Esta matéria foi publicada em 10/02/12. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?
Por Greg Rose, traduzido por Nacho Belgrande
Outra fantástica casa de shows, a Talking Heads em Southampton, fechou as portas. Artistas desde o Everything Everything até Rod Da Bank e Camera Obscura subiram naquele palco, mas o público oscilante fez com que o lugar falisse.

Está muito frio agora. Eu saí e meu nariz ainda está dormente. Está escuro quando você sai pra trabalhar. Isso dificulta ir a shows. E pra que ir? Ligue o aquecedor, seu iPod e curta uma música com cobertores e bebidas quentes.
Não, não e não.
Deixar de ir a shows é um vício fácil de adquirir e difícil de largar. Claro, se a sua banda favorita estiver na cidade e você comprou ingressos um mês atrás, você vai sair seja lá como estiver a noite. Mas são os shows de ocasião, aqueles que um amigo te contou faz um tempo e você até quis ir, mas não foi que vão voltar pra te assombrar. Tem ingresso na porta, você ouviu uma música deles na internet, eles podem ser sua nova banda favorita – mas Borgen está no iPlayer, você acha que eles voltarão – se forem bem recebidos – em no máximo três meses.

O faturamento proveniente de música ao vivo caiu em 6,7% no Reino Unido em 2010, de acordo com a PRS For Music. As vendas de ingressos caíram ainda mais, cerca de 11,8%, depois de uma década de crescimento contínuo. Enquanto esperamos pelos números de 2011, não seria de se surpreender se houver uma queda ainda maior nas cifras da música ao vivo.
Isso pode ser encarado como uma tendência ainda mais ampla em tempos de aumento no desemprego entre os jovens e de recessão. O Departamento de Cultura, Mídia e Esportes conduziu uma pesquisa recentemente que mostrou que a porcentagem de adultos indo a eventos artísticos «incluindo tudo desde música ao vivo até exposições» permanece estagnada desde 2005.
Não é sempre fácil enfrentar o desconhecido e ver uma banda obscura. Muito mais agradável ficar em casa e tocar seus discos favoritos.
Ainda assim, se você não se arriscar a assistir a um show potencialmente chato, você jamais verá um surpreendentemente bom. Sim, o Springsteen vai ser brilhante pros fãs de Springsteen no Hyde Park nesse verão – mas se você for um deles, você já sabia disso. Mas e quanto ao First Aid Kit, Daughter, Friends ou qualquer um dos shows que você ponderou ir e acabou passando? E se você não for assistir uma banda no seu pardieiro de costume, como é que ela vai chegar a tocar em Wembley?

Eu fui ver o Howler no Lexington em Londres no começo da semana. Apesar e não estar muito animado com o disco de estréia deles – a última cutucada da Rough Trade nos Strokes – ao vivo eles eram tudo que cinco garotos com guitarras deveriam ser. Ousados, altos, bagunçados e com músicas boas. Sem tê-los visto ao vivo, eu nunca saberia que Jordan Gatesmith é um frontman carismático, que eles nem sempre acertam as notas no escuro, e coisas do tipo.

Ninguém jamais quis ir a cada vez menos shows. Se você adora música ao vivo, desligue sua TV e vá ao bar mais próximo com barulho saindo de dentro dele – antes que você esqueça a alegria de ouvir alguém tocando uma música na sua frente.
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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