Blind Guardian

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Por Peter Duarte

Por Peter Duarte ([email protected])

A seguir Hansi Kürsch nos narra a formação do Blind Guardian:

Foi em 1984 quando André e eu nos encontramos pela primeira vez em um comercial do colégio em Krefeld/Alemanha. Nós notamos rapidamente que compartilhávamos dos mesmos interesses, como por exemplo, a nossa paixão pelo Heavy Metal e que nós – ao menos em uma maneira que não é espetacular - tocamos em nossas bandas: Eu tocava rhythmn-guitar em minha banda chamada EXECUTOR e André habituado a tocar guitarra na sua. No entanto, a banda de André – nomeada EUROPEAN – agia mais profissionalmente do que a minha, e é por causa disso que você poderia chamá-los da primeira pré-versão do Blind Guardian. Depois de um tempo eles mudaram o nome de EUROPEAN para ZERO FAULT. Durante aquele tempo André não estava satisfeito com o frontman de sua banda, porque este cara não estava capacitado de realizar o primeiro vocal, ou em outras palavras: ele não gostou realmente as sua forma de cantar. Durante uma estadia de férias com a classe inteira da escola André aprendeu estimar o meu talento, que tinha visto em meus incríveis gritos e berros. Devido ao fato de que meu sonho e ambição sempre foram me tornar um músico profissional o mais rápido possível, eu não hesitei e finalmente entrei para o ZERO FAULT. Nós convencemos os outros dois caras da banda – devido ao novo line-up – que seria melhor mudar o nome da banda novamente. Nós chegamos a conclusão que o novo nome deveria ser LUCIFER’S HERITAGE. Neste meio tempo adquiri o conhecimento com um aluno de André: Thomen. Infelizmente ele era somente notável para sua falta de talento. Então um dia por coincidência aconteceu e isso foi totalmente inesperado para todos nós: Subitamente Thomen sentou atrás da bateria no porão de ensaios da casa do André e tocou alguns ritmos realmente bons! Nós pensamos que ele acertava potes desde a infância mas nunca mencionou isso. Depois daquela inacreditável sessão, foi sugestão do André Thomen aprender a tocar bateria no lugar de guitarra, e Thomen seguiu seu conselho, mas ele o fez em outra banda. Todavia, o contato com André, que era para Thomen algo como um padrinho, nunca acabou: Enquanto André gastava um tempo com sua namorada, Thomen esperava por ele na porta de sua casa e toda vez quando eu encontrava André para os ensaios eu via aquele cigarro pagado no chão, e era certeza: Sim, Thomen já estava lá... Que adorável.

Certo dia André contou a Thomen que sua banda tinha um novo frontman que soava similar a Paul Di’Anno. Thomen como grande fã de Di’Anno ficou impressionado e curioso. De alguma forma depois nós perdemos nosso baterista e então Thomen foi nossa primeira escolha para reposição. Com essa formação nós gravamos nossa primeira demo, nomeada “Synphonies Of Doom”. Para esse projeto todos concordaram em guardar 400 DM (moeda alemã da época) – o que era muito dinheiro nos jovens anos oitenta – então nós coletamos dinheiro, colocamos em um pote e então nós poderíamos financiar a gravações por nós mesmos... Se Thomen não tivesse gasto o dinheiro antes da data do estúdio. Agora nós estávamos com os bolsos vazios novamente e tínhamos um grande problema para conseguir novamente os 1.6000 DM para o pagamento. Thomen não era capaz de perguntar a seu pai se poderia lhe fazer um empréstimo devido ao seu pai odiar nossa banda. A razão para esse ódio é que o pai dele pensava que iríamos impedir seu filho de se tornar um telhador, mas Thomen nunca cogitou em abandonar a firma da sua família um dia. Por causa dessas razões ele não podia dar o dinheiro e hoje eu sou capaz de entender sua percepção... Thomen não poderia aplicar o dinheiro, assim ele teve que deixar a banda novamente.

Alguns dias depois nosso crise financeira se tornou mais e mais relaxada: A avó de André foi capaz de nos dar algum dinheiro – e eu consegui um emprego temporário para receber um dinheiro extra – como nós tínhamos o dinheiro que precisávamos, foi decisão da banda convidar Thomen de volta ao nosso grupo. Então nós gravamos nossa demo e as críticas foram muito positivas. Bem, das cinco faixas que gravamos não havia uma música que poderia ser profetizada para se tornar uma de nossas favoritas anos depois. Apenas um número com o título “Helloween” era bom o bastante – com um diferente arranjo e título (“Wizards Crown”) – para encontrar lugar no nosso álbum “Battalions Of Fear”. Depois daquela sessão Thomen deixou a banda novamente – nós não podemos dizer por que hoje... Por razões desconhecidas – e ele foi substituído pelo nosso primeiro baterista, Hans-Peter Frey.

Então no meio de 1986 um tempo realmente criativo começou enquanto que gravávamos nossa segunda demo – influenciada pelo Melodic/Speed/Power-Metal – “Battalions of Fear”. Com “Majesty” – que se tornou depois a abertura do nosso debut – nós manufaturamos a primeira referência aos trabalhos de J.R.R. Tolkien. Nós também tomamos a decisão que nosso segundo guitarrisa Markus Dörk não era mais útil para a banda e procuramos alguém para substituí-lo. Seu substituto, Christof Theissen, soou muito thrash, então sua posisão como membro não durou muito tempo. Repentinamente nós reparamos que meus vocais não eram bons o bastante. Tivemos a idéia de chamar um vocalista para a banda. Muitos caras estranhos bateram na nossa porta e depois disso nós todos ficamos muito convencidos que minha voz seria a melhor se comparada com aqueles candidatos. Desde então minha posição de vocalista nunca mais foi questionada.

Um segundo problema foi encontrar um novo local de ensaio. Daí Marcus e sua banda REEDEMER entraram no jogo: Ele tinha tudo o que precisávamos: Um local de ensaio, ele era um cara legal também e a harmonia foi fantástica desde o começo. Nesse tempo Marcus estava com problemas para encontrar um vocalista, então ele hesitou muito, terminou com sua própria banda e se juntou ao Lucifer’s Heritage. Adivinhe quem era o baterista do REEDEMER naquela época? Certo, Thomen.

André abriu amplamente as portas para seu velho amigo, que entrou no nosso bote novamente. O que era muito bom e importante, pois o editor-chefe da revista Metal Hammer fundou um novo selo nomeado “No Remorse” e nos ofereceu um contrato diretamente. Nosso problema era que nosso baterista Hans-Peter Frey tinha saído e nós precisávamos de um novo...

O resto é história: Com esta formação nós gravamos nosso debut álbum, “Battalions Of Fear”, mas mudamos o nome da banda durante a gravação porque percebemos que todos que compravam nossas demos nas lojas encontravam na sessão de black metal, o que não era nosso objetivo. A razão para isso era o nosso nome “Lucifer’s Heritage” que não condizia como nosso estilo de música.

Então nós entramos em nosso estúdio e fizemos uma lista com nossos nomes favoritos para sugestão. Por alguns dias nós nomeamos como – devido a uma música do Metallica – Battery, mas nossos amigos mencionarma que não era uma boa idéia. Nós pegamos uma outra sugestão Raging Waters – devido a famosa música do Testament – mas nós escolhemos a minha sugestão...”

Blind Guardian

O primeiro contrato de gravação foi assinado com a No Remorse Records, um selo pequeno e independente. Com apenas duas semanas para a gravação a banda fez o seu melhor, e o resultado foi muito positivo, nomeado “Battalions Of Fear”, esse álbum tornou-se famoso no underground alemão. Foram feitos oito shows para esta primeira turnê, e excursionaram ao lado da banda Grinder, que também havia lançado o seu debut em 88. Os shows tiveram em média 200 pessoas, e a partir daí o público só aumentaria.

A Gravação do próximo álbum foi um grande passo, uma evolução. Dessa vez teriam uma semana a mais para a gravação e ainda contaram com a participação do ilustre Kai Hansen, que havia se interessado muito pelo trabalho da banda. O resultado foi “Follow The Blind”, mais pesado que seu antecessor, sob forte muita influência da banda de thrash metal Testatament. Não foi feita turnê para este álbum, pois André e Marcus estavam fazendo o Serviço Militar, contudo conseguiram fazer algumas apresentações no fim de semana. A média de público aumentará, já era de 300 pessoas em média.

Tem início os anos noventa, e a banda entra novamente em estúdio com o produtor Kalle Trap (mesmo dos álbuns anteriores). Kai Hansen novamente participa do álbum, fazendo duetos memoráveis com Hansi. A capa foi feita por Andreas Marschall, e ficou tão boa que todas as seguintes foram feitas por ele. Então “Tales From The Twilight World” é lançado, e a crítica foi ótima, dessa vez foram feitas três semanas de turnê, na qual a banda tocou pela primeira vez fora de seu país, na Áustria e Hungria. A banda que os acompanhou dessa vez foi o Iced Earth, e como fruto nasceria uma forte amizade entre as bandas.

O último álbum apontou o que seria o estilo próprio da banda, mas foi o álbum seguinte que confirmou e solidificou o mesmo. Estilo que seria copiado por muitas bandas anos depois.

O selo “No Remorse Records” estava falindo e a distribuição dos cds já era feita pela Virgin. Então decidiram mudar de gravadora, assinando com a Virgin, que na época foi a que deu a melhor oferta. Então iniciaram as gravações do novo álbum: “Somewhere Far Beyond”. A participação de Kai Hansen novamente se fez presente, e foi fantástica como sempre. O resultado é um álbum clássico e divisor de águas para a banda. Está presente nesse álbum o maior clássico da banda: “The Bard’s Song (In The Forest)”. Vele ressaltar o sucesso que alcançaram no Japão principalmente após o último lançamento. Dessa forma foram pela primeira vez para fora do continente europeu, realizando dois shows em Tokyo. Esses shows tiveram o maior público da banda até então, mais de quatro mil pessoas. Por isso, foi decidido que ocorreria a gravação do primeiro álbum ao vivo, e foi intitulado “Tokyo Tales”.

Esse foi o último álbum com o produtor Kalle Trapp, que seria trocado por Flemming Rasmussen, pois já não oferecia um trabalho interessante à banda.

Dois anos depois são lançados dois singles, “Bright Eyes” e “A Past And Future Secret”, anunciando um dos álbuns mais aclamados da banda: “Imagiantions From The Other Side”. Se em “Somewhere Far Beyond” o som já era bem particular, com este lançamento os quatro de Krefeld podiam dizer em plenos pulmões que tinham um estilo próprio, e é o melhor desse estilo que apreciamos nas nove músicas desse álbum. Uma prova disso é que geralmente tocam oito músicas dele nos shows, e isso ocorre até os dias de hoje. A turnê envolveu todos os países europeus e muitos foram repetidos, um prova do reconhecimento total do trabalho desses bardos, que tiveram em média três mil pessoas por show. Um fato curioso: Na volta de um show adicional que fizeram no Japão, foram para a Tailândia, onde apenas duas bandas de rock tocaram anteriormente (Metallica e Bom Jovi), logo depois de saírem do avião um comitê de recepção colocou colares em seus pescoços e durante o trajeto do aeroporto até a cidade foram escoltados pela polícia. André Olbrich conta que o ônibus tinha um equipamento de som que os permitiu tocar suas músicas pela rua; sentiram-se como deuses.

Durante os anos seguintes foram feitos vários singles com covers inusitadas e versões alternativas para as músicas dos álbuns anteriores. O ápice deu-se com o lançamento do “The Forgotten Tales”, que trás as covers antes feitas e versões variadas de outras músicas da banda.

Para o próximo álbum uma grande surpresa: Hansi decidiu deixar o baixo e dedicar-se apenas aos vocais. Para substituí-lo foi recrutado Oliver Holzworth (das bandas Sieges Even e Val Paraíso). A posição de baixista ainda continua em aberto, pois Hansi planeja voltar a ela um dia, assim Oliver é considerado um músico convidado apenas.

Em 1998 foi lançado o single “Mirror Mirror”. Ele anunciava o que viria a ser o mais famoso álbum do Blind Guardian. Poucos meses depois o aclamado álbum “Nightfall in Middle-Earth” foi lançado, sendo inteiramente baseado no livro “The Silmarillion” do escritor inglês J. R. R. Tolkien. A Parte musical é extremamente trabalhada, mostrando uma evolução surpreendente desde os últimos lançamentos. E nesta turnê a banda finalmente preencheu as lacunas que ainda restavam no globo: A América. E foi durante essa turnê que passaram pela primeira vez pelo Brasil, sendo muito bem recebidos e ficando impressionados com a empolgação dos fãs.

Participar de grandes festivais tornou-se comum à banda, alguns exemplos são o Wacken, Metal Gods, Metalfest, Bang You Head, entre outros...

Três anos depois surge o single que anteciparia o direcionamento músical tomado pela banda: “And Then There Was Silence”. Esse direcionamento é marcado pela complexidade das canções e pela riqueza detalhes, que flertam com o metal progressivo. Um ano depois, em 2002, o tão esperado álbum foi lançado, com o nome de "A Night At The Opera". Dessa vez o tema da maioria das músicas seria a Guerra no Oriente Médio e a lenda da Guerra de Tróia. Mais clássicos vieram com este álbum: "Punishment Divine", "The Soulforged", "Under The Ice" e a bela, e muito complexa, "And Then There Was Silence", com seus 14 minutos. Nesta turnê foram conseguidos resultados satisfatórios nos Estados Unidos e no Reino Unido, lugares onde bandas de metal alemão geralmente não fazem sucesso. A Média de público nesses locais foi de três mil pessoas.

Um Single foi lançado para a música “The Bard´s Song (In The Forest)”, que ganhou uma nova versão; o single ainda contem três registros ao vivo da mesma e um clip de estúdio.

No mesmo ano da turnê é lançado um novo álbum ao vivo, intitulado “Live”, dessa vez duplo, e com gravações do mundo todo. O sucesso deste foi gigante, provando o quanto a banda é boa sobre o palco.

Neste mesmo ano ocorreu um festival idealizado pela banda (Blind Guardian Open Air), e tal evento foi escolhido como palco para a gravação de um DVD duplo (o primeiro da banda), que foi intitulado “Imaginations Through The Looking Glass”, lançado na metade de 2004.

O Ano de 2005 começa com grandes novidades, pois Hansi anunciou no website oficial da banda que esse ano será lançado um novo álbum de estúdio e também um álbum de músicas orquestradas, um projeto seu com André.

Let’s sing the bard’s song!

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