Ratos de Porão: E tem banda que corta música do setlist...
Resenha - Ratos de Porão (Beach Club, Fortaleza, 07/02/2015)
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Postado em 23 de fevereiro de 2015
Após cerca de um ano, o ícone do crossover nacional, RATOS DE PORÃO, volta à Fortaleza, novamente através da Underground Produções, para incendiar a Praia de Iracema. Desta vez, o quarteto paulista também aproveitou para divulgar "Século Sinistro", considerado um dos melhores álbuns lançados em 2014 mesmo por veículos não especializados em música pesada. Confira abaixo como foi o show no Beach Club.
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FLAGELO
A primeira banda da noite foi a FAIXA DE GAZA. Infelizmente, os festejos que antecedem o período momino já foram suficientes para transformar aquela região de Fortaleza em um bairro paulistano, às 7 da manhã. Terei de esperar outra oportunidade para contar-lhes como é um show da FAIXA DE GAZA. Felizmente pude ver todo o show da FLAGELO, banda de thrash metal que já abriu para nomes como DESTRUCTION e BYWAR. Com a competência de sempre, o baixinho Elineudo Morais se agiganta no palco enquanto seus colegas mandam ver na bateria vigorosa, baixo marcante e guitarra despejando bons riffs e solos. "Ódio", "Velha Maria" e "Vale de Horrores" são algumas das boas musicas da banda, que tem duas demos que merecem ser conferidas, mas ainda deve um full length ao seu público. "Necrofilia", a faixa que dá nome a uma delas é um espetáculo à parte. Já tive a oportunidade de conversar com Elineudo na entrevista que você confere no link abaixo.
BETRAYAL
O thrash metal veloz, bruto, nervoso da BETRAYAL veio em seguida para por fogo no centro da platéia em um mosh incontrolável. E por falar em mosh pit, a banda aproveitou a oportunidade para gravar o clipe para "Destroying In The Mosh Pit"". Quando este for ao ar, as imagens mostrarão um publico insano, diante de uma banda tocando insanamente. Até mesmo o vocalista Wolney Mendes, cuja voz não esconde a forte influencia de Tom Araya, resolveu pular com guitarra e tudo no meio da galera. Assim como a atração principal da noite, a BETRAYAL também buscou inspiração nas manifestações de junho de 2013 para uma música. Trata-se de "All To The Fight", que estará no novo CD e também esteve no show do quartetos. Entregando-se totalmente ao thrash metal, na mesma medida que o público, a BETRAYAL terminou o show com "Thrash Aggression" (e mais um stage dive de Wolney, desta vez sem a guitarra.
RATOS DE PORÃO
Como mencionamos, "Conflito Violento" é a música dos RATOS que retrata as manifestações de junho de 2013. E é ela que recebe a missão de abrir o show. O impressionante é que, apesar de ser uma música nova, o petardo já estava na voz de todo o público, que cantou junto com Gordo o tempo inteiro. Depois de mais uma do disco novo, "Viciado Digital", o front man se dirigiu ao público: "Boa noite, molecada de Fortaleza. RDP 2015. Quem diria? Chegamos até aqui e 'tamo vivo'. E estamos no futuro". E disparou: "Música nova não interessa. O que interessa é música de disco 'veio'". Foi a deixa para despejar 'crássicos' como "Ascensão e Queda" e "Crucificados pelo Sistema", levando o público à loucura. A resposta da banda para a empolgação dos fãs foi tocar "Herança" de uma forma que pareceu ainda mais suja e agressiva.
E a sujeirada continuava, alternando sucessos antigos como "Morrer", "Cérebros Atômicos", "Arranca Toco", "Atitude Zero" e "Difícil de Entender" com novas porradas como "Grande Bosta", sobre a qual Gordo disse: "Essa música é do 'Século Sinistro', é pra quem vive por futebol, chora por futebol, dá a bunda por futebol. Futebol é uma grande bosta". A cada duas ou três músicas, Gordo disparava mais algum dos seus comentários ácidos. "Com todo o respeito aos gays e as meninas, a gente gosta é de buceta". E sobre a longevidade do RATOS DE PORÃO: "Não sei por quanto tempo o tiozinho vai poder fazer esse tipo de música pra vocês. Mas vai vir alguém pra substituir o RATOS, o KORZUS. Tem um pouco da gente em vocês". A essa altura, o público, completamente exaurido pela entrega ao hardcore/punk/thrash metal, também já dava os primeiros sinais de cansaço, facilitando até o trabalho dos seguranças contra a grade, mas uma boa quantidade de heróis encarregava-se de manter o mosh vivo, dando razão às palavras de Gordo.
E se a língua de Gordo não tem freio, a guitarra de Jão também não. O mito dos quatro acordes do punk passou foi longe das seis cordas do guitarrista, que fazia chover notas em solos rápidos e riffs mortais. O músico, cuja admiração por minha parte cresce a cada dia, e o baixista Juninho também pareciam estar competindo pra ver quem pulava mais, enquanto Boka destruía tudo na bateria.
E enquanto tem banda que fica de mimimi e corta músicas do setlist, o RATOS DE PORÃO não quer nem saber. O papel no chão do palco também servia apenas como referência. Além das que estavam na lista, muitas músicas que originalmente não estavam lá foram tocadas pelos RATOS DE PORÃO. Pude reconhecer a "You Suffer" do RATOS, "Caos", em meio a todo aquele, lá vai um trocadilho, caos. "Work For Never" também deu as caras (faltou só o costumeiro anúncio de "os mais punks do mundo", que já faz parte da música, em referência ao E.N.T.) "Diet Paranoia" foi anunciada como uma música sobre preconceito, mais especificamente contra os gordos. "Nesse mundo de merda, gordo não é gente", reclamou meu colega gordo João Gordo.
Com sua primeira estrofe recitada, "Igreja Universal" botou fogo de novo no Beach Club, que tinha bastante espaço para uma boa roda. "Aids, Pop, Repressão", com um começo meio funkeado foi outra que fez o público explodir. Ainda teve até um trecho de "Brasileirinho" na guitarra de Jão no meio da confusão. A primeira parte do show ainda contou, entre outras, com "Progreria of Power", "Stress Pós Traumático" (ambas do disco novo), fechando com "Plano Furado".
O quarteto voltou ao palco para um rápido bis com "Sofrer", "Crise Geral" e "Realidades da Guerra". "Voltamo porque quisemo", declarou Gordo antes de arrematar para petralhas, coxinhas e todo mundo: "Atenção, Fortaleza, nada muda e nunca vai mudar". Foi mais uma vez um excelente show em Fortaleza de uma banda que comemora trinta anos e cujas letras, infelizmente, ainda serão atuais daqui a outros trinta anos, quando outros petralhas ou outros coxinhas (ou alguma outra corja tão ruim quanto estas duas) estiverem em Brasília.
Agradecimentos: Underground Produções, pela atenção e credenciamento.
Helena Braga e Chris Machado, pelas fotos que ilustram esta resenha.
FLAGELO (Elineudo - vocal, Mustaine - guitarra, Leo - baixo, Johny Masterhead - bateria)
1. Flagelo
2. Ódio
3. Guerreiros da Morte
4. Supremo Poder
5. Tortura
6. Velha Maria
7. Vale de Horrores
8. Necrofilia
9. Aniquilar
10. Conflitos
11. Pesadelo
BETRAYAL (Wolney - vocal/guitarra, Franzé - guitarra, Fabiano - baixo, Sula - bateria)
1. TxMxCxE
2. 1964
3. Straight and Raw
4. Extreme Pain
5. Destroying in the Mosh Pit
6. Human Destruction
7. All To The Fight
8. Thrash Aggression
RATOS DE PORÃO* (Gordo - vocal, Jão - guitarra, Juninho - baixo, Boka - bateria)
1. Conflito Violento
2. Viciado Digital
3. Ascensão e Queda
4. VxCxDxMxSxAx
5. Crucificados Pelo Sistema
6. Anarkophobia
7. Vida Animal
8. Grande Bosta
9. Morrer
10. Não Me Importo
11. Cérebros Atômicos
12. Difícil Entender
13. Arranca Toco
14. Atitude Zero
15. Stress Pós-Traumático
16. Diet Paranóia
17. Crocodila
18. Igreja Universal
19. Beber Até Morrer
20. Aids, Pop, Repressão
21. Plano Furado I
22. Amazônia, Nunca Mais
23. Terra do Carnaval
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