The Exploited: noite punk casca grossa em São Paulo
Resenha - The Exploited (São Paulo, Fabrique Club, 15/06/2019)
Por Jorge A. Silva Junior
Postado em 18 de junho de 2019
Mesmo que você não conheça nada da discografia ou saiba identificar no máximo duas músicas, é bem provável que consiga visualizar facilmente a imagem do vocalista Wattie Buchan e da inconfundível logomarca do EXPLOITED, grupo escocês da "segunda onda do punk britânico" que foi um dos responsáveis por deixar o estilo mais agressivo tanto na parte sonora quanto visual – coloque-os lado de G.B.H., DISCHARGE e VARUKERS nessa guinada hardcore do início dos anos 80.
O que pode justificar a importância histórica da banda foi o show em São Paulo, no Fabrique Club, ter ocorrido com casa cheia mesmo que o EXPLOITED não lance um álbum de inéditas há 16 anos – o último foi 'Fuck The System' (2003). Outro fator que também pode ter contribuído para maior presença de público é o recente estado de saúde de Wattie, que sofreu dois ataques cardíacos em 2014 e 2017 – o primeiro no palco durante concerto em Portugal – e teve uma recaída no ano passado, levando a banda a reagendar datas da turnê que incluía o Brasil.
Felizmente as coisas melhoraram e, às 20h30, o vocalista surgiu aparentemente bem ao lado do irmão Wullie Buchan (bateria) e de Irish Rob (baixo) e Matt McGuire (guitarra) para dar início a uma apresentação verdadeiramente casca grossa, direta e sem enrolação. Abrindo o set com o pé na porta de "Let's Start a War (Said Maggie One Day)", faixa do disco homônimo de 1983 que criticava a então primeira-ministra britânica Margaret Tatcher, a pancadaria sonora seguiu comendo solta em meio a boas rodas de pogo durante "Fightback" e "Dogs Of War", que saiu em single no ano de 1981.
No centro das atenções como sempre, Wattie Buchan, apesar dos quase 62 anos, continua com sua figura icônica intacta que se alia perfeitamente ao vocal feroz, semblante intimidador e energia até certo ponto surpreendente. De poucas palavras (algumas impossíveis de entender), mas com atitude contagiante, ele e sua banda foram capazes de provar ao vivo que, mesmo após 38 anos do lançamento de seu álbum de estreia, o punk não está morto.
E isto foi notado com mais precisão em músicas consideradas clássicas do estilo, como "UK 82", "Dead Cities" e "Cop Cars", além do cover "Troops Of Tomorrow" (THE VIBRATORS) e "I Believe In Anarchy", que deu notoriedade ao EXPLOITED por estar presente na famosa coletânea 'Oi! The Album', idealizada pelo jornalista Garry Bushell e lançada pela EMI Records em 1980.
Como de costume em shows do grupo, logo após uma breve pausa para retornar com o bis, o público foi convidado a subir ao palco para cantar "Sex & Violence" enquanto Wattie recuperava o fôlego. Na volta do vocalista, a sequência com o hino "Punk's Not Dead" e "Was It Me" encerrou uma apresentação acima de qualquer suspeita, onde ficou claro que o EXPLOITED faz por merecer estar entre os maiores nomes do punk/hardcore de todos os tempos.
AÇÃO DIRETA
Velhos conhecidos da cena underground do ABC Paulista, o AÇÃO DIRETA foi uma escolha mais que propícia para abrir a noite. Surgido na cidade de São Bernardo do Campo em 1987, o grupo formado Gepeto (vocal), Denis (guitarra), Galo (baixo) e Marcão (bateria) tocou um repertório de 40 minutos que passou por todas as fases da carreira – do punk/hardcore ao crossover – com destaque para as faixas "Dias de Luta", "Conspiração" e "Fatalidade", além da nova "Na Cruz da Exclusão" e do cover "Caçador da Noite" do DORSAL ATLÂNTICA.
Set List – THE EXPLOITED
São Paulo (Fabrique Club, 15/06/19)
Wattie Buchan – vocal
Wullie Buchan – bateria
Irish Rob – baixo
Matt McGuire – guitarra
01. Let's Start a War (Said Maggie One Day)
02. Fightback
03. Dogs of War
04. The Massacre
05. UK 82
06. Chaos Is My Life
07. Dead Cities
08. Alternative
09. Rival Leaders
10. Troops of Tomorrow (THE VIBRATORS cover)
11. Noize Annoys
12. Never Sell Out
13. I Believe in Anarchy
14. Holiday in the Sun
15. Beat the Bastards
16. Cop Cars
17. Porno Slut
18. Fuck the System
19. Army Life
20. Disorder
21. Fuck The U.S.A.
Bis:
22. Sex & Violence
23. Punk’s Not Dead
24. Was It Me
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