Nightwish: O primeiro show da turnê, bem melhor que o do RIR

Resenha - Nightwish (Praça Verde do Dragão do Mar, Fortaleza, 23/09/2015)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A banda finlandesa NIGHTWISH está no Brasil para cinco apresentações e Fortaleza foi a primeira parada. A banda, formada atualmente pelo guitarrista Emppu Vuorinen, o baixista Marco Hietala, o baterista Kai Hahto, o tecladista Tuomas Holopainen, a holandesa Floor Jansen e pelo multi-instrumentista Troy Donockley, está rodando o mundo divulgando "Endless Forms Most Beautiful", seu lançamento mais recente. De Fortaleza, o sexteto vou para o Rio de Janeiro, onde apresentou-se com Tony Kakko (SONATA ARCTICA) no Palco Sunset do Rock in Rio. Em seguida, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre teriam a vez de recebê-los. Conferimos o primeiro show desta turnê e contamos aqui como foi.

JACK THE JOKER

Estacionar nas proximidades do Dragão do Mar está se tornando cada vez mais complicado. O governo do estado deve, urgentemente, procurar soluções para o local tanto em relação ao espaço quanto em relação à segurança. Já comentei sobre isto em shows anteriores, mas o problema continua. E isto, aliado à enorme fila para trocar ingressos de familiares, nos fez perder boa parte do show da JACK THE JOKER. Felizmente, sabemos que teremos outras oportunidades de conferir o som cheio de técnica e feeling do quinteto cearense de metal progressivo. Raphael Joer (Vocal), Felipe Facó (Guitarra), Lucas Colares (Guitarra), Lucas Arruda (Baixo) e Vicente Ferreira (Bateria) continuam divulgando o muito bem produzido "In The Rabbit Hole", seu álbum de estreia. Mas ainda pudemos ver (e também lá na Lagoa de Messejana, Iracema podia ouvir) Vicente Ferreira fazendo o que sabe fazer na bateria: detonando.

HEAVY METAL ALL STARS CEARÁ

O segundo ato daquela noite foi formado por um dream team de músicos de metal do Ceará, todos componentes de outras bandas de metal como FINAL PROPHECY e ARCHARD, alguns deles professores renomados no mundo da música no Ceará. Maiores informações sobre a banda na matéria abaixo.

E se o IRON MAIDEN toca com três guitarristas, a HEAVY METAL ALL STARS CEARÁ conta com três vocalistas, todos empunhando o microfone e se revesando em todas as músicas (não havia entra e sai de músicos, todos cantavam todas as canções). João Júnior (FINAL PROPHECY e TOTAL ECLIPSE), Graça Santos (ARCHARD, HATTORI HANZO) e Rivas Silva (ex-aliance, professor de canto na Guitartrix) integram-se perfeitamente e dividem vocais como Smith, Gers e Murray dividem solos.

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

E Cesário Filho não pode receber outro adjetivo senão animal. O guitarrista fazia solos impossíveis do IRON MAIDEN (mesmo sem um colega para fazer a guitarra-base), HELLOWEEN, ANGRA e DR. SIN. O repertório consistia apenas de covers (das bandas citadas e outras) e inevitavelmente levantaram mais a galera principalmente quando tocaram "Flight of Icarus" e "The Trooper", do IRON MAIDEN. Nem queira saber como vai ser quando o sexteto britânico finalmente pousar no Pinto Martins. "Eagle Fly Free", do HELLOWEEN, "Nova Era", do ANGRA e "Fire", do DR. SIN, entre outras, também fizeram parte do setlist.

NIGHTWISH

Pontualmente 22:00, nem um minuto a mais ou a menos, as milhares de pessoas que estavam na Praça Verde naquela quarta-feira começou a "estremecer diante da beleza" das canções dos finlandeses do NIGHTWISH. Ainda como um quinteto, neste início, sem a presença de Troy Donockley no palco, a banda abriu o show com "Shudder Before The Beutiful" (o trocadilho ali em cima foi inevitável). "Muito obrigada", agradeceu Floor em português, para emendar em inglês "é fantástico estar aqui com vocês hoje à noite" e seguir com "Yours Is An Empty Hope". A canção, que já é uma das mais fortes de "Endless Forms Most Beautiful", o álbum mais recente e primeiro na voz de Floor, ganha ainda mais força ao vivo.

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Muitos gritos vem do público logo que os primeiros acordes de "Ever Dream" são tocados. E é o público que fica à cargo da intro da canção, junto com Floor e Tuomas, para em seguida receber com pulos "She Is My Sin". "Wishmaster", que a banda não tem tocado ultimamente foi a primeira surpresa da noite para quem tem acompanhado o repertório da turnê de divulgação do "EFMB". A canção fez a alegria dos "wishapprentices" na Praça Verde.

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Como atração principal da noite, a banda pode ficar bem mais à vontade do que se veria dois dias depois, no Rock In Rio. Emppu também tomou o microfone para saudar os fortalezenses com um "boa noite, belos brasileiros". E é para a celta "My Walden" que Troy finalmente aparece. É lindo vê-lo tocando gaita de fole, algo bem raro por estas bandas, e o público soube reconhecer a beleza do momento.

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

A parte mais folk que sinfônica do show continuou quando Marco ficou sozinho no palco. "Agora que meus amigos saíram do palco, eu pensei em falar algo sujo, mas, não farei pois sou educado", brincou o baixista de longas tranças na barba. "Agora eu tenho que entretê-los sozinho. Se eu fizer o refrão vocês cantam comigo?", perguntou. E o público acompanhou "The Islander" num momento que estava tão bonito que o retorno dos amigos ao palco chegou a ser má notícia. "Marco, Marco, Marco", gritava a plateia ao fim da canção.

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

"Élan", primeiro single do novo álbum, foi a próxima e estava na boca do público, tanto que Floor ofereceu o microfone à plateia (e nem era no refrão). Depois da muito poderosa e cheia de orchestra hits "Weak Fantasy", Floor lembrou que era bom estar de volta ao Brasil, mas era a primeira vez de Kai, o baterista, além de declarar que "7 Days To The Wolves" era uma das canções favoritas da banda.

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Chega a hora de "Storytime", uma das melhores na voz doce de Anette Olzon, mas que também ficou muito bem na voz da gigante Jansen (aprende, Adam Lambert). E em "I Want My Tears Back" é impossível olhar para mais alguém além de Troy e seus instrumentos incomuns.

"Vocês gostariam de ouvir uma canção golden oldie, uma canção que não tocamos há dez anos e trouxemos de volta para esta turnê", pergunta Floor antes de "Stargazers". Desnecessário dizer que os fãs adoraram. E, à despeito da justa ou injusta alcunha de frios dos nórdicos, a banda também parecia estar se divertindo bastante, empolgada com a turnê que se iniciava em solo sul-americano naquela noite. Marco e Emppu brincam um com o outro como se estivessem aprendendo a tocar. "Olha o que eu já sei fazer. Tu nem sabe", é como se dissessem um pro outro. E Emppu toca tanto que fica com a mão doendo. Há relatos de que Tuomas toca sorrindo e de olhos fechados, mas não pude verificar isto. Floor bangueia ferozmente. E Kai está sensacional.

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Tuomas colou o finalzinho de "Stargazers" em "Sleeping Sun". Uma das mais belas composições do NIGHTWISH só poderia resultar num dos momentos mais belos do show. Na canção, Floor mostra a diversidade de seu talento. Já tinha sido doce, já tinha sido agressiva, já tinha até feito guturais. Agora, não desaponta no canto lírico que sua primeira antecessora também sabia fazer tão bem. E os fãs queriam que aquela noite durasse a vida inteira. Mas a vida é uma loteria. Estar vivo é uma loteria. Estar ali era uma loteria e aqueles sortudos o suficiente para tanto conferiram um dos maiores shows na terra (pelo menos na terra de Raquel de Queiroz e José de Alencar). O show de luzes, que até ali tinha sido espetacular, com canhões multi-coloridos sincronizados com o clima das canções dá lugar à escuridão total no interlúdio do segundo e terceiro capítulos de "The Greatest Show On Earth". Coincidentemente, enquanto o que se ouvia era apenas o som de bestas enfurecidas, até a Lua escondeu-se atrás das nuvens. O rio desembocou apoteoticamente no coro ensurdecedor "We Were Here". Sim. Tínhamos estado ali, os vencedores na loteria da boa música.

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

O show estava arrematado. Mas a banda ainda reservara "Ghost Love Score" e "Last Ride of The Day" para o final. "Ghost Love Score" teve seu clímax com todos os braços levantados para o ar, enquanto em "Last Ride..." os braços que se levantavam eram os dos membros do NIGHTWISH, empunhando uma bandeira do Brasil. E se a Praça Verde não estava completamente lotada, talvez jamais tivesse reunido tantas pessoas assim em plena quarta-feira. Tendo começado tão pontualmente e terminando pouco antes da meia-noite, trabalhadores e estudantes (ou seja, todo mundo) nem precisaram se preocupar tanto com a quinta-feira seguinte. Se morássemos em uma cidade com melhores governantes, que privilegiassem mais o transporte público ao invés de investir em soluções paliativas ineficazes (de que adianta corredor exclusivo de ônibus quando não tem ônibus ou estações de bicicletas na cidade inteira quando não há segurança) a preocupação seria ainda menor. Mas, eu divago.

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Alguns sucessos novos e antigos ficaram de fora. "Alpenglow" que tem marcado presença na turnê cedeu lugar a algumas das surpresas já mencionadas. Estranhamente, até a canção que dá nome ao disco, "Endless Forms Most Beautiful" não tem sido executada nos shows mais recentes, o que jamais deixará de ser controverso. "Amaranth" e "Wish I Had An Angel" já tinham sido tocadas da primeira vez que o NIGHTWISH visitou a capital alencarina, mas bem que poderiam aparecer novamente. E conferir "Bless The Child" continua sendo um sonho. A possível participação de Tony Kakko, do SONATA ARCTICA, ficou reservada mesmo apenas para o Palco Mundo. Ele, assim como todo o público da Praça Verde, podia ser visto no canto à esquerda do palco, mas apenas como mais um mero espectador.

Depois de Santa Maria, é importante mencionar quando há nas produtoras o cuidado com a segurança e a escalação de equipes de bombeiros e paramédicos. Na verdade, isto nem deveria ser mencionado, deveria ser comum, mas, como ainda há deficit, que a menção seja feita. A brigada estava lá, de prontidão. Além disso, a 4U e a Phoenix estão de parabéns pelo arrojado show em plena quarta-feira, pelo cuidado que tiveram ao realizá-lo, pela pontualidade, por algumas ações midiáticas até então inéditas na cidade em shows de metal e por se tornar, show após show, mais dois nomes com os quais os bangers de Fortaleza podem contar sempre que grandes bandas estrangeiras anunciarem turnês latino-americanas. A troca de ingressos merece ser revista, mas não chegou a macular o show principal. Nos vemos dia 18 de outubro, no Armazém, para o show de Tarja Turunen.

Foto: Gandhi Guimarães (Arquivo Underground)

Nós estivemos aqui.

Agradecimentos:

Jonatan Oliveira e Nathiel Silva, da Produções 4U e Phoenix Produções, pela atenção e credenciamento
Gandhi Guimarães, pelas fotos que ilustram esta matéria.

Setlist

1. Shudder Before the Beautiful
2. Yours Is an Empty Hope
3. Ever Dream
4. She Is My Sin
5. Wishmaster
6. My Walden
7. The Islander
8. Élan
9. Weak Fantasy
10. 7 Days to the Wolves
11. Storytime
12. I Want My Tears Back
13. Stargazers
14. Sleeping Sun
15. The Greatest Show on Earth (só capítulos II e III)
16. Ghost Love Score
17. Last Ride of the Day

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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