 1999), nossa entrada não teve filas, porém também utilizava o mesmo portão e qual não foi nossa surpresa ao perceber que a fila para a entrada da pista normal (é, aquela maior mesmo), era em vão porque do outro lado, uma outra fila bem menor tinha se formado e esta, sim, estava andando. Ou seja, por total falta de organização de responsabilidade direta dos promotores do show, duas filas se formaram para um mesmo portão e para um mesmo setor, por isso, amigo leitor, se você é um dos azarados que só entrou durante a execução da "Two Minutes To Midnight", já sabe em quem colocar a culpa.

Infelizmente, dentro do autódromo, a situação não era melhor. Um largo corredor, comprido mesmo e estreito (levando-se em conta a quantidade de pessoas), dava acesso a separação entre pista premium e normal, era um mesmo acesso para os dois lugares e logo imaginei a confusão que isso causaria ao final do show, quando todas as dezenas de milhares de pessoas saíssem de uma vez.

Após percorrer o longo (bota longo nisso) caminho que levava da entrada a pista premium, mais surpresas desagradáveis: banheiros imundos e lama, muita lama. Eu nem sabia que tinha chovido na tarde de domingo, pelo menos na Zona Norte da cidade não caiu uma gota de água, mas no autódromo, a situação beirava o caos. Não estou falando de uma terrinha não, mas barro suficiente para atolar a picape mais potente que se tenha notícias. Coisa, de em determinados lugares, afundar o pé até a canela mesmo, sem exageros. Nunca tinha visto nada igual, a não ser naqueles vídeos do Woodstock de 1969, que vale lembrar, aconteceu em uma fazenda e não em um autódromo internacional de corridas, que recebe – entre outros eventos – a Fórmula 1.

A indignação era geral. Será que – mesmo com a lotação esgotada e os preços ridículos de tão altos - os caras não tinham grana para colocar simples tapumes? Como aqueles usados quando se tem eventos em estádios de futebol? Realmente revoltante e a situação se entendia para todo o local, tanto pista premium quando normal.

Aparentemente a chuva não prejudicou apenas o chão do lugar, mas também o equipamento da banda: os telões passaram o show inteiro danificados. Aliás, o tamanho do palco também me decepcionou, achei muito pequeno e mal aproveitado tendo em vista a amplitude do lugar. Imagino que quem ficou mais afastado não conseguiu ver grandes coisas (comprovei esta teoria depois com alguns amigos), especialmente com telões com a imagem “arranhada”.

Fora isso, o pessoal da pista normal deu um “jeitinho” de ver os ídolos mais de perto e começaram a invadir o morro a esquerda do palco, já dentro da divisória da pista premium. As coisas ocorriam em clima de paz, até que alguns seguranças mais exaltados resolveram trazer dois cachorros (um pitbull, o outro não reconheci a raça, mas era dos grandes) para ameaçar os que tentavam vir um pouquinho mais para a direita. Esse não é o jeito de lidar com o público, certo? Ninguém ali estava causando brigas.

Às 20 hs, com o público todo ovacionando e esperando pela banda, o empresário Rod Smallwood e um dos promotores responsáveis pela turnê brasileira sobem ao palco para culpar a chuva por problemas técnicos e atrasos para colocar todos os fãs para dentro do local. Como a fila nas imediações ainda era grande, o show teria seu início atrasado (e na boa, é fácil imaginar o motivo). O problema era que a grande maioria dependia também de transporte público que, em São Paulo, pára de funcionar meia noite. Mais uma vez, era hora de fazer contas para ver o que fazer. Lembrem-se: era domingo e no dia seguinte, muita gente estava no batente a partir das 8 da matina.

O atraso foi maior do que o imaginado (irritou bastante a todos) e apenas 21:10 hs, o vídeo de introdução da banda começou a rolar.

O show em si, fora o empurra-empurra tradicional de quem estava mais na frente ou dos que tentavam se aproximar, transcorreu sem maiores problemas, inclusive com o público atendendo a uma solicitação do Bruce para dar dois passos pra trás e não esmagar quem estava espremido ali na frente, ao contrário da apresentação da banda no Estádio do Pacaembu em 2004 onde o vocalista realmente ficou puto e ameaçou parar a apresentação no meio.

A festa acabou pra lá das 23:15 hs e era hora de encarar a maratona (e problemas previsíveis) da volta. Exatamente como previ lá em cima, o túnel estreito que ligava as pistas premium e normal na saída deu problema e uma caminhada de 10 minutos, acabou levando o triplo do tempo. A quantidade de pessoas passando mal com o calor e o cansaço era imensa e um amigo ainda cantou a bola: “esse lugar não tem saídas de emergência acessíveis. Se por algum motivo, eles precisassem evacuar a área, levariam mais de 1 hora para retirar todos”. Essa observação me assustou e mostra o perigo do que uma falta de planejamento pode causar em troca de um dinheirinho a mais. Por sorte, não tivemos problemas mais sérios além de desmaios e desidratações, mas fica o pensamento.

Na volta à estação do trem, a mesma situação incômoda de falta de sinalização e pior: falta de segurança nas ruas escuras e estreitas das imediações. Não me espantaria saber que pessoas foram assaltadas no caminho. Chegamos a estação por volta das 23:55 hs (quase o nome da música do Maiden) e conseguimos pegar um dos últimos, senão o último trem da estação. Diversas estações já estavam fechadas no caminho e imagino quem não conseguiu pegar esse trem, o que teve de fazer para se virar (dormir na estação, pagar caríssimo por algum táxi ou esperar eternamente por um ônibus bondoso).

Na chegada ao shopping por volta de 00:30, claro, encontramos portas trancadas e por muito pouco, não tivemos que deixar o carro por lá para só retirar Segunda pela manhã, o que – novamente – teria causado enormes transtornos a todos.

No final das contas, se deu bem apenas quem foi de carro – justamente contrariando a CET e a organização do show. Esses não pegaram as filas monstruosas (existia uma entrada bastante estratégica e não divulgada por dentro do estacionamento) e o descaso com a falta de sinalização de quem tentou usar o transporte público.

Para mim, fica a lição: se a banda quer colocar 100.000 pessoas em um show em São Paulo, que o faça em 2 noites no Parque Antarctica como no ano passado onde não tivemos problemas ou em um lugar mais acessível, porque pagar MUITO caro para ser tratado como um verdadeiro animal, não é justo nem com a reputação da banda e muito menos com os fãs. O show valeu por ser o Iron Maiden, mas naquele lugar, sem estrutura e condições alguma de receber um evento deste porte, nunca mais! Estou com os meus amigos que foram ao KISS em 1999...

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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