Matérias Mais Lidas

João Gordo: quando ele brigou com Sérgio Mallandro na TV e o Bozo teve que apaziguarJoão Gordo
Quando ele brigou com Sérgio Mallandro na TV e o Bozo teve que apaziguar

Steven Adler: por que ele não ligou por Axl transar com sua namorada em Rocket QueenSteven Adler
Por que ele não ligou por Axl transar com sua namorada em "Rocket Queen"

Metallica: a fortuna que Robert Trujillo recebeu só para se juntar à bandaMetallica
A fortuna que Robert Trujillo recebeu só para se juntar à banda

RATM: Tom Morello revela por que não corta as cordas de sua guitarraRATM
Tom Morello revela por que não corta as cordas de sua guitarra

Metallica: papagaio metaleiro vai ao delírio ouvindo Enter SandmanMetallica
Papagaio metaleiro vai ao delírio ouvindo "Enter Sandman"

Sepultura: Gloria Cavalera xinga e rebate Derrick Green após entrevistaSepultura
Gloria Cavalera xinga e rebate Derrick Green após entrevista

Nirvana: sobre o que Kurt Cobain canta em Smells Like Teen Spirit, segundo GrohlNirvana
Sobre o que Kurt Cobain canta em "Smells Like Teen Spirit", segundo Grohl

Jon Schaffer: semanas após a prisão, ele ainda está vendo o Sol nascer quadradoJon Schaffer
Semanas após a prisão, ele ainda está vendo o Sol nascer quadrado

Marilyn Manson: Vou contar ao FBI tudo o que sei, diz atriz que se relacionou com eleMarilyn Manson
"Vou contar ao FBI tudo o que sei", diz atriz que se relacionou com ele

Offspring: O retorno após 9 anos, traz novo som e maturidadeOffspring
O retorno após 9 anos, traz novo som e maturidade

Judas Priest: quando eles negaram música a Top Gun e apostaram em filme que fracassouJudas Priest
Quando eles negaram música a Top Gun e apostaram em filme que fracassou

Van Halen: quando eles tocaram Jump desastrosamente fora do tom em 2007Van Halen
Quando eles tocaram "Jump" desastrosamente fora do tom em 2007

AC/DC: por que Angus Young usa uniforme escolar no palco - e de quem é a ideiaAC/DC
Por que Angus Young usa uniforme escolar no palco - e de quem é a ideia

Lollapalooza: jornalista diz que festival será adiado para 2022, sem o Guns N' RosesLollapalooza
Jornalista diz que festival será adiado para 2022, sem o Guns N' Roses

Neil Peart: por que ele é melhor que John Bonham, segundo Mike PortnoyNeil Peart
Por que ele é melhor que John Bonham, segundo Mike Portnoy


Stamp

Accept: banda toca o terror teutônico em São Paulo

Resenha - Accept (Carioca Club, São Paulo, 08/04/2016)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Fernando Yokota
Enviar Correções  

Apertado de um lado pelo UNISONIC de Michael Kiske e do outro pelo MANOWAR na segunda noite do Monsters Of Rock 2015 em São Paulo, o ACCEPT fazia sua apresentação ao cair da noite há um ano para um público que, em sua maioria (a julgar pela quantidade de camisetas na audiência), comparecia para ver o KISS. O que se viu foram os sessenta minutos mais eloquentes de proficiência metálica daquela noite. Desta vez, a cidade teve a chance de testemunhar mais uma vez o grupo encabeçado por Wolf Hoffmann (e seu companheiro de longa data Peter Baltes) num Carioca Club cheio, quente, com setlist completo e um séquito dedicado exclusivamente à banda.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Fotos e texto por Fernando Yokota
http://fb.com/fernandoyokotafotografia

A banda viaja atualmente promovendo seu último lançamento, Blind Rage, o terceiro capítulo da volta da banda, contando com o vocalista Mark Tornillo e a produção do renomado Andy Sneap. Ao vivo, o ACCEPT não sobe ao ringue para ganhar a luta por pontos e pontualmente às 19 horas sobe ao palco: com Stampede, Stalingrad e Hellfire (três da fase Tornillo-Sneap) o rolo compressor já havia terraplanado a pista do Carioca Club, provando a ampla aceitação dos fãs com relação à discografia recente. Clássicos como Restless and Wild e London Leatherboys surgem logo no início do set mas não causam o abismo de empolgação na plateia que geralmente ocorre quando temas novos e antigos são intercalados.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Diferente de vários de seus pares, Hoffmann e seus asseclas não caem na armadilha da modernização compulsória do seu som, dando as costas para o passado; contudo, ainda que observando o evangelho do metal, o ACCEPT soa, de alguma forma, novo. O sucesso da segunda vinda do Accept talvez venha do ponto de equilíbrio representado pela entidade Hoffmann-Baltes-Tornillo: o lado alemão representa o legado de quase quarenta anos de carreira enquanto o último gera a lufada de ar fresco que ventila a banda criativamente (e um novo ponto de vista no que se refere às letras). Evidentemente, há uma semelhança de timbres entre Tornillo e Udo Dirkschneider, mas o primeiro traz à banda o espírito "working class" de sua terra natal, Nova Jersey (onde Tornillo è também eletricista sindicalizado). O ACCEPT não reinventa a roda mas, ao mesmo tempo, não fica sentado em cima dela esperando que ela rode sozinha. Novo e inovador não são, necessariamente, sinônimos.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O repertório, dividido igualmente entre músicas dos últimos três discos e números mais antigos, teve recepção calorosa no calorento Carioca Club que, antes da metade do show havia se tornado uma verdadeira sauna do metal. Os interlúdios guitarrísticos com citações de peças tradicionais acompanhados pelos tradicionais "ôôôs" não poderiam faltar e fizeram-se presentes aos montes, seja em clássicos como Metal Heart (Für Elise, de Beethoven) como em temas recentes como Final Journey (o Morgenstemning, de Edvard Grieg).

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

E por que não lembrar a belíssima cantoria generalizada promovida pelo curto "easter egg" na forma do hino soviético (hoje também o hino nacional da Federação Russa) no meio de Stalingrad? A faixa trata da sangrenta disputa travada às margens do rio Volga na batalha de Stalingrado, com direito a Tornillo empunhando uma bandeira brasileira à moda dickensoniana (sobre o episódio histórico, o redator indica o livro Stanligrado, de Anthony Beevor, publicado em português). Por alguns segundos o Carioca Club lembrou a clássica cena do início de Rocky IV.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O novo ACCEPT, contudo, não fala só de história. Dying Breed é uma ode ao rock e ao metal que Tornillo dedica a Lemmy. Com a inteligência de quem não se leva 100% a sério, a música que fala sobre a bandeira do metal que foi hasteada à meia-noite carrega um trecho instrumental muito semelhante a Go West do Village People e que ganhou notoriedade nos anos 90 com os Pet Shop Boys, virando canto nas arquibancadas dos estádios ingleses desde então. Espirituosidade mais que bem-vinda.

O grande momento da noite, contudo, começa com o folclórico tema "Ein Heller und ein Batzen" nos alto-falantes para introduzir Fast as a Shark, o Australopithecus daquilo que ficou conhecido anos depois como power metal. Se foi a primeira canção do gênero, isso pode ser debatido, mas seu lugar como porta-bandeira de todo uma vertente da música pesada não pode ser negado.

Duas horas depois, e para ter a certeza de que a ultima gota de suor do público fora extraída depois de verdadeiros axiomas do metal como Princess of the Dawn, Metal Heart (depois de um show do ACCEPT o caminhão de gás passa a ter outro significado...) e a catártica e expurgante Son of a Bitch (e seu edificante refrão de valor terapêutico para quem trabalhou e enfim chegou enfim ao fim de um extenuante dia de expediente), a banda fecha a apresentação com seu maior sucesso, Balls to the Wall, o golpe de misericórdia.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O ACCEPT provou mais uma vez ao publico paulistano que tem a experiência de banda veterana, o frescor e o apetite de novatos e, mais importante, consegue transmitir a energia desse terror teutônico para além do palco. Às nove da noite, para muitos ainda era cedo para ir para casa numa sexta à noite de tanto calor e, pela satisfação estampada nos rostos dos fãs, muitas mesas de bar foram dedicadas à rememoração dessa que foi uma das melhores noites de metal de 2016.

publicidade

Algumas notas finais:

A apresentação teve início pontualmente às 19h com previsão de término às 21h, o que ocorreu com precisão cirúrgica. O motivo? O Carioca Club tinha sua tradicional noite de samba programada para iniciar às 23h com expectativa de casa cheia. Em tempos de intolerância e exaltação generalizada, fica o registro de que com civilidade e alguma organização dois eventos completamente distintos podem ocorrer no mesmo lugar na mesma noite sem problemas.

Numa nota um pouco mais técnica, a iluminação do palco era generosa, com direito a canhões frontais de luz instalados ao fundo dos camarotes da casa (fato pouco usual em shows no Carioca Club). Levando-se em consideração que Wolf Hoffmann é ele próprio fotógrafo profissional, este fotógrafo supõe que o líder da banda nutra algum sentimento de empatia pelos profissionais que fotografam o show. Partindo do princípio de que seja esse o caso, fica o agradecimento a Herr Hoffmann pela iluminação abundante.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Setlist:

Stampede
Stalingrad
Hellfire
London Leatherboys
Living for Tonite
Restless and Wild
Midnight Mover
Dying Breed
Final Journey
Shadow Soldiers
Starlight
Bulletproof
No Shelter
Princess of the Dawn
Dark Side of My Heart
Pandemic
Fast as a Shark
Metal Heart
Teutonic Terror
Son of a Bitch
Balls to the Wall

Accept é:
Wolf Hoffmann - Guitarra
Peter Baltes - Baixo
Mark Tornillo - Voz
Uwe Lulis - Guitarra
Christopher Williams - Bateria

(com o agradecimento à Free Pass pelo credenciamento)

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal


Outras resenhas de Accept (Carioca Club, São Paulo, 08/04/2016)

Accept: Apresentação impecável da melhor banda veterana na ativa