Accept: O show em São Paulo foi apenas lindo

Resenha - Accept (Carioca, São Paulo, 14/10/2018)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Embora tenha pousado recentemente pelo menos uma vez por ano em São Paulo, nem todos os shows da banda alemã ACCEPT foram exatamente como deveriam ser (pelo menos na opinião dos fãs). Explique-se: na passagem da banda pela capital paulista em 2015 a banda formada por Mark Tornillo (vocal), Wolf Hoffmann (guitarra), Peter Baltes (baixo) e pelos estreantes, à época, Uwe Lulis (guitarra) e Christopher Williams (bateria) eram parte das atrações do grande festival Monsters of Rock (que já está passando da hora de acontecer de novo) e, obviamente, fizeram um show de festival, ou seja, mais curto. Já em 2017 a banda veio com o ANTHRAX, mas ainda assim o show não serviu para saciar a sede do Heavy Metal cheio de melodia que só os alemães sabem fazer. Agora não. Passando um pouco mais de duas horas de shows, uma simples palavra poderia arrematar esta resenha aqui mesmo: "lindo". Não obstante, você confere todos os detalhes aqui, com fotos de Diego Câmara.

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"Se você vive pela espada, morrerá pela espada". São os dizeres do refrão bíblico da canção "Die by the Sword" que, sob muitos gritos, abre o show. O público canta o refrão com punhos para o ar e entregue ao "ô ô ô ô". O evangelho germânico continua, mas agora abordando o cerco a Stalingrado e, mais especificamente, a história do soldado russo e do soldado alemão que morreram juntos após esfaquearem um ao outro. Sério que a canção que recebe o antigo nome da cidade às margens do Rio Volga é uma canção nova? Seu impacto é tamanho que parece que foi lançada em 79, no debut do ACCEPT, e não no álbum homônimo de 2012. Na hora do solo, espetacular (e eu provavelmente repetirei isto ao longo do texto), Hoffmann vem ao centro do palco.

Em "Restless and Wild", não é só ele. Vem todo mundo pra frente, menos o baterista. Claro. Além de estruturas que mimetizavam os containers vistos na capa de "The Rise of Chaos", o álbum mais recente e mote da turnê, o palco do Carioca tinha ganho uma passarela que avançava alguns metros adiante em direção ao público, o que aumentava o calor do show, que seguiu com "Breaker" e "Pandemic", com seu belíssimo solo.

Recebendo uma bandeira brasileira, Tornillo, com boné e cavanhaque, agradeceu e deu um "Boa noite, São Paulo" a um Carioca onde não havia onde por os dois pés simultaneamente. De "The Rise of Chaos" também vem "Koolaid" e a ótima "No Regrets", com introdução de bateria remetendo quase a uma "Painkiller", guardadas as proporções e desculpado o exagero. Deste álbum também vem "Analog Man", em que Tornillo se retrata como um homem analógico num mundo digital. Na verdade ela não é tão boa (para os padrões ACCEPT, diga-se), mas levanta o público, especialmente no interlúdio em que até o baterista toca de pé.

O dos momentos mais lindos do show (e algo que não é, de forma alguma, novidade) é "Final Journey". "Na sua viagem final, você vai estar viajando sozinho" diz a letra enquanto a luz reflete nas tarraxas do baixo de Baltes. "O Amanhecer" (ou "A Manhã", do original Morgenstemning, do norueguês Edvard Grieg) enxertada no solo de Hoffmann parece apontar para um novo caminho, um recomeço, uma nova jornada.

"Shadow Soldiers" mostra novamente como é incrível a capacidade de Wolf de criar solos tão belos e melodiosos. Ele fica sozinho no palco e nos brinda com mais trechos de música clássica transposta para suas seis cordas, entre os quais, "Bolero", de Ravel e "In the Hall of the Mountain King", outra parte da suíte "Peer Gynt", de Crieg, visitada instantes antes.

O resto do quinteto volta para "Neon Nights" e o coro em "Princess of the Dawn" fica ainda mais poderoso no meio da canção, absorvendo e envolvendo todo mundo.

O bom de ser um show completo agora é que canções como "Monsterman" e "Up to The Limit" tem a sua vez de aparecer. E o público canta junto prova de que aprova. E na hora dos clássicos, como a imprescindível "Metal Heart", o Carioca explode em euforia. Temos aí mais uma sessão de "concertos para juventude", com pessoas se abraçando e pulando ao som de "Für Elise", de Beethoven.

Ao fim, como se fosse fim de show, Wolf comanda do centro da passarela um hey a cada nota. Mas não era o fim, nem do show e nem da música. Ainda teve até solo de bateria. E sem descanso mandaram "Teutonic Terror", outra lenhada alemã.

Saem brevemente enquanto o público canta "Ein Heller und ein Batzen" (a do "Heidi, heido, heida"). Como se tivessem sido chamados pela canção infantil, transformada em hino informal das tropas alemãs, eles voltam para a canção inaugural do Speed Metal, "Fast as A Shark".

Em mais um bis, outra canção linda: "Stampede" e, especialmente para São Paulo, "Dying Breed" (outras cidades ganharam "Midnight Mover" ou "Starlight"). A banda até para para o público cantar. O encerramento, óbvio, é com "Balls To The Wall".Udo Dirkschneider, que há muito deixo o posto de frontman da banda mas jamais perdeu seu lugar nos corações dos fãs, tinha dito ser esta uma canção sobre direitos humanos: "Um dia os torturados vão se erguer e chutar algumas bundas". Se o público presente, a exemplo daqueles que dias antes vaiaram Roger Waters, ignorava ou sabia o significado das letras do ACCEPT não é questão. Todo mundo cantava. A banda segue firme com Tornillo, Wolf, Baltes, Lulis e Williams e se voltarem a São Paulo novamente em 2019, serão certeza de casa cheia novamente. E, finalmente, tudo o que escrevi e você acabou de ler foi desnecessário. Reafirmo que uma única palavra teria descrito o show com perfeição. Lindo.

Além do ACCEPT, a banda REPUBLICA se apresentou no Carioca. O vocalista Leo Belling falou como era bom tocar em São Paulo, pois podia tocar com a família. Num tempo efervescente quando se fala de política, nem no show da banda paulistana nem no da alemã se falou muito de política (com exceção de quando o assunto já é parte da letra), exceto antes de "Stand Your Ground". Neste momento, Belling admitiu ter prometido para a banda não falar sobre o assunto, mas a música se tratava de "defender as suas ideias até o final, seja você A, B, C ou D".

Agradecimentos:
FreePass Entretenimento, especialmente Heloísa Vidal, pela atenção e credenciamento.
Diego Câmara, pelas imagens que ilustram esta matéria.

Setlist

1. Die by the Sword
2. Stalingrad
3. Restless and Wild
4. Breaker
5. Pandemic
6. Koolaid
7. No Regrets
8. Analog Man
9. Final Journey
10. Shadow Soldiers
11. Neon Nights
12. Princess of the Dawn
13. Monsterman
14. Up to the Limit
15. Metal Heart
16. Teutonic Terror
17. Fast as a Shark
18. Stampede
19. Dying Breed
20. Balls to the Wall




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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