Após a morte de KURT COBAIN, cujo suicídio literalmente chocou o mundo em 1994, houveram inúmeras tentativas de autores em escrever uma responsável biografia do artista. Em meio a debates sobre direitos de imagem e outras querelas burocráticas entabuladas com COURTNEY LOVE, as esperanças da publicação de um livro de qualidade que tratasse com honestidade a história de Cobain praticamente se esvairam. No entanto, o crítico musical americano Charles R. Cross surgiu para resgatar tais perspectivas.

Charles R. Cross desempenhou um incrível mister ao captar a dramaticidade da história de Kurt e "desenhá-la" em palavras. Desde a turbulenta infância até os picos de criatividade da adolescência, que acabaram por desencadear a criação de uma das mais viscerais bandas de punk/grunge da história da música, o jornalista demonstra um Cobain que quase ninguém estava acostumado a vislumbrar: um ser excessivamente humano.
KURT COBAIN sempre deteve um gênio inquietante. Sua vocação para arte é evidenciada já no início de sua vida, confirmando-se em sua tenra infância. Kurt, como demonstra Cross, era uma criança surpreendentemente amável e intrinsecamente conectada aos pais. Quando a estrutura familiar dos Cobain começou a ruir, através das intensas discussões de seus pais, Kurt iniciou uma curva descendente e, seja por culpa do destino ou por sua própria culpa, não se preocupou em frear em nenhum momento.
Talvez, uma das causas que nos levam, ao ler o livro, a nos envolver tanto com a história seja sua dramaticidade, que em nenhum momento parece ser exagerada ou forçada. A trajetória do frontman de uma das maiores bandas da história além de rápida, é peremptoriamente triste e negativamente contagiante neste sentido.
Kurt deixou muito cedo o convívio do restante de sua família que, após a separação traumática dos pais, resumia-se à seus avós paternos e uma turbulenta relação com seu genitor. A partir dos 15 anos, Cobain saltou de casa em casa de amigos e parentes, até acabar na rua, dormindo em uma geladeira que havia sido descartada por seu dono. Com uma sacola de roupas e uma guitarra literalmente remendada, Kurt vagava pelas ruas de Abeerden, no Estado de Washington, compondo, envolvendo-se em confusões e, cada vez mais, brincando com as drogas.
Após a mudança para Seattle, Kurt deu início à criação da banda que, em pouco tempo, se tornaria o NIRVANA, ingressando de fato na cena underground da cidade e galgando contatos. Os primeiros shows do NIRVANA se resumiam em pequenas apresentações em lúgubres boates, para 5 ou 10 pessoas que, embriagadas, esperavam sua vez de serem expulsas do local.
Deste cenário dramático até o lançamento de "Bleach" e "Nevermind", a história se desenvolve em um rítmo lacinante e denso, que não cabem nestas singelas linhas. Fato é que, gradativamente, a cada show e a cada êxito alcançado, o desespero de Kurt aumentava, ao invés de atenuar-se. O mesmo acontecia com seu vício em heroína, decorrente das fortes crises estomacais que lhe acometiam desde pequeno. Mais do que um "modismo", a heroína sempre foi para Cobain o único modo de anestesiar suas dores, que jamais foram diagnosticadas pelos médicos que o receberam. Após conhecer Courtney, a trajetória de Kurt acelerou-se ainda mais, como bem demonstra o livro.
Kurt pôs sua vida a termo em 5 de abril de 1994, após ter atingindo o fundo do poço no que diz respeito ao vício e a degradação pessoal que um homem pode alcançar. Com o nascimento de sua filha, Kurt sofria por ter a consciência de que nunca seria um pai ideal, fracasso este cometido pelo seu genitor e que deixou indeléveis marcas em sua personalidade.
É inegável que KURT COBAIN deixou um forte patrimônio musical, representado por letras complexas e sinceras e construções harmônicas que canalizavam seus temores. Desde "Nevermind", que até hoje é considerado um dos maiores discos da história do rock, até "In Utero" (que na opinião humilde deste matuto redator é a masterpiece do NIRVANA) e "Unplugged In New York", o legado de Kurt pode ser sentido e ouvido. Talvez a maior contribuição de "Mais Pesado Que o Céu" resida no fato de que, após seu advento, nós também possamos "ler" tal legado e perceber a falta que este ícone genuinamente humano nos faz.
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