Delain: show para um público fiel e apaixonado em São Paulo

Resenha - Delain (Inferno Club, São Paulo, 24/04/2013)

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Por Diego Camara
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Uma noite mágica e intimista, foi isto que os fãs do Delain puderam receber da banda em sua segunda passagem pelo Brasil. O público reduzido e a demora para início do show não desanimaram Charlotte Wessels e companhia, que mostraram a mesma motivação de três anos atrás e novamente o já conhecido interesse pelos fãs.

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Às 20 horas já um grande número de pessoas fazia uma fila na famosa Rua Augusta, famoso point de entretenimento da capital paulista. A apreensão iniciou-se cada vez mais tempo demorava-se para a abertura das portas, ocasionadas por um problema com relação à organização interna de alocação das pessoas dentro da casa.

Problema resolvido, todos tiveram acesso ao clube e a entrada foi bastante rápida para todos os fãs. Já dentro da casa o clima era de tranquilidade. O show iniciou-se obviamente com um bom atraso, mas nada que tirou a motivação do público, que se levantou e se amontoou na frente do palco quando começou a introdução da música “Mother Machine”, que costuma abrir todos os shows do Delain nesta nova turnê.

A apresentação foi em grande estilo, e seguida por duas músicas rápidas e também conhecidas do público: “Stay Forever” e “Go Away”. As três animaram o publico e abriram o show em grande estilo, mostrando uma vocalista afinada com sua banda e um grupo conciso de músicos extremamente bem treinados.

O show prosseguiu com sua segunda parte, onde se reúnem as músicas mais intimistas. A abertura de “Milk and Honey”, com uma abertura solo de Charlotte Wessels, além do respeito dos fãs que deram silêncio para que ela mostrasse toda a sua capacidade vocal, poderia resumir bem todo o conjunto de músicas que estavam vindo.

“Estamos muito felizes por retornar para o Brasil”, disse a vocalista, entre sorrisos. A apresentação das músicas posteriores também se focou no caráter mais leve do Delain. Destaque para a já bastante conhecida “Pristine”, que emocionou todos os fãs presentes, especialmente com a entrega de Charlotte Wessels e a grande performance de todos os integrantes.

A vocalista, inclusive, foi novamente como em 2010 o grande destaque. Dando tudo de si, ela não tem medo de demonstrar emoção, alegria e um sorriso contagiante nos lábios que torna a vida muito mais bela. Além disso, a beleza do conjunto reside especialmente em sua vontade, que ultrapassa a estética: uma mulher que não tem nenhum medo de suar – ainda, pasmem, coisa muito rara no gênero.

Ela, ainda, demonstrou grande controle do palco em todas as músicas. A plateia aplaudia, cantava, batia palmas e pulava conforme os movimentos dela, como que encantados pelas ordens e dominação de palco da vocalista. Não é de se esperar diferente com um misto tão fantástico de técnica e carisma que parecem brotar, sempre na Holanda.

Apesar de o local ser reconhecidamente inferior ao Carioca Club, a proximidade criada entre o palco e os fãs trouxe um caráter extremamente especial ao show. A plateia próxima pode diversas vezes receber o toque ou a presença da vocalista a menos de metro de distancia o que, para alguns, tornou sem dúvidas o show extremamente superior.

Na parte final do show a banda mudou a guinada das músicas, novamente para os sucessos mais rápidos da banda. Assim se seguiu um conjunto de apresentações que botaram fogo no Inferno Club.

A primeira delas foi “Get the Devil Out of Me”, com um grande destaque para as baquetas Sander Zoer, que dominaram o publico e comandaram a base da música, dando espaço para as estrelas de Timo Somers e Charlotte Wessels brilharem durante toda a apresentação. A sequência prosseguiu com “April Rain”, onde o destaque foi o público, que cantou junto durante toda a música.

O momento inusitado ocorreu quando no meio dos fãs começou um coro chamando a vocalista de “gostosa”. Ela riu, olhando para os colegas de banda, disse: “Não entendo nada que eles estão dizendo”, arrancando olhares de indiferença dos colegas de banda, que igualmente não entendiam. Ela entre risos voltou-se a plateia, perguntando: “Vocês estão querendo dizer que sou ‘nice’?” (trad. Legal, simpática, entre outras). Quando explicaram o que significava ela olhou com espanto para os fãs, ficando extremamente envergonhada, especialmente depois de ter sido enganada por uma das pessoas da plateia. “Bem, obrigada!”, respondeu ela, rindo.

Fechando o show tocaram as já conhecidas “Sleepwalkers Dream” e “Not Enough”, com um toque mais sombrio que marcou o final da parte principal do espetáculo. A plateia, muito bem comandada, respeitou os momentos solos da vocalista com silencio, além de uma animação empolgante nos momentos do refrão, quando tiveram a oportunidade os fãs do fronte de cantarem juntinhos de Charlotte Wessels, que no final agradeceu em português antes da saída da banda do palco.

Voltaram alguns minutos após tocando “Control the Storm”, sendo muito bem recepcionados pelos fãs. Ela é seguida espantosamente por “Babylon”, música que não toca no bis da banda e pareceu meio deslocada na setlist. Mesmo assim, a plateia cantou junto e apreciou novamente a ótima apresentação da música.

Outro ponto alto do show veio com as duas últimas músicas. Sem dúvidas o maior sucesso dos palcos do Delain, “The Gathering” foi tocada com uma explosão da audiência, gritos, pulos e punhos ao ar, uma grande cantoria que contagiou a todos os presentes.

“A última música fala sobre todos nós”, disse Charlotte Wessels para um publico apreensivo. A banda fechou o show então com “We are the Others”, também extremamente bem executada e com um animo extra dos fãs, que parecia todo guardado para explodir nas últimas músicas. O destaque foi novamente a vocalista, que botou uma emoção especial nesta música, demonstrando o quanto ela significa para ela e toda a banda.

O show, em totalidade, não poderia ser nada além de positivo tendo uma banda como o Delain no comando. Um artista pequeno, sem grande apelo de mídia, mas com um público fiel e apaixonado, que é extremamente bem retribuído pelos integrantes, tudo coroado pela beleza e o talento de Charlotte Wessels, que não pode outra coisa a não ser encantar. A apresentação não deveu nada a de 2010 e, apesar de menor, manteve a qualidade e demonstrou porque o Delain cresce em maturidade nos espetáculos como em cada álbum novo produzido.

O destaque negativo fica para o improviso dos camarotes no Inferno Club, que deve ter deixado muitos fãs descontentes. Porém, dado o fato que este se anexava a um “meet and greet” com a banda, creio que muitos o compraram não pela comodidade de um espetáculo mais calmo, mas sim por ter a oportunidade de terem um encontro com seus ídolos. O Inferno Club, apesar disto, demonstra ser um local que valoriza muito mais os fãs do que o Carioca Club, o que é ponto positivo em shows menores, com um público reduzido e que esperam uma proximidade maior com seus ídolos.

Setlist:
1. Mother Machine
2. Stay Forever
3. Go Away
4. Milk and Honey
5. Virtue and Vice
6. Electricity
7. Pristine
8. Invidia
9. Sever
10. Get the Devil Out of Me
11. April Rain
12. Sleepwalkers Dream
13. Not Enough

Bis:
14. Control the Storm
15. Babylon
16. The Gathering
17. We are the Others

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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