Nervosa: A banda honra o nome quando está no palco
Resenha - Nervosa (Bar Opinião, Porto Alegre, 11/12/2019)
Por Homero Pivotto Jr.
Postado em 15 de dezembro de 2019
Fotos: Liny Oliveira
www.facebook.com/photoslinyoliveira
A banda de thrash metal paulistana Nervosa honra o nome quando está no palco: é potente, agitada e objetiva na pancada sonora. Foi o que se comprovou na estreia do power trio em Porto Alegre, quarta-feira (11/12), no Opinião. Fernanda Lira (baixo e voz), Prika Amaral (guitarra) e Luana Dametto (bateria) protagonizaram um show inquieto, intenso e muito bem executado para cerca de 400 pessoas, segundo a produção. Além de terem uma reputação de respeito dentro do underground, construída desde 2010, elas seguem mexendo com os ânimos após uma merecidamente elogiada participação no Rock In Rio deste ano.

A Nervosa é um dos grandes nomes do metal nacional e sabe muito bem como fazer uma apresentação com peso e carisma. Não é para menos, já que as meninas têm experiência de sobra em se tratando de performances ao vivo. Já rodaram o mundo e são presença frequente em festivais pela Europa. Inclusive, estão confirmadas como uma das atrações do concorrido Wacken Open Air, em 2020. Mais que justo!

A gig na capital gaúcha começou tensa para a Nervosa: o som do equipamento de guitarra teve problemas. Ajustes realizados, a intensidade musical ganhou força, e a terceira faixa do set reforçou que o espaço não era para preconceitos: ‘Intolerance Means War’.

Fernanda "Ira" é, e foi, sinônimo de vocal raivoso. Como se percebeu em ‘Kill the Silence’ e ‘Rise Your Fist’. Fazer som pesado não é só arte, é política também. Ainda mais em tempos de desmanche cultural e declarações objetivando denegrir a imagem do rock. E a Nervosa assumiu isso ao solicitar uma bandeira com o rosto da ex-vereadora carioca Marielle Franco — assassinada em março de 2018 — com alguém da plateia, para cobrir a caixa de som do baixo.

Dá-lhe ‘Masked Betrayer’! Teve ainda ‘Death!’ e o petardo ‘Nerver Forget, Never Repeat’, além de Luana fazendo parecer fácil esmurrar o kit percussivo em ‘Into Moshpit’. Aliás, a baterista cria do Rio Grande do Sul (nasceu em Tapejara, região noroeste do estado) foi saudada com entusiasmo algumas vezes pelo público. E atestou que simpatia e agressividade sonora podem conviver em harmonia. Isso porque, em mais de uma ocasião, sorria enquanto castigava nos blast beats. Prika, durante todo o repertório, foi cirúrgica. Mesmo quando socalejava a cabeleira executando riffs.

A Nervosa, certamente, dá nos nervos de quem ainda não percebeu a importância de uma banda feminina independente conquistar reconhecimento.


























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