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Viper: uma resenha do show no Carioca Club, SP, em 2015

Resenha - Viper (Carioca Club, São Paulo, 06/12/2015)

Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Postado em 14 de junho de 2019

Ainda estamos nos recuperando do baque. Na verdade, o metal brasileiro vai continuar sendo pesado e criativo, mas jamais vai deixar de sentir a perda de um de seus maiores nomes ANDRE MATOS. Recuperamos o texto da resenha do show do Viper, publicada originalmente na Metal Militia, para celebrar mais um de tantos shows que cobrimos com Andre no VIPER, no SHAMAN ou em carreira solo. E dia 12 de julho teríamos a chance de ver mais um de seus shows. Este redator, infelizmente, nunca teve a chance de vê-lo no ANGRA. Confira estas resenhas e galerias de fotos nos links abaixo:

Resenha - Shaman (Armazém, Fortaleza, 16/11/2018)

Resenha - Abril Pro Rock (Classic Hall, Recife, 30/04/2016)

Resenha - Ponto CE (Praça Verde, Fortaleza, 22/04/2016)

Resenha - Viper (Garota de Ipanema, Fortaleza, 22/09/2012)

Galeria - Andre Matos (Complexo Armazem, Fortaleza, 26/10/2013)

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Era uma tarde chuvosa típica da capital paulista no domingo 06 de dezembro quando fomos ao Carioca Club ver mais um show do VIPER. A banda, formada na adolescência da maioria de seus integrantes, embora não seja a primeira, é um dos pilares do Heavy Metal nacional. E aquele show seria especial, seria o lançamento do tão aguardado DVD "To Live Again", gravado na mesma São Paulo durante a turnê de reunião do quinteto, uma das melhores coisas que aconteceu na música brasileira no ano de 2012 (sim, ainda acontecem coisas boas na música brasileira).

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HOLLOWMIND

A abertura do show ficou por conta da também paulista HOLLOW MIND. A banda, originalmente um trio formado por Roberto Gutierrez (baixo e vocal), Alexandre Silveira (guitarra) e Felipe Gomes (bateria), contava naquela tarde com um integrante extra, o guitarrista Cadú Averbach, da WIZARDS. Possivelmente por ser dia da última rodada do Brasileirão, o Carioca ainda estava bem vazio, pois, coincidentemente ou não, o público só começou a tomar completamente o espaço (ainda que não em sua lotação plena) algum tempo depois que as últimas partidas foram encerradas. A banda de progmetal tocou algumas de suas próprias composições, como "Nonsense of Belonging" (que abriu o show e faz parte do novo álbum, "Cardinal Factor") e sons de outros mestres do estilo, como "Dreamline", do Rush. Também entre as canções do próprio HOLLOW MIND, "Bitter Words" (recomendamos ver o clipe) e "Shame on Youth" do álbum "Soundscape of Emotions". Esta última tem uma quebra de andamento interessante (ok, isso não é novidade no prog, mas não deixa de ser interessante).

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Roberto ainda confidenciou que, fã do VIPER há muito tempo, tinha uma fita com a rotação mais lenta de tanto que havia sido copiada e re-copiada pelos seus amigos da época. Nela a voz de André Matos era até mais grave (um efeito/defeito causado pelas gravações de gravações de gravações da fita original) e que ele se surpreendera quando ouvira a voz real de Matos. Este repórter também tem suas estórias sobre fitas do VIPER pra contar (que inclusive já contei para o próprio André Matos quando o entrevistei). Na minha fita, o tempo acabava bem no meio da canção "Soldiers of Sunrise" e eu passei muito tempo, anos talvez, sem saber como a canção terminava.

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Bem, mas voltemos ao show. Mais uma cover (do QUËENSRYCHE, "I Don´t Believe In Love") e "Haven", outra do "Cardinal Factor". "Crazy Train", do OZZY, com sua inconfundível pegada de baixo pôs fim ao curto show.

VIPER

Não demorou muito para que Guilherme Martin (bateria), Pit Passarell (baixo, pedras na vesícula e chapinha), Hugo Mariutti (guitarra e casaco no calor), Felipe Machado (guitarra e irmão do Nando) e André Matos (a voz) subissem ao palco do Carioca. No telão, ao fundo do palco, as primeiras imagens do DVD (que finalmente pode chegar às nossas mãos depois de uma espera de anos). Todos os fãs pularam ao som de "Knights of Destruction". Nenhum deles provavelmente em um primeiro show do VIPER. André e Felipe até descem para a estrutura à frente do palco, uma espécie de extensão que aproximava a banda do público, na canção cujo nome foi escolhido para a turnê de reunião e o próprio DVD. E como não havia grades nesse show, a proximidade era ainda maior. Mais tarde, todos (até o Pit) usariam o espaço, menos o Martin, por razões óbvias.

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Uma surpresa foi a inclusão de "Coming From The Inside", do álbum "Evolution", o primeiro que não contou com André nos vocais. Ao contrário da turnê, que teve os dois primeiros álbuns "Soldiers of Sunrise" e "Theatre of Fate", o show dava sinais de que ainda reservava mais surpresas. O maestro André Matos avisou que era um show especial de lançamento do DVD de 30 anos, mas brincou: "com corpinho de 29...e meio". Com muitos amigos de longa data na plateia, a banda se mostrava muito feliz e tocando como se estivesse em casa. Mariutti de vez em quando até dava um cotoco pra algum conhecido na plateia e abria o casaco mostrando o símbolo do Palmeiras na camisa que usava por baixo.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

É desnecessário dizer que o coro foi geral em "Nightmares", né? Então que não se diga. Mas que foi, foi. A canção foi seguida de "At Least a Chance", com suas partes clássicas (em que André faz questão de gesticular como maestro que é). No telão, uma imagem de um Cristo crucificado tornava bem paradoxal a execução de "Wings of Evil", que veio depois.

Mais uma surpresa foi ter Fernando Machado assumindo os vocais em "The Shelter". A canção, que fora um dos sucessos do VIPER no disco "Evolution" tornou aquele show ainda mais especial. A performance do lançou recentemente guitarrista no microfone não deixa a desejar e ainda desperta curiosidade para conhecer seu trabalho solo (Felipe Machado lançou recentemente seu primeiro álbum "FM").

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Era notável durante o show que o único que não parecia estar tão contente era Pit Passarell. De vez em quando ele até sentava próximo à bateria de Martin. O baixista estava passando por problemas de saúde e avisou: "vou daqui para o hospital tirar a vesícula". André ainda dedica a próxima música da noite à vesícula do Pit. "É sobre vencer uma batalha". Claro que entendemos qual seria ela. "Clichê do caralho", André ainda brincou. E é então que vem "Soldiers of Sunrise". Sinto muito, mas não era hora de escrever, só de balançar a cabeça, de olhos fechados e ouvir a canção mais uma vez (agora completa).

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Depois de uma brincadeira e outra com o staff (Ronnan, Ari, Ozzy, Daniel e até o Wikimetal), mais uma canção do "Evolution", "Dead Light", dedicada ao Yves, seu autor. A inclusão de tantas músicas do álbum (comparado aos setlists da turnê) sinaliza que ele continuará sendo abordado, com a voz de Andre, em uma possível e desejada futura turnê nacional. "Signs of The Night" (sais minerais, como chamada por Andre) e "A Cry From The Edge" (com Hugo e Felipe sentando lado a lado e André brincando "agora vai pintar um clima romântico") foram as próximas.

Felipe Machado avisou: "Quem não cantar essa tem que ser mandado embora". E é claro que era impossível não cantar "Living For The Night", não fazer air bass, não se emocionar naquele que foi o ponto alto do show. Andre ainda ressaltou que o show é diferente do DVD, algumas músicas a mais, outras a menos, mas os clássicos a gente não poderia esquecer. E entre eles, "Prelude to Oblivion". "Moonlight", no entanto, ficou de fora.

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O quinteto deixa o palco enquanto o público fica pedindo por "Evolution", ou "Coma Rage", ou simplesmente VIPER. Então, Andre, Pit, Martin, Felipe e Hugo voltam, este último já apenas com a camisa do Palmeiras. E dão início a "Rebel Maniac", outra que originalmente não tinha Andre Matos no vocal, quando o inesperado acontece. Uma invasão do palco!!!

Eram os caras do Wikimetal (Nando Machado e Rafael Masini) que se apoderaram dos microfones e fizeram os backing vocais na canção do "maníaco rebelde". Era realmente uma comemoração, uma festa e o trio de apresentadores (Daniel Dystyler ficara de castigo na banca de merchandising) tinha sido peça fundamental na reunião da banda. Outro que subiu ao palco foi Val Santos, que já tocara com a banda em outras oportunidades, assumindo o baixo. Pit ainda cantou um trechinho de "Evolution", atendendo aos pedidos do público, mas o show terminou com ele e Andre dividindo os vocais em "H.R.", quando até uma roda chegou a se formar no meio do público.

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Nesta data, Pit já deve ter passado pela cirurgia e desejamos a ele plena recuperação, para que possa, junto a seus quatro melhores amigos, voltar a levar os sons do VIPER para todo o Brasil. Mas desejamos também que ele nunca mais passe mais nem na calçada do cabeleireiro que fez o que fez com seu cabelo.

Agradecimentos: a toda a equipe do Wikimetal, pela atenção e credenciamento.

Resenha publicada originalmente no site da Metal Militia Web Radio

Setlists:

HOLLOWMIND

1 - Nonsense Of Belonging
2 - Dreamline (RUSH)
3 - Bitter Words
4 - Shame Of Youth
5 - I Don’t Believe In Love (QUEENSRYCHE)
6 - Haven
7 - Crazy Train (OZZY)

VIPER

1 - Knights Of Destruction
2 - To Live Again
3 - Coming From The Inside
4 - Nightmares
5 - At Least A Chance
6 - Wings Of The Evil
7 - The Shelter (Felipe Machado no vocal)
8 - Soldiers Of Sunrise
9 - Dead Light
10 - Signs Of The Night
11 – A Cry From The Edge
12 - Living For The Night
13 - Prelude To Oblivion
14 - Rebel Maniac
15 – Evolution (trecho, Pit Passarel no vocal)
16 - H.R.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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