Opeth: Banda faz um show perfeito em São Paulo
Resenha - Opeth (Carioca Club, São Paulo, 09/04/2017)
Por Diego Camara
Postado em 12 de abril de 2017
Finalmente, depois de tantos anos eu consegui ver o Opeth no Brasil. E eu posso dizer com todas as palavras: que experiência única e sublime é ver ao vivo uma banda que trabalha tão bem, com incrível genialidade, um som com tantos sentimentos difusos e conflitantes. É como uma versão musical de Charles Baudelaire, ou uma enigmática obra que une a potência do heavy metal em encontro com a força do progressivo dos anos 70. Um King Crimson vestido em negro. E ao vivo é ainda pior, mais real, mais factível. Confira abaixo os principais detalhes do show - se é que este show teve detalhes - além das fotos de Fernando Yokota.
O show começou às 20h em ponto, para um Carioca Club lotado, apertado, quente, cheio de gente. A sensação de inferno na casa era impressionante. Só vi dois shows mais cheios do que este. A banda abriu o espetáculo com "Sorceress", do seu novo disco, para um público extremamente animado. Apesar do novo disco não ser ruim - só um pouco sem identidade - as músicas escolhidas para o show não são das melhores. Porém, a perfeição de sua execução, feita com minúcia pela banda, espanta: estão todos os elementos ali, muito bem encaixados, e você não perde nada do som do Opeth, como ouvir o disco.

Felizmente o show não foi feito pelas músicas do último disco. A banda, ao contrário, apostou em um setlist extremamente variado, quase como se contasse a história da banda em seu show. A banda assim encaixou a esta música leve, duas pancadas extremamente bem dadas: "Ghost of Perdition" e "Demon of the Fall". A potência das músicas não fez o público recuar, fazendo com que os fãs entoassem em plenos pulmões, cantando junto, até mesmo em algumas partes guturais - e isto é uma novidade. O solo de "Demon" foi impressionante, em um excelente trabalho de guitarra.

Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | 
Mikael aproveitou as deixas entre as músicas para interagir bastante com o público. Ele gosta de bater papo. Agradeceu aos fãs por terem vindo - mais uma vez - e aproveitou para elogiar a estrutura do Carioca Club - apesar de reclamar que estava derretendo pelo calor da casa. Lembrou o público do primeiro show da banda - no digníssimo e "maravilhoso" Santana Hall? - onde se lembra com carinho de uma goteira apontada diretamente para sua cabeça.

A banda então saiu do heavy metal potente para duas músicas mais sombrias. Primeiro tocaram "Face of Melinda", do "Still Live". Aqui a voz limpa de Mikael tomou controle da música, em excelente sintonia. As guitarras estavam lindas, e as notas do baixo pareciam iluminadas. Na parte mais pesada, o som foi emocionante. Na seguinte, um dos maiores sucessos da banda: "In My time of Need". Åkerfeldt pediu para o público cantar junto, com vontade, e foi muito bem atendido. Os fãs cantaram a música toda, em plenos pulmões, ofuscando a performance da banda em diversos momentos da canção.



A "fase" seguinte do show foi a progressiva. A banda encaixou "The Devil’s Orchard" e "Cusp of Eternity". A primeira é uma salada de elementos, com um teclado muito forte e complementada pela excelente linha de baixo de Méndez, muito bem ressaltada ao melhor estilo do prog clássico de caras como Chris Squire. A seguinte animou muito os fãs, sendo o suprassumo da capacidade técnica da banda - se é por acaso possível elencar uma música que tenha sido melhor que a outra neste show. O público fez um coro muito bem afinado, puxando ainda mais o nível de emoção da música.

Para finalizar o show, a banda deu uma virada em praticamente 360 graus tocando "Heir Apparent", um épico de longos 9 minutos de um metal extremamente cru, pesado e com solos potentes, que fez o público bater cabeça. A banda então fechou o show com seu melhor disco, tocando a clássica "The Drapery Falls", mas não sem antes tocar o riff de "The Master’s Apprentices", para loucura dos ávidos fãs que pediram a música durante todo o show. Não há o que falar desta música, Baudelaire em forma de música, um poema maldito tornado som.


Para o bis, a banda trouxe com grande infelicidade apenas "Deliverance" para o público. Foi difícil não notar que os fãs ficaram bastante decepcionados com o final do show, esperavam mais músicas, pelo menos mais uma. Porém, foi mais de 90 minutos apenas de música, e já era o tardar da hora para a banda se despedir dos fãs. Como sempre, prometeram voltar novamente, e tenho certeza que todo mundo estará novamente lá, presente, no meio das chamas do inferno do Carioca Club - ou talvez de um lugar maior? - para ver o show destes caras: uma das melhores bandas deste novo século.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Por último, gostaria de elogiar novamente o excelente trabalho da Overload e o esmero que a produção sempre tem com a qualidade musical dos artistas que traz.
Opeth é:
Mikael Åkerfeldt - Vocal e guitarra
Fredrik Åkesson - Guitarra
Martín Méndez - Baixo
Martin "Axe" Axenrot - Bateria
Joakim Svalberg - Teclado
Setlist:
Sorceress
Ghost of Perdition
Demon of the Fall
The Wilde Flowers
Face of Melinda
In My Time of Need
The Devil's Orchard
Cusp of Eternity
Heir Apparent
The Drapery Falls
Bis:
Deliverance


Comente: Esteve no show? Como foi a experiência?
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O guitarrista que fazia Lemmy perder a paciência; "era só pra me irritar"
A banda de metal que Lars Ulrich achava inalcançável, mesmo sem virar gigante como o Metallica
Os motivos que fizeram Iggor Cavalera recusar reunião com o Sepultura, segundo Andreas Kisser
Elton John revela qual o maior cantor de rock que ele ouviu em sua vida
Derrick Green anuncia estar formando nova banda para o pós-Sepultura
A canção que Page e Bonham respeitavam, mas achavam que nada tinha a ver com o Led Zeppelin
Faixa de novo EP do Sepultura remete à música do Black Sabbath cantada por Ian Gillan
Megadeth inicia turnê sul-americana, que passará por São Paulo; confira setlist
15 bandas de rock e heavy metal que colocaram seus nomes em letras de músicas
"Seja como Jimmy Page e o AC/DC": a dica de Zakk Wylde a jovens músicos
Falar mal do Dream Theater virou moda - e isso já perdeu a graça há tempos
O elogio inesperado que Jimmy Page fez a Ritchie Blackmore num encontro em Hollywood
A opinião de Regis Tadeu sobre o clássico "Cabeça Dinossauro" dos Titãs
O álbum do AC/DC que tirou Malcolm Young do sério; "todo mundo estava de saco cheio"
10 discos que provam que 1980 foi o melhor ano da história do rock e do heavy metal
A vergonha que Bono sofre ao ver vídeos do U2 perante 1,5 bilhão de pessoas no Live Aid
Bill Hudson diz que tatuagem pode ter sido entrave para entrar no Megadeth
A razão para não contarem logo a Herbert Vianna que esposa falecera no acidente



Mikael Åkerfeldt pensou em acabar com o Opeth na época de "Damnation"
Como uma queimadura de sol inspirou a criação do Opeth, segundo ex-integrante
A música do Iron Maiden que é a preferida de Mikael Akerfeldt, vocalista do Opeth
Por que os Beatles podem ser chamados de banda progressiva, segundo Mikael Åkerfeldt
O ícone do metal progressivo que considera o Offspring uma piada
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985
Em 16/01/1993: o Nirvana fazia um show catastrófico no Brasil
