Gojira: Um excelente show de Metal em Sttugart

Resenha - Gojira (LKA Longhorn, Stuttgart, Alemanha, 24/03/2017)

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Por A. Krapmann
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Mais um show no LKA. A casa, que eu considero uma espécie de "Carioca Club" de Stuttgart, é o lugar onde muitas bandas em tour passam quando tocam na cidade. O local, fundado em 1984, chamava-se inicialmente Longhorn Country & Western Saloon e era frequentado principalmente por norte-americanos, mais especificamente por militares que serviam na base instalada em Stuttgart depois da segunda guerra mundial. Na época até a rede de TV CNN fez uma reportagem sobre o local, que passou a ser muito visitado por turistas dos EUA. Em 1992, devido à guerra do Golfo, quase todos os soldados americanos deixaram Stuttgart, e então o conceito da casa mudou. Após uma reforma e a mudança de nome o local adotou o modelo de casa de shows que mantém até hoje.

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Eu já vi diversos shows por lá, e acabei desenvolvendo uma espécie de ritual. Estaciono o carro, vou até um posto de gasolina próximo, compro uma espumosa gelada, vou para a porta ver um pouco do movimento e, de dependendo da época do ano, entrar o mais rápido possível. Mesmo após diversas temporadas no hemisfério norte, eu não nasci com a capacidade de ficar no frio numa boa. Repeti mais uma vez o ritual e entrei assim que os portões se abriram, tanto para fugir do frio, que se não era tão intenso incomodava um pouco, quanto para pegar um bom lugar. Não havia tanta gente quanto eu imaginava, então consegui achar um bom lugar tranquilamente. Atrás da mesa de som há uma espécie de mezanino, o que para mim, que tem uma estatura inferior à média dos alemães é bastante vantajoso. Eu teria uma visão boa do palco e o som também fica com uma qualidade bacana. Ultimamente ando meio distraído e não havia checado se haveria banda de abertura. Bem, o logo da banda Car Bomb já era projetado no fundo do palco e me dava uma resposta parcial. Havia também o merchandise da banda Code Orange à venda, então estas seriam duas bandas que eu iria conhecer, já que eu nunca tinha ouvido falar delas.

Pontualmente às 20:00 horas os nova iorquinos do Car Bomb subiram no palco. Bem, neste caso eles desceram, já que o Backstage fica num ambiente mais alto do que o palco. Eu não sabia o que esperar. Eu acho que por uma ligação inconsciente (nem tanto, já que eu percebi) eu ligava a banda com a Carro Bomba do Brasil, então imaginei uma coisa mais Rock. Nos primeiros acordeis pensei em se tratar de uma banda de hardcore, porém não era nada disso. O som eu considero como uma mistura de Meshuggah, The Dillinger Escape Plan com umas pitadas de Gojira, apenas para dar uma referência, um pouco vaga provavelmente. A iluminação, inclusive, era influência direta do Meshuggah, exatamente no mesmo padrão, com palco escuro e luzes estroboscóbicas acompanhando os riffs. Durante o show eu sinceramente perdi um pouco do interesse. Definitivamente é uma daquelas bandas que divide o público entre os que amam e odeiam a sua música. Eu até pretendo conhecer um pouco mais do trampo deles, mas durante o show eu acabei me interessando mais pelo trabalho do iluminador, que manejava de forma frenética seu equipamento.

Segundo show. Code Orange. 3 guitarristas, sendo um deles também responsável pelos teclados, um baixista/capoeirista e o baterista, que cantou a maioria das músicas. O show começou bem empolgante, a banda estava com uma ótima movimentação de palco. Logo de cara era possível perceber que era uma banda da nova geração, em que as influências diretas são bandas como o Gojira, Meshuggah, System Of a Down, etc. Eu não tenho como definir o som, porém eu senti que falta uma identidade para a música, o espectro parece ser muito amplo e de alguma forma eles abusavam dos "break downs" na mesma proporção em que o baixista abusava da sua giratória com a perna esquerda. Apesar de também querer conhecer mais sobre a banda, acabei me distraindo durante a apresentação e comecei a reparar no público presente. Atrás de mim um casal que poderia muito bem estar num show da Marisa Monte. Ao lado do casal um grupo de três amigos, estes no padrão mais comum em shows de metal. Barba longa e cerveja na mão. Ao meu lado um outro casal, este também bem típico atualmente. Cada um com seu celular. A mina agitava um pouco a cabeça e conversava no whatsapp ao mesmo tempo. Na minha esquerda havia um outro casal, já entre os 40 - 50 anos que me prendeu a atenção. Eu conseguia ver a mulher me atendendo em qualquer repartição pública ou talvez pedindo para eu assinar um contrato de financiamento de um eletrodoméstico, mas ela definitivamente não estava combinando com um show de metal. Além disso ela olhava com bastante curiosidade para um grupo que estava entre nós. Parecia até que estava tentando buscar informações, uma espécie de detetive que não se disfarçou devidamente para o ambiente em que deveria trabalhar. A audiência parecia bem eclética. Enfim, eu não vou aqui culpar a banda pelas minhas distrações. Apesar das minhas críticas deixo as portas abertas para a banda e algum dia vou pegar pra ouvir com atenção. Se você curte bandas modernas vale a pena dar uma ouvida no Code Orange.

Agora era esperar o Gojira, que depois de tanto tempo e um cancelamento inesperado no festival "With Full Force" em 2012, seria riscado da minha lista de bandas ainda não vistas. O palco estava pronto, mas o show estava marcado para as 22:00 horas, então tinha que esperar. Havia diversos cartazes com os próximos shows e um em especial me chamou a atenção. Red Hot Chili Pipers. Eu de cara pensei, o Red Hot vai tocar aqui ? 1.500 pessoas ? Nada de mais, mas sempre imaginei estádios, no mínimo arenas. Aí percebi que havia um Pipers ao invés de Peppers. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Eu imaginei algum fã distraído chegando com camiseta do famoso Red Hot no dia do show. Eu iria rolar no chão de rir se visse esta cena. De qualquer forma eu acho que eles teriam que avisar as pessoas antes da compra do ingresso, isso pode causar confusão. Bem, tudo pronto, a intro começou a rolar e o batera começa as batidas de "Only Pain", do último disco "Magma". A qualidade do som estava muito boa e eu então resolvi que era hora de bangear. E nisso fui presenteado com a segunda música, "The Heaviest Matter Of The Universe", que já pode ser considerada um clássico da banda. Nem lembrei do fato em que não sou mais nenhum adolescente e fazia minha mistura de air guitar com air drum, bangeando ao mesmo tempo. Eu não estou nem aí, neste momento eu quero curtir. A música que tanto gosto está sendo executada ali na minha frente, eu quero aproveitar ao máximo esta chance e isso eu fui fazendo conforme as músicas iam sendo tocadas de forma consistente e precisa. O set list se baseou no último disco,"Magma", que eu acho muito bom mas um pouco "aguado". Um pouco mais "pop", não sei se é uma classificação justa, mas é a minha impressão. E eu, como um fã de longa data, faço o papel do típico chato e registro minha insatisfação com a falta de uma ou outra música mais antiga. "Space Time", por exemplo é uma delas. Mas pelo menos eles tocaram "Oroborus", eu adoro esta música. Uma coisa que achei monótona foi o solo de bateria. Eu não gosto muito de solos de bateria, mesmo sendo um baterista. Foi um dos únicos momentos em que me distraí no show. Aí mais uma vez um técnico de luz me chamou a atenção, pois estava rebolando durante o solo.

De qualquer forma o show foi excelente, com uma ótima performance dos músicos, o vocalista foi bastante simpático com o público que no geral acho que ficou muito satisfeito. Eu fiquei. Era hora de ir pra casa, com um sorriso no rosto e com o pescoço doendo, sintomas de um excelente show de Metal.

Set List :

1. Only Pain
2. The Heaviest Matter of the Universe
3. Silvera
4. Stranded
5. Flying Whales
6. The Cell
7. Backbone
8. Terra Inc.
9. L'Enfant Sauvage
10. The Shooting Star
11. Drum Solo
12. Toxic Garbage Island
13. Pray
14. Guitar Solo
15. Oroborus
16. Vacuity




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