Lucifer: pela primeira vez no Brasil, trazendo o culto ao inominável
Resenha - Lucifer (Fabrique Club, São Paulo, 03/12/2022)
Por Diego Camara
Postado em 07 de dezembro de 2022
Toda vez que uma banda nova vem ao Brasil, especialmente um artista que foi criado há não muito tempo, há sempre aquela dúvida de como o artista irá se sair em termos de público: se a banda já conseguiu angariar uma base de fãs no país e se a apresentação poderá abrir espaço para as próximas turnês mundiais da banda. A pressão com a Lucifer, banda alemã-sueca comandada por Johanna Sadonis, também não foi pequena. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.
Em um dia de muita chuva na cidade de São Paulo, o público começou a chegar de maneira bastante calma a Fabrique Club. Durante a abertura, da banda paulista Grindhouse Hotel, o público era ainda bastante baixo, o que levava a crer que seria um dia de vacas magras para o show da Lucifer.

Felizmente tudo mudou logo quando se iniciou a introdução com "The Funeral Pyre". O público lotava a Fabrique Club até sua tampa, e os fãs gritaram de maneira insana quando Sadonis e companhia subiram ao palco da casa para apresentar "Ghosts". O som da casa estava ótimo, perfeito e limpo, trazendo todas as nuances do estilo cru e oitentista da Lucifer.

O público demonstrou grande paixão, cantando com vontade "Midnight Phantom". O excelente solo de guitarra construiu bem o conjunto da música, deixando o humor do público lá no alto. A banda parecia também bastante contente com a apresentação, e Johanna agradeceu ao público a presença massiva no espetáculo.

A Lucifer é sem dúvidas uma banda que retoma temas antigos com uma roupagem nova e moderna. O estilo do rock ocultista dos anos 70 e 80 encontra o heavy metal em uma fusão extremamente bem sucedida. Isso fica bem demonstrado em músicas como "Wild Hearses", com uma pegada vintage das guitarras e um estilo arrastado que é puxado pelos vocais. O público gritou bastante pela banda, o que os deixou bastante animados.

O novo álbum, "Lucifer IV", foi o grande carro chefe do show e também do apelo do público. "Archangel of Death", música pressionada na rapidez e na força das guitarras, encantou o público, e "Mausoleum" trouxe a vertente sombria e arrastada do estilo da banda, que fez o público cantar junto com muito prazer.

Fechando o show, a banda veio com alguns sucessos dos seus álbuns mais antigos. "Bring me His Head", um dos grandes destaques do show, foi muito bem puxada pelas guitarras da banda, fazendo o público bater cabeça. "Dreamer" veio logo em seguida, cantando junto com Sadonis durante todo o tempo e com grande presença dos celulares e das filmagens dos fãs, dividindo este momento emocionante com seus amigos e parentes.

A apresentação incrível já chegava ao final, para a tristeza do público presente, quando a banda voltou ao palco para tocar "California Son". O show, bastante curto com em torno de 1h10m de espetáculo – havia um limite para a entrega da casa até as 21h30m – deixou o público dividido quanto sua duração: poderia caber mais, e dada a grande capacidade e qualidade da banda, valeria muito a pena.

A produção da Fabrique Club e da Xaninho Discos, responsável por trazer a banda ao Brasil, foi incomparável. Foram poucas as vezes que se viu um show com tanta qualidade na casa, especialmente com respeito ao som e a qualidade dos instrumentos.

Setlist:
Ghosts
Midnight Phantom
Wild Hearses
Crucifix (I Burn for You)
Leather Demon
Coffin Fever
Archangel of Death
Mausoleum
Bring Me His Head
Dreamer
Cemetery Eyes
Bis:
California Son
Reaper on Your Heels















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