Andre Matos: a segunda vez a gente nunca esquece

Resenha - Andre Matos (SESC Rio Preto, 24/11/2013)

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Por Samuel Coutinho
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Depois de ter conseguido presenciar o show histórico de reunião do VIPER em São José do Rio Preto, pouco mais de um ano, uma segunda oportunidade surgiria logo de surpresa, e na mesma cidade. Mais uma vez São José do Rio Preto recebeu, desta vez com sua banda solo, o melhor vocalista do Brasil, Andre Matos. Dando uma rápida olhada em alguns banners aqui mesmo no Whiplash.net, me deparei com um que mostrava as últimas datas da turnê de Andre Matos em divulgação ao seu mais novo álbum solo, "The Turn of the Lights", juntamente com a performance comemorativa dos 20 anos do primeiro álbum do ANGRA, o "Angels Cry".

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Fotos: Ederson Leão

Me pegando de surpresa, assim como o show do Viper, fiquei sabendo que Andre Matos passaria por Rio Preto novamente, não me contive, logo fui pegar informações do show. Surpresas não paravam de aparecer, pegando as informações, percebi que o show seria em um horário compatível - já que moro quase 300km de distância da cidade, em um fim de mundo chamado Ilha Solteira. O show aconteceu em um domingo (dia 24 de novembro) e para a minha alegria o show estava marcado para começar às 17h, horário que me permitiu curtir o show a vontade sem me preocupar com a hora de voltar pra minha cidade. Peguei meu golzinho, minha esposa e colocamos o pé na estrada.

Andre Matos se apresentou no SESC Rio Preto, como parte da mostra estudantil (Im)Pulso 2013, encerrando o evento. A fila para o show dava voltas por todo o local, já que se tratava de um clube. Pessoas e mais pessoas chegavam e não sabiam onde terminava a fila. Mas logo logo, depois dessa jornada, as portas se abriram e todo mundo pôde se acomodar em seus lugares, um ginásio...perfeito. Depois de uma introdução bizarra, a banda entra em cena para dar início a apresentação, a primeira música foi "Liberty", faixa inicial do mais recente álbum solo de Andre Matos.

Dando uma variada em seus álbuns, a segunda música foi "I Will Return", do álbum "Mentalize". A canção grudenta foi seguida por mais uma do "The Turn of the Lights", a faixa "Course of Life" agitou tanto a galera, devido a sua velocidade, que só fez aumentar o calor do local. Como uma porrada, os músicos logo emendaram "Rio", animando ainda mais o público, por ser um clássico e por ter tudo a ver com o nome da cidade - Rio Preto.

Com uma bela introdução do show, afinal a festa estava só começando, Andre Matos e companhia tocaram a faixa título do álbum "The Turn of the Lights", mais uma faixa que já estava na ponta da língua do público. Andre Matos, Hugo Mariutti, André Hernandez, Rodrigo Silveira e Bruno Ladislau puderam ver como o calor e a alegria de seus fãs fizeram o show realmente ser um momento especial, valendo cada segundo, tanto para os músicos quanto pra galera. Banda e plateia, ambas desempenharam um grande show, uma ótima retribuição para os dois lados.

O set-list do show estava tão perfeito que logo após um pequeno silêncio no palco, eis que surge a bela introdução de "Fairy Tale". Relembrando os velhos tempos do SHAMAN, não houve nem uma alma sequer naquele lugar que não colocou pra fora o sentimento que a música transmite. Para acalmar os ânimos, "Stop!" foi usada para dar um fôlego a mais, afinal com um set-list destes, você realmente fica sem ar.

Lembrando que durante a execução dessas músicas, tivemos espaço ainda para o solo de bateria do grande Rodrigo Silveira, que deixou todos concentrados com sua técnica. Com a intenção de deixar todo mundo com mais sede de metal, "Lisbon" do álbum "Fireworks" do Angra, matou a pau. Presenciar o vocalista original do Angra cantando uma música de sua fase na banda, pela primeira vez na vida, confesso que estou me arrepiando até agora. Um momento pra ficar na memória. Sem perder o foco de seu álbum solo, Andre continuou com "On Your Own". Pra encerrar a primeira parte do show, nada mais nada menos do que "Living for the Night" do Viper, para incendiar ainda mais o lugar. Não falei que o set-list estava foda?

Ainda durante uma pequena pausa no hit do Viper, houve um pequeno bate papo de Andre Matos com "Faustão" e "Marília Gabriela", quem estava lá sabe do que estou falando. Depois da conversa, Andre olha para o "imitador" e manda essa: "Quer saber de uma coisa?...[continua a música]". Encerrando de forma bem humorada a primeira parte.

Chegou o momento que boa parte do público esperava, um momento para entrar pra história. O momento em que teríamos o vocalista original do Angra, interpretando o álbum de estréia da banda, o aclamado "Angels Cry". Depois da primeira parte do show encerrada, algumas pessoas resolveram descansar, ir ao banheiro, relaxar um pouco. Foram alguns minutinhos de impaciência, quando resolvi me sentar um pouco, ali mesmo na pista, depois de alguns segundos a magnífica "Unfinished Allegro" se inicia. Só aquelas primeiras notas já foram o bastante para todo mundo restaurar as energias, pois o gran-finale estava por vir.

A pequena arquibancada que tinha ali do lado da pista, que estava até bem ocupada, se esvaziou rapidamente, afinal, "Carry On" já era a esperada. Mais uma vez, eu não estava acreditando no que meus olhos e ouvidos estavam contemplando. Finalmente, finalmente, pela primeira vez em minha vida, Andre Matos, bem na minha frente destruindo tudo com o repertório completo de um álbum do Angra. "Carry On" foi o golpe inicial, e só de pensar que ainda teríamos "Time", "Angels Cry", "Never Understand", "Street of Tomorrow", "Evil Warning", só para citar algumas, pela frente... sem comentários!

Depois de "Time", a faixa "Angels Cry" foi destaque, resultando até em um pequeno mosh ali no meio da pista. A galera foi ao delírio, até quem tava meio quietinho não aguentou a pressão, ninguém parecia estar cansado e ninguém estava se preocupando com o dia seguinte. A segunda parte do show estava apenas na metade. "Stand Away" era uma das faixas que eu estava ansioso para vê-la ao vivo. Andre Matos, como sempre deu conta do recado, apesar de ser uma música alta, mas o que é uma música alta para Andre Matos? Depois tivemos a sensacional "Never Understand" com aquele solo memorável do final, feito por Hugo e "Zaza".

Confesso que quando chegou a hora de "Wuthering Heights" até fiquei triste. E você deve estar me perguntando, 'Como assim? Ainda tem "Street of Tomorrow" e "Evil Warning", porque você ficaria triste logo agora?'. Eu explico, fiquei chateado pois naquela altura eu sabia que o show já estava pra acabar, mas tá certo, ainda viriam "Street of Tomorrow" e "Evil Warning" pela frente. Depois de Andre Matos ficar "fuçando" os pedais de Hugo, logo se iniciou a poderosa "Street of Tomorrow", que cumpriu a promessa eu já até havia esquecido que o show já estava acabando.

Pra fechar com chave de ouro, "Evil Warning" deu um gás à mais, fazendo com que as 2 horas e meia de show fosse pouco para tanta energia que ainda sobrava. Para finalizar de vez, "Lasting Child" bateu o martelo, mesmo sendo uma música meio chatinha na minha opinião, a canção ainda deixou a galera em êxtase. Enfim, nada atrapalhou este dia que já está marcado na história de qualquer fã, especialmente este que vos escreve. Para quem mora em um lugar que dificilmente recebe grande shows como este, tendo Rio Preto como a cidade mais próxima, é um sonho que eu nunca pensei que conseguiria realizar. Esperando pela próxima fez!

Mais fotos do show de Andre Matos podem ser conferidas no site do responsável pela imagens, Ederson Leão. Acesse edersonleao.com.br e confira.

http://www.edersonleao.com.br/2013/11/show-andre-matos-sesc-...

Set-list do show:

1. Intro
2. Liberty
3. I Will Return
4. Course Of Life
5. Rio
6. The Turn Of The Lights
7. Fairy Tale
8. Stop!
9 .Lisbon
10. On Your Own
11. Living For The Night

-Angels Cry -

12. Unfinished Allegro
13. Carry On
14. Time
15. Angels Cry
16. Stand Away
17. Never Understand
18. Wuthering Heights
19. Street Of Tomorrow
20. Evil Warning
21. Lasting Child




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Sobre Samuel Coutinho

Nascido no interior de SP no dia 15/12/1986, em uma cidade chamada Ilha Solteira, Samuel Coutinho se entregou ao heavy metal logo na adolescência. Seu forte sempre foi o heavy metal melódico, variando desde o prog-metal até ao power-metal.

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