Buddy Guy: A lenda viva mostra seu amor ao Blues em POA
Resenha - Buddy Guy (Teatro do Bourbon Country, Porto Alegre, 15/05/2012)
Por Uilliam Rieffel
Postado em 20 de maio de 2012
Com sua última passagem por terras gaúchas sendo datada de 2009, Buddy Guy retorna com sua banda para uma nova apresentação no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre. Dessa vez na turnê de divulgação de seu último disco, Living Proof, lançado em 2010. A um mal informado, não faria sentido a informação de que aquele em cima do palco era um senhor na segunda metade dos 70 anos de vida, próximo aos 80, tamanha era a energia e a vitalidade contagiante que este demonstrava no palco.
Já era quase hora do show, e o público ainda se dirigia a seus lugares dentro do teatro, já deixando de lado a desconfiança de que o show teria pouco publico, que os que adentraram cedo ao local tinham até cinco minutos antes do horário marcado para o início, às 21h.
Mas com todos em seus devidos lugares e com cerca de cinco minutos de atraso, então, o show é anunciado nos auto-falantes. Com as luzes apagadas no público e acesas sobre o palco, a banda de Buddy Guy se dirige aos seus respetivos lugares no palco em um momento de silencio total que não escondia a ansiedade dos presentes pelo começo do espetáculo. Então a banda começa com os primeiros acordes de "Nobody understand me but my guitar", que dava a deixa para que o tecladista Marty Sammon anunciasse a entrada do guitarrista que entra saudando o público e solando logo de início, na sua fender stratocaster. Logo já se percebia que desta vez ele tocaria mais seu instrumento, diferente de como havia sido no show três anos antes.
A segunda música foi o cover de "Hoochie Coochie man", que começou calma, com Buddy cantando a primeira estrofe duas vezes, pedindo uma maior participação do público, até explodir em solos de ambos guitarristas e de teclado. Muita conversa e quase um stand-up comedy em cima do palco colocaram o público como participante ativo do show, cantando, respondendo e rindo com o bluesman. Entre duelos de guitarra e seguindo com o cover de Muddy Waters, "She’s nineteen years old"(regravação que está presente no álbum "Feels like rain", de 1993), Buddy Guy, estando no canto direito do palco, cantou sem microfone, impressionando com sua voz à capela sendo audível em todo teatro. Aí ficou evidente não só o alcance vocal do homem, mas também a qualidade da estrutura do local, projetada para ter uma acústica perfeita e alcançando tal objetivo.
Com mais alguns silêncios bem aproveitados, solos inspirados e brincadeiras com o público, Buddy tocava, cantava orquestrava sua banda em determinados momentos e seguiu com Fever, com seus solos em volume baixo. Em "Someone else slippin’ in", ele deixava os backs a cargo do publico, que chamados por Buddy Guy sempre respondiam em alto e bom som.
Logo seguiu a faixa de abertura de Living Proof, "74 years Young", para delírio dos conhecedores do trabalho do artista. Logo, Buddy não pode se conter em ficar somente em cima do palco, e desceu a escada que dava para um corredor entre as cadeiras centrais e as da lateral esquerda. Numa ida calma até o fundo do teatro, ele solava e cantava. Tive a impressão de que uma resposta um tanto mais acalorada, por assim dizer, por parte do público no seu retorno em direção ao palco, fez com que esse já tradicional passei na plateia tivesse uma duração menor que o de costume, uma pena.
Veio então "Skin deep", do álbum homônimo de 2008, para acalmar os ânimos. Registrou-se aí um dos momentos mais intimistas e emocionantes do show. Todos que tinham corrido para a frente do palco voltaram a seus lugares, e o que se viu foi uma linda balada, que mudou totalmente e temporariamente a atmosfera do teatro. Buddy mostrou assim, também e mais uma vez, sua capacidade de levar o show e o público de forma fantástica e consciente.
Com o show se dirigindo aos seus momentos finais, Buddy entoou "Damn right I’ve got the blues", seguida de trechos de outros de seus clássicos, já animando a plateia novamente. Dentre um verso e outro, a paixão pelo público brasileiro e a vontade de tocar durante toda noite, eram lembradas no microfone. No final, o bluesman resolveu homenagear seus admirados (e também admiradores) quando fez versões para "Sunshine of your love" do Cream, "I miss you" do Rolling Stones, "Voodoo child" de Jimi Hendrix e uma parceria sua com Junior Weels, "Firt time I met the blues". Isso tudo com instrumentais impecáveis por conta de sua banda, que mantinha o ritmo do show a todo vapor. Foi nesse "mix" que Buddy Guy usou de tudo a que tinha direito para tocar sua guitarra, desde barriga, costas, dentes, até uma baqueta e um pano. Hora com a guitarra nas costas, hora com ela acima da cabeça ou pendurada nos braços. Era a mão esquerda nas cordas e a direita que palhetava em seu peito.
No final, ainda, o público foi brindado com dezenas de palhetas e alguns autógrafos, incluindo um em uma guitarra. Mais de uma hora e meia depois, Buddy Guy saia do palco, sendo seguido por sua banda logo sem seguida. Assim, a lenda viva, mostrou toda sua empolgação, dedicação e amor ao blues em cima do palco e fora dele, fazendo um dos maiores shows do estilo já vistos na cidade e justificando o porquê de ser admirado e julgado por muitos guitarristas (Eric Clapton, Johnny Winter...), o melhor guitarrista de blues vivo.
A banda é:
Buddy Guy (guitarra, vocal)
Rick Hall (guitarra)
Marty Sammon (teclado)
Orlando Wright (baixo)
Tim Austin (bateria)
Abaixo, fotos do show:
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.439044766106117.106638.198261273517802&type=1
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