Fresno: Uma banda de ROCK que merece atenção!
Resenha - Cemitério das Boas Intenções - Fresno
Por Sérgio Fernandes
Postado em 25 de dezembro de 2011
Nota: 9 ![]()
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Pouco mais de um anos após o lançamento do ótimo "Revanche" a banda Fresno volta com o EP "Cemitério das boas intenções", disponível para download gratuito na página oficial do grupo no Facebook, e eu volto com mais uma resenha de um trabalho deles aqui no WHIPLASH1. E, mais uma vez, a banda se supera! Para áqueles que adoram bradar em fóruns de internet que não existem boas bandas de rock nacional ou para os que adoram falar mal do grupo sem, ao menos, se dar ao "trabalho" de pesquisar um pouco mais a banda, esse lançamento é um senhor tapa na cara!
Já para os que tem um mínimo conhecimento acerca do trabalho da Fresno talvez a surpresa não seja tão grande, tendo em vista o alto nível dos últimos lançamentos do grupo (principalmente o já citado "Revanche"). Chama a atenção, no entanto, o formato escohido pela banda para o lançamento desse novo trabalho, já que os EPs não são mais tão comuns.
No passado, quando o mercado músical ainda era comandado pelas grandes gravadoras, era comum uma banda lançar um "Especial Play" como um complemento de um trabalho maior, no caso, de um CD. Geralmente os EPs contém as sobras de estúdio, remixes, regravações e, em muitos casos, covers que tenham alguma ligação com um trabalho anterior ou posterior. É exatamente isso que encontramos em "O cemitério das boas intenções": uma evolução do som mais pesado e trabalhado que a banda apresentou em "Revanche" e uma pista do que pode estar por vir na carreira do grupo.
Gravado no segundo semestre de 2011, esse é o primeiro trabalho independente da banda depois de 2 CDs e um DVD lançados pela Universal. É também o primeiro lançamento da Fresno que não conta com a produção de Rick Bonadio. "Ah! Deve ser por isso que o resenhista diz que o EP tá tão bom, não tem o dedo do Bonadio no meio", pode pensar o caro leitor. Mas é um pensamento injusto, ja que Rick Bonadio teve participação fundamental no "Revanche", que já mostrava essa faceta mais pesada da banda.
"Caramba!". Essa deve ser a primeira coisa que uma pessoa que não conhece a Fresno vai pensar ao ouvir a primeira canção "Crocodilia" (uma versão tupiniquin para o nome da música dos Strokes? Ou uma alusão droga russa que ficou recentemente famosa em nossas terras?). A música chama atenção pelo peso de seus riffs, pela timbragem levemente "vintage" dos instrumentos, pelo vocal um pouco mais gritado de Lucas Silveira, pelo baixo altamente presente de Tavares e a ótima letra. Lembra bastante o que os caras fizeram em seu trabalho de estúdio anterior e mostra a evolução do grupo na composição de músicas mais pesadas. Senti apenas a falta de um solo de guitarra. Aliás, senti falta disso em todas as canções...
"Poxa...!". Com certeza é isso que vai passar pela cabeça daquele desavisado que continua achando que vai ouvir uma daquelas músicas descartáveis que infestam as rádios atualmente. Com certeza "A gente morre sozinho" está entre as melhores composições de toda a carreira do grupo. A canção tem contornos épicos e, até mesmo, teatrais, assim como os caras ja haviam feito em "Milonga" do (CD) "Redenção". Mudanças de andamento, duetos vocais e uma letra maravilhosamente perturbadora dão o tom dessa vez. O entrosamento do grupo chegou ao seu auge! Lucas e Tavares fazem um ótimo trabalho vocal na canção e Bell segura o ritmo com pegada. Merece destaque, também, os riffs que Lucas e vavo destoam durante a música, e o belo entrosamento da dupla de guitarristas.
"Olha só, hein...!". É a reação que terá a pessoa que ouvir "Não vou mais", a última canção inédita do trabalho, esperando alguma música "com calças coloridas". Ótimo arranjo de teclados e outra belíssima letra de Lucas Silveira, que, mais uma vez, esta cantando muito, partindo para um lado mais gritado. Da para perceber, também, que Tavares melhorou sua interpretação "rocker" nos vocais. O refrão da música também chama atenção positivamente assim como o ótimo riff final.
"É, essa até que...". Foi o que eu pensei ao escutar a nova roupagem de "Relato de um homem de bem", música que consta no (CD) "Revanche" e que ganhou nova cara nessa versão mais instrospectiva. Não que tenha ficado ruim, pelo contrário, eles conseguiram dar mais profundidade à música mas, depois de três porradas maravilhosas, fica a vontade de ouvir mais músicas novas!
O saldo de "O cemitério das boas intenções" é muitíssimo positivo. A banda superou o ótimo "Revanche" em apenas 3 músicas e uma versão, o que não era algo fácil de se fazer. Mostrou que tem força, vontade e personalidade, itens fundamentais para uma banda de rock. Sim, mais uma vez insisto: Fresno é uma banda de ROCK que merece atenção!
E termino este texto da mesma forma que terminei a (não intencionalmente) pôlemica resenha do CD "Revanche", também da Fresno: "Deixe de preguiça, e procure conhecer algo que fique fora do lugar comum, que esteja além de sua zona de conforto. Talvez, em uma dessas aventuras, você descubra algo que nunca imaginou vindo de um lugar ainda mais improvável. Eu fiz essa experiência e, posso afirmar que isso não fez de mim 'menos roqueiro' ou um vendido ao lixo comercial e todo esse blá blá blá que adoram falar ao referirem-se às novas bandas nacionais ou não. Apenas me fez conhecer novas coisas. Mas, essa é a graça e o grande tesão na música: tem de todos os jeitos, de várias idades e para todos os gostos. Gostar ou não é apenas um detalhe..."
Pronto, agora podem me massacrar nos comentários ...
"Cemitério das boas intenções" - EP
1 - Crocodilia
2 - A gente morre sozinho
3 - Não vou mais
4 - Relato de um homem de bom coração (Acústica)
Fresno é formada por:
Lucas Silveira
Rodrigo tavares
Vavo Mantovani
Bell Ruschell
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