Paul Gilbert: muitos usam metrônomo, o melhor está dentro de você

Resenha - Paul Gilbert (Teatro do IBEU, Fortaleza, 14/04/2014)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Esta semana, Fortaleza recebeu um dos maiores e mais carismáticos guitarristas do mundo. Não, não estou falando do trio que acompanha Mr. Axl Rose, que, embora competentes, não tem tanta estória pra contar e nem um milésimo do imenso carisma de PAUL GILBERT (ou Paulo Gilberto, como muitos de nós acabamos nos habituando a chamá-lo). Mais uma iniciativa do Guitar Meeting, capitaneado por João Paulo Saraiva, e da Escola de Guitarra Luciano Alf, o Teatro do IBEU, ficou com seus dois pavimentos completamente lotados de guitarristas, apreciadores das técnicas das seis cordas e este redator (que toca teclado muito, muito mal).

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Iniciando com o agradecimento aos patrocinadores que apoiaram a ideia e fizeram com que mais um evento fosse possível (Rafa's Tour, Duetos Escola de Música, GuitarShopCE, Casa dos Relojoeiros, Fire Custom Shop, Case Music, Donna Música, Guitartrix, entre outros), o cicerone João Paulo Saraiva apresentou "Galera, com vocês, Paul Gilbert", quando subiu o palco a figura alta e simpática.

Ao contrário do que é comum em workshops, Paul Gilbert começou o show sozinho na guitarra, apenas com um pedal de loop, sem baixo e baterias pré-gravados. A percussão era feita com palmas da própria plateia que acompanhou uma longa improvisação que incluiu, sem aviso, "To Be With You", maior sucesso do MR. BIG, cantada por todos os presentes.

Antes de se dirigir a todos os presentes, Paul Gilbert brincou com João Paulo (que é também guitarrista da HOLLYWOOD DAYZ e toca músicas do WHITESNAKE) que tocaria uma música da banda de David Coverdale e que o anfitrião deveria corrigi-lo se não estivesse certo. Ao público ele agradeceu por recebê-lo e pediu palmas para o tradutor Anderson.

"Há dois anos, decidi começar com uma escola de guitarra online, onde temos aulas individuais. Todo mundo sabia sobre escalas e acordes, mas pecavam em algumas coisas. São essas coisas que eu vai mostrar hoje", disse.

"Mesmo tocando com uma corda, é preciso controlar as outras cinco, especialmente se você toca rock, onde é comum usar muita distorção", completou. E mostrou, com exercícios, cinco técnicas de controlar as outras cordas. Obviamente, não poderemos (nem adiantaria) detalhá-las aqui. Para saber mais, compareça aos workshops na sua cidade. No momento desta postagem, PG já realizou workshops em Salvador, João Pessoa e Recife. Em 22 de abril ele estará em Florianópolis e segue se apresentando pelo Brasil até 3 de maio, em Cachoeira Paulista. Confira todas as datas abaixo:

Músicos modernos costumam fazer apenas a quinta técnica (que consiste basicamente em tocar da forma mais apurada possível), mas as quatro anteriores dão muito mais liberdade para quem toca rock.

Depois de tocar mais uma canção, Paul Gilbert continua: "meu primeiro estilo foi o Heavy Metal. Aprender a tocar outros estilos foi um desafio, pois, pare estes, eu tinha que trocar de acordes. A grande descoberta que fiz é que dá pra tocar acordes menores e fazer bendings, transformando em maiores". E demonstrou como fazia isso.

"Tenho ensinado muito tempo como tocar rápido, mas da forma errada. Peço desculpas. O segredo para tocar muito, muito rápido está em como começar. Podemos começar tocando sempre com palhetadas pra baixo. Depois, podemos passar para palhetada alternada interna. Então, passamos para palhetada alternada externa. O segredo está em combinar o upstroke com downbeat. E depois fazer pull off". Enquanto explicava, Paul Gilbert ia aumentando a velocidade, mas fazendo tudo parecer extremamente simples, até mesmo um som do VAN HALEN.

Passando para as questões do público, ao ser perguntado se ele tem tido contato com os outros ex-membros da RACER X e se há chance da banda voltar, Paul Gilbert, respondeu que os tem visto, mas depois da turnê solo vou voltar a tocar com o MR. BIG. Não teve tempo para pensar nisso, mas que tem feito músicas de metal, então, a possibilidade existe, mas não é algo para um futuro próximo.

Ele também respondeu se acha algum estilo mais desafiador comentando que, quando criança, gostava de BEATLES e ELTON JOHN e que ficou feliz quando conseguiu tocar coisas do LED ZEPPELIN. Uma das coisas que aprendeu com VAN HALEN foi como pegar um acorde simples e arpejá-lo, fazendo parecer mais pesado. Ele também comentou que quando passou a escutar muitas músicas com piano, tinha inveja de pianistas. "Aos 20 anos, eu queria aprender acordes de piano na guitarra". Essa revelação antecedeu um dos momentos mais belos (de muitos) do workshop, quando Gilbert tocou "Goodbye Yellow Brick Road", de ELTON JOHN, na guitarra.
E trechos de BEACH BOYS e "My Love", de PAUL MCCARTNEY. "Este acorde (algo como C#m/B mudou minha vida", disse.

Gilbert contou que aprendeu muito com clarinetistas e mencionou que o próprio pai dos irmãos VAN HALEN também era clarinetista. Além disso, fez experimentações com jazz (mostrando que apenas bastava mudar uma nota da pentatônica para soar jazzy). Enfim, assim como GUTHRIE GOVAN (outro visitante ilustre do Guitar Meeting) já tinha dito anteriormente, apenas tentava tocar o que ouvia em sua cabeça.

Um dos momentos mais esperados é o que vem a seguir. Como de costume, PAUL GILBERT chama seus "alunos vip" para uma jam. No Ceará, três guitarristas teriam essa sorte. O primeiro, Cesário Filho, guitarrista da MAGNUM OPUS (banda cover de MALMSTEEN), ganhou a oportunidade por ser o mais votado em um concurso promovido pela GuitarShopCE e Duetos. Para estar ali, desbancou nomes de peso como Wilton Bezerra, da COLDNESS (sobre quem já comentei aqui no Whiplash) e outros três exímios instrumentistas. Sua participação não pode fugir de adjetivos como belo e emocionante.

Em seguida (e com um trecho de "Technical Difficulties"), Tiago Pinto, que toca na MERCILESS (uma banda cover do próprio MR. BIG). Além de tocar, Paul ainda dava pulos e exigia que seu aluno vip fizesse o mesmo. O último a ter a honra de se comunicar com Paul Gilbert através da guitarra foi o potiguar William de Oliveira, da banda FACTOR 7. Cada um recebia a palheta de PG e fazia questão de dar a sua. Entre um e outro, Paul ainda fez questão de tocar um trecho de Brasileirinho.

Voltando a atenção para a plateia, Paul Gilbert comentou que uma das coisas importantes que aprendemos é que é preciso saber tocar e pular. Muitos músicos tocam com metrônomo, mas o melhor metrônomo é aquele que está dentro de você (apontando para o coração). E, sempre que possível, é bom bater o pé. "Esta é uma das razões por que eu amo Angus Young", brincou.

De volta às questões, agora sobre o novo álbum do MR. BIG, se será como "What If...", Paul respondeu: "é um segredo!

"Nós vamos pro estúdio e é muito imprevisível, muito orgânico, nós só sabemos quando terminamos". Paul também comentou que também gosta muito de tocar com outro monstro da música, o baterista Mike Portnoy (que tocou algumas canções em seu novo álbum).

Sobre o processo de composição, Paul Gilbert esclareceu que logo que recebe um deadline da gravadora, seu coração começa a bater e ele começa a escrever e que se sente melhor guitarrista que compositor.

Sobre música brasileira, ele declarou que sua esposa ama bossa nova e, por esta razão, ele costuma ouvir muito o estilo em casa, mas que também gosta dos medalhões do jazz dos anos 60. E pediu recomendações de artistas brasileiros.

Para concluir seus ensinamentos, Paul reconheceu que é famoso por palhetar muito rápido. E deu mais dicas sobre como palhetar da mesma forma. "É importante a dinâmica, alternar palhetadas fortes e fracas. Não importa o quão rápido você seja e sim o controle do volume da nota. Outra coisa importante é como encerrar quando você está tocando rápido. Você precisa de formas de escapar", disse, sempre acompanhado por exemplos. Depois de cerca de duas horas de ensinamento e música (e alguns autógrafos, até mesmo na barriga de uma gestante), todos voltaram pra casa bem felizes por ter partilhado aquela noite com o senhor grandalhão Paulo Gilberto.

Veja mais fotos do Workshop no link abaixo:

https://www.facebook.com/media/set/?set=oa.383347775137716&t...

Agradecimentos a João Paulo Saraiva, pela atenção e credenciamento, e a Gandhi Guimarães, pelas magníficas fotos.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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