O tecladista Keith Emerson, ex-ELP e The Nice, revolucionou o uso dos teclados no rock, seja por adicionar distorção ao órgão Hammond, seja pelo pioneirismo no uso de sintetizadores, ou ainda pelo seu estilo “agressivo” de quase atacar as teclas (alguns de seus teclados não resistiram, por sinal). Recentemente, lançou um novo (e já aclamado) CD, chamado “Keith Emerson Band featuring Marc Bonilla”, fruto de produtiva parceria com o guitarrista e vocalista Marc Bonilla. Vladimir Milovidov, da revista russa “In Rock”, teve a oportunidade de fazer em colaboração com o Whiplash uma breve entrevista com Emerson logo após sua recente apresentação em Moscou, a qual publicamos a seguir.
Entrevista: Vladimir Milovidov (revista In Rock, Rússia)
Tradução e edição: Rodrigo Werneck
A escolha de Marc Bonilla como guitarrista e vocalista da sua banda foi excelente, sem sombra de dúvidas. O show aqui em Moscou foi impressionante, e mostrou que a banda está muito afiada...
Ah sim, nós certamente adoramos o show. E, como você sabe, ele estava sendo filmado, logo é claro que a banda toda se esmerou em tocar muito bem... Também por ser nosso primeiro show em Moscou. Eu apenas lamento não ter encontrado tempo algum para visitar alguns lugares por aqui. Os outros integrantes da banda foram à Praça Vermelha e a outros locais. Mas eu tenho que ficar por aqui e participar de entrevistas... Mas vamos lá! (risos)

Poderia nos falar um pouco sobre o seu novo álbum, recém-lançado?
Sim, ele foi lançado dia 21 de setembro pela Edel Records. É um disco excitante de colocar no mercado, pois incorpora vários estilos que sempre marcaram a minha carreira. E também inclui vários instrumentos originais que eu usava com o ELP e ainda antes, com o The Nice, ainda nos anos 60. Órgão Hammond, sintetizador Moog, etc. Mas o que fez esse álbum especial foi a qualidade da produção e, suponho, minha capacidade de compor tenha também amadurecido nos últimos anos. Na concepção desse disco, eu intencionalmente comecei com o formato que sempre se mostrou de muito sucesso com o ELP, especificamente o de ter uma peça conceitual de cerca de 30 minutos. E então outras peças menores individuais, algumas até com uma concepção irônica, mais leves, pois a peça longa e conceitual possui todo um clima mais sério. Mas, claro, no meio das peças individuais há como de praxe uma adaptação de uma peça clássica, no caso uma de Alberto Ginastera, que ainda é um dos meus compositores favoritos. Ela se chama “Malambo”. Além disso tudo, há ainda um DVD que acompanha o CD, e que mostra como foi feito o disco novo.
Logo podemos dizer que este é um disco prosseguindo de onde o ELP parou...
Certamente, posso definitivamente afirmar que é um passo adiante em relação ao ELP.

Bem, basicamente eu deixei a questão da escolha dos músicos por conta do Marc. Eu ia inicialmente gravar com os mesmos caras ingleses que participaram da minha última turnê, que eram o Pete Riley na bateria e o Phil Williams no baixo, mas foi bem melhor para nós gravar o disco nos EUA. Eu banquei a gravação toda do meu bolso, e esse esquema foi melhor... Para a turnê em si, tivemos que optar por quem estava disponível.
Não teria sido possível de se dar esse passo adiante em relação ao ELP, mantendo pelo menos o Carl Palmer na jogada?
Eu não creio. Não do mesmo jeito que rolava antes, ao menos. Não funcionaria mais daquele jeito do passado. Hmmm... Veja bem, eu não quero de forma alguma subestimar os talentos do Carl Palmer ou do Greg Lake, que são obviamente ótimos, mas o ELP estava funcionando de uma forma muito diplomática nos últimos tempos. Tudo era votado. Eu simplesmente achei que poderia ser mais criativo com todas as escolhas sendo feitas apenas por mim. Sabe com é... Eu acho que o que eu incluí nesse novo álbum é realmente o que as pessoas querem ouvir. Nesses últimos tempos do ELP, eu fazia demos usando outros músicos, para que o Greg e o Carl pudessem ouvir quais eram as minhas idéias. E normalmente todas essas demos originais eram muito boas. Aí então a gravadora vinha e falava: “Bem, OK, mas vai ficar muito melhor se você gravar com o ELP”. No momento em que eu tentava gravar algumas peças com eles, acabava já não soando a mesma coisa. Tanto o Greg quanto o Carl gostam de incluir as idéias deles, e isso não estava mais funcionando para mim. Eu acho que trabalhar com o Marc Bonilla é simplesmente... Bem, ele sabe exatamente o que eu quero, assim como os outros caras da banda, eles me dão apoio total. E eu gosto de ouvir as sugestões deles também, sabe. Eu os respeito muito, pois são todos altamente talentosos, são todos grandes músicos.
Sim, a impressão que tanto o disco novo quanto o show nos passa é de que se trata de uma banda mesmo, e não apenas você e seu grupo de apoio...
Ah, sim. Eu quero que seja dessa forma, propositalmente. Eu gosto desse esquema de trabalho, pois cria uma camaradagem altamente positiva e produtiva. Eu realmente não tenho o desejo de ser um artista solo, mas, você entende, é a minha banda de qualquer forma. Mesmo assim, eu gosto de ouvir os outros tocando e solando, não tem que ser tudo feito por mim. E eu me divirto mais assim...
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