Slayer: a reserva moral do Thrash tocou em Porto Alegre
Resenha - Slayer (Pepsi on Stage, Porto Alegre, 11/09/2017)
Por Nei Cossio Senandes
Postado em 25 de maio de 2017
Depois de muitos anos de espera, finalmente pude presenciar um show do Slayer, e dessa forma, assisti a pelo menos um show de cada banda do Big 4 do Thrash. Esse é um assunto delicado, afinal os 4 grandes têm um apelo muito mais comercial, pois são as 4 bandas mais bem sucedidas desse estilo, mas não necessariamente as mais representativas ou as melhores musicalmente. Menos o Slayer, eles sim representam o que é Thrash.
Enquanto nos anos 90 todos lançaram muitas porcarias, incorporaram mudanças no som em nome de uma evolução, o Slayer continuou fiel, som pesado, sem concessões. Embora muitos considerem o Divine Intervention ruim (até mesmo a banda, mas mais pela mixagem porca) ou que nos álbuns posteriores a banda incorporou elementos de New Metal, não dá pra dizer que o Slayer deixou seu som mais palatável pro grande público, como fizeram o Metallica ou o Megadeth, ou que seu som se compare ao Anthrax, que como li uma vez, é uma ótima porta de entrada pra quem quer começar a se aventurar no metal. Não, o Slayer sempre foi peso, agressividade, violência e ontem, vê-los ao vivo, foi como eu imagino ser atropelado por um trem de carga.
A banda começou o show com pontualidade, o que mostra o respeito deles com o público, ao contrário de muitas bandas nacionais ou mesmo estrelinhas tipo Axel, e ao ouvir a intro Delusions of Savior já deu pra sacar que a noite seria brutal. Hinos, músicas novas e peso, muito peso. A banda afiadaça. Paul Bostaph é um cavalo, prefiro o Lombardo, mas não da pra reclamar do cara, sentando a mão na bateria como se não houvesse amanhã, preciso, pesado, técnico, rápido, ou seja, tudo que se espera de um baterista do Slayer. Kerry King, bom, o cara tá la desde o início, compõe pra caralho, bases maravilhosas, e apesar de não curtir muito seus solos, o cara é a alma do Slayer, principalmente após a saída e subsequente morte do Jeff. E falando nele, o que esperar de um show do Slayer sem ele? Ele faz falta nas composições? Claro! O cara compôs Angel of Death, que mais dizer??? Mas trouxeram o Gary Holt, e que bola dentro! O cara destruiu!!! Enquanto tu via o Kerry concentrado, olhando pra guitarra enquanto tocava suas bases e solos, Gary parecia que estava brincando, a naturalidade com que ele toca as músicas mais complexas do Slayer é de assustar. Solos fantásticos, mudando alguma coisa do Jeff, mas sem perder a essência e acrescentando a sua cara. Jeff é insubstituível, mas Gary é O guitarrista de Thrash. Mais gordo, mais barbudo, mais grisalho, entra no palco o nosso "papai noel mendigo" Tom Araya. A voz continua insana, não é de ficar horas conversando com o público ou interagindo, mas precisa???? O cara transborda ódio e agressividade nas suas interpretações, além de tocar baixo, "dublando" muitas linhas da guitarra, o que é insano, visto que assim são as guitarras do Slayer.
E o repertório? Bom, depois da intro, tivemos, (fora de ordem) Repentless, You Against You, When de Stilness Come, The Antuchrist, Fight till Death, Die By de Sword, Captor of Sin, Hell Awaits, Postmorten, Ranning Blood, Black Magic, South of Heaven, Mandatory Suicide, Dead Skin Mask, Waaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar Ensemble!!!! Disciple, Word Painted Blood, Angel of Death!!!! Faltaram algumas músicas? Claro! Sempre faltam, mas fui pra casa feliz, destruído e concordando com o Alborghetti: Slayer, a reserva moral do Thrash!
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