Project46: "Soltem todos os demônios"

Resenha - Project46 (Tropical Butantã, São Paulo, 03/12/2017)

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Por Nelson de Souza Lima
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Não foi uma sessão de exorcismo, mas foi algo bem próximo disso. O show que os paulistanos do Project46 fizeram no último domingo serviu pra galera soltar os bichos e pôr todos os demônios pra fora. Melhor que qualquer religioso o líder do "culto" foi o vocalista Caio MacBeserra que, de forma insana, regeu uma legião de fiéis. Ladeado por Jean Patton e Vini Castellari (guitarras), Baffo Neto (baixo) e Betto Cardoso (bateria) o cara comandou uma das apresentações mais iradas que vi nos últimos meses. MacBeserra tem carisma, e vai do melódico ao gutural com facilidade, mostrando maturidade à frente de uma banda que chega aos dez anos de estrada confirmando ser uma das melhores do momento com seu metalcore enfurecido.

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O 46Fest III, evento no qual o Project foi o anfitrião trouxe outras quatro bandas independentes, evidenciando o quanto excelentes trabalhos estão sendo feitos. E isso não é só em São Paulo, mas em outros estados. Só conferir o line up.

Antes de Caio MacBeserra e companhia passaram pelo palco do Tropical a sul-mato-grossense Tonelada, os cariocas do NoTrauma, os catarinenses do Ponto Nulo no Céu e os paulistanos da Trayce. Todos mostraram competência numa miscelânea sonora na qual metalcore, rapcore, hardcore e metal fundiram-se de maneira intestinal e equânime. Pode-se dizer que o público também era diverso, mas uníssono na maneira de curtir o som. Skatistas, fãs do Hip-hop, headbanguers e "civis" se reuniam numa celebração da música pesada, cujo ponto alto, foi mesmo a apresentação do Project46 que trouxe, a tiracolo o novo disco "TR3S".

A galera foi aumentado à medida que o tempo passada. Por volta das 21 horas a casa estava praticamente cheia. Aos berros parte dos fãs entoava o mantra "Abre a roda ou sai fora", antecipando que aqueles que não quisessem curtir a roda de pogo deixassem espaço pra quem tava a fim.

Por volta das 21h18 o simpaticíssimo Max Luciefer, filhinho do baixista Baffo Neto, deus boas-vindas ao público e chamou a banda. O que se viu em seguida foi uma avalanche sonora que se não é a trilha sonora do Apocalipse tá bem perto.

Caio MacBeserra tem a fúria do metalcore no olhar. O cara não para no palco, com direito a escalar as caixas de som. Seus parças também não ficam atrás: metalcore visceral, riffs nervosos, bateria pesada, baixo marcadão e preciso.

Abriram com "Terra de Ninguém", "Corre", "Pânico", "Rédeas" e "Realidade Urbana". Porrada atrás de porrada em bom português pros fãs cantarem juntos ensandecidos.

Se MacBessera queria que todos pusessem os demônios pra fora ele conseguiu. Conferir a enorme roda que se formou com os fãs num caos sonoro/cataclísmico é divertido. O metalcore está mais forte do que nunca.

A emoção dos caras era visível. Um grande momento pra todos: banda e fãs em completa comunhão.

Um dos melhores momentos rolou no bis. Caio chamou os que tivessem o logo do Project tatuado e pediu pra subirem ao palco pra, juntos, cantarem "Foda-se". E na plateia a roda/transe/caótica rolava solta.

Para o baixista Baffo Neto o show foi gratificante. "O 46Fest III foi um reencontro com os fãs depois de uma fase muito turbulenta, troca de integrantes e tal. Muito bom ver o pessoal lotar a casa e chegar junto nas músicas do disco novo", diz. Neto alega que as músicas são para os fãs. "São eles que importam de verdade. Se foi legal pra eles, foi pra nós também".

Segundo o baixista, eventos como esse com vários grupos são válidos para fortalecer a cena roqueira. "Temos uma boa posição no segmento não nos custa abrir nosso show para as demais bandas. Só que não temos nem sabedoria ou autoridade pra escolher quem merece ou não. Então fizemos o melhor de acordo com a informação que tínhamos. Se cada um fizer sua parte acho que a coisa se fortalece. Não só a cena underground, mas tudo na vida melhora quando todos fazem sua parte", filosofa.

Foi uma noite pra se pôr os demônios pra fora ao som do melhor metalcore. Fica a dica: quando precisar de alguém pra fazer um exorcismo não chame nenhum padre. O Project46 resolve.

PROJECT46 SET LIST

TERRA DE NINGUÉM
CORRE
PANICO
RÉDEAS
REALIDADE URBANA
CAPA DE JORNAL
VIOLÊNCIA GRATUITA
NA VALA
ERRO +55
EMPEDRADO
MARGINAL
PODE PÁ
ANÔNIMO
UM PASSO A FRENTE
TR3S
Encore
FODA-SE
ACORDA PRA VIDA




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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

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