Roland Grapow (Santo Rock Bar, Santo André, 02/02/2024)
Por Guilherme Dias
Postado em 03 de março de 2024
O guitarrista Roland Grapow (Masterplan, ex-Helloween) retornou ao Brasil para três shows em São Paulo. Eles ocorreram na capital paulista e nas cidades de Santo André e Limeira. Acompanhado de músicos da cena local, apresentou clássicos e músicas esquecidas pelo Helloween ao vivo.
O músico já havia excursionado pelo Brasil anteriormente. Entre 1996 e 2001, com o Helloween; em 2003 e 2015, com o Masterplan; em 1999, divulgando o Kaleidoscope (seu segundo disco solo), e, em 2007, participando de shows do Tribuzy. Em 2020, visitou o Brasil no mesmo formato e com os mesmos músicos: João Luiz (vocal) do Golpe de Estado, Affonso Junior (guitarra) do Revenge e trabalhos solo, Fabio Carito (baixo) e Marcus Dotta (bateria), ambos músicos que se juntaram ao Metalium recentemente, além de já terem trabalhado com Warrel Dane.
A abertura no Santo Rock Bar foi realizada pela Heaven & Hell, um tributo a Ronnie James Dio. Com um belo cenário montado, os músicos Marcelo Saracino (vocal), Johnny Moraes (guitarra), Ricardo Flausino (baixo) e Marcus Dotta (bateria) entraram no palco para apresentar músicas de todo o legado deixado por um dos maiores vocalistas do mundo. A primeira foi "Neon Knights" (Black Sabbath), seguida de "We Rock" e "Stand Up and Shout". Da carreira solo de Dio ainda foram apresentadas: "Egypt", "Rainbow in the Dark", "The Last in Line", "Holy Diver" e "Sacred Heart" (com direito a uma performance com uma espada nas mãos, realizada por Marcelo). De outros trabalhos, o repertório foi completado por "Kill the King", "Long Live Rock and Roll", "Man on the Silver Mountain" e "Stargazer" do Rainbow. O final teve uma versão de "Dream On", em que Dio gravou em homenagem ao Aerosmith e "Heaven and Hell", com ótima participação do público que cantou muito alto o maior clássico de Dio com o Black Sabbath.

Por volta da meia-noite foi a vez de Roland Grapow apresentar canções do Masterplan e dos seus tempos de guitarrista do Helloween. Com a intro do disco "The Dark Ride", "Beyond the Portal", os músicos entraram em cena para apresentar "Mr. Torture". Após ela, muitos aplausos e a menção de Grapow à autoria de Uli Kusch à canção anterior, informando que convidou o também ex-Helloween para a turnê, recebendo como resposta um "não poderei ir" e acrescentando "quem sabe da próxima vez". Grapow ainda relembrou a sua passagem anterior, em 2020, um pouco antes da pandemia mundial da Covid-19. O set seguiu com "Spirit Never Die" do debut do Masterplan e "The Chance", uma das obras primas de Roland Grapow, presente no disco "Pink Bubbles Go Ape", lançado em 1991 pelo Helloween.

João conversou um pouco com a plateia e perguntou quem gostava do disco "The Time of the Oath", e a inesperada "A Million to One" foi introduzida, canção que nunca havia sido tocada por Roland ou mesmo pelo próprio Helloween. Um dos momentos mais esperados foi "The Time of the Oath", clássica do disco lançado em 1996 e muito valorizada pelos fãs do Helloween. O belo solo foi muito bem conduzido por Roland e Affonso. "Agora, uma canção lado b. Quem aí conhece o disco ‘Better Than Raw’?", perguntou João antes de anunciar "A Handful of Pain". Uma pequena pausa para Roland afinar a sua guitarra e os primeiros acordes de "The Departed (Sun is Going Down)" animaram os fãs do disco "The Dark Ride", lançado em 2000.

Para as canções seguintes, João convidou Ricardo Peres para cantar "Push" ("Better Than Raw") e "Mankind" ("Pink Bubbles Go Ape"), músicas muito apreciadas pelo público, que respondeu de forma muito satisfatória. Elas não eram apresentadas ao vivo há muito tempo e vale ressaltar a dificuldade técnica de ambas, principalmente "Mankind", que inclusive foi interrompida por Roland logo no início e reiniciada na sequência. Nos shows seguintes, quem participou dessas canções foi o cantor Leandro Caçoilo (Viper). João voltou para cantar "The Dark Ride", uma das favoritas do público presente, com direito a todos em coro final junto com o vocalista. A segunda participação da noite foi de Victor Emeka (Hibria), responsável por cantar "Eagle Fly Free" e "I Want Out" do disco "Keeper of the Seven Keys part II". Grapow não gravou nenhum dos Keepers pelo Helloween, mas participou da parte final da turnê de divulgação do "Keeper II" e tocou as duas durante todo o seu tempo de banda e, inclusive, contou que as primeiras músicas ensaiadas e tocadas junto com o Helloween foram "Future World", "A Tale That Wasn’t Right" e "I Want Out".

Grapow foi ao microfone mais uma vez para avisar que a próxima ele havia composto para Michael Kiske, porém com o Masterplan. Ele estava se referindo a "Heroes", que possui os vocais de Kiske e Jorn Lande. A última no repertório foi a pesada "Crawling From Hell", também do Masterplan. O Santo Rock Bar recebeu um bom público e entregou uma ótima qualidade sonora e conforto no ambiente. No palco, houve um pouco de dificuldade em algumas músicas, principalmente pelo pouco tempo de ensaio relatado por Roland durante a apresentação. Affonso, Dotta e Carito mostraram domínio e intimidade com as músicas durante o show, o bom vocalista João decepcionou apenas por errar e esquecer as letras de algumas músicas, mas o esforço geral para que tudo acontecesse foi notório, visto que as datas foram anunciadas em menos de um mês antes das apresentações. Grapow foi muito bem recebido, teve todos os ingressos vendidos no show da capital e atendeu todos os fãs após os shows, tirou fotos, assinou autógrafos e conversou bastante, demonstrando muito talento no palco e muito carisma fora dele. Prometeu retornar para mais shows em um futuro próximo.
Heaven and Hell



Roland Grapow





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