Exodus: uma noite dedicada totalmente ao Thrash Metal

Resenha - Exodus (Carioca Club, São Paulo, 22/04/2012)

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Por Leandro Cherutti
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O Thrash Metal, um dos grandes movimentos que surgiu no mundo no início dos anos 80, ganhou força e visibilidade com bandas oriundas da Alemanha e principalmente dos Estados Unidos, mais especificamente no estado da Califórnia. Na América, este movimento ficou conhecido como Bay Area e revelou ao mundo grandes expoentes do gênero. Um desses nomes foi o EXODUS. A banda realizou no mês de abril alguns shows em nosso país e, no último dia 22, se apresentou na cidade de São Paulo, ao lado de uma grande promessa brasileira, o grupo NERVOSA, e da rodada e conhecida CLAUSTROFOBIA.

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Texto: Leandro Cherutti
Fotos: Pierre Cortes

Foi em um domingo frio e de muita garoa que o público paulista presenciou, em minha opinião, o melhor show de Metal Extremo do ano. A festa começou às 19h25, com a abertura da nova e já respeitada banda NERVOSA. O trio executa um Thrash de primeira qualidade, e é formado por Fernanda Lira (Vocal/Baixo), Prika Amaral (Guitarra) e Fernanda Terra (Bateria). As meninas iniciaram sua apresentação com muita energia, mas infelizmente a primeira música apresentou problemas no microfone, ficando assim sem vocal por alguns minutos. Solucionado este pequeno contratempo, tivemos total descontração da baixista Fernanda Lira, que agitou muito bem a galera. Mostraram também aos fãs a única faixa cantada em português, cujo nome é “Urânio em Nós”. O Power trio feminino se despediu do palco com a faixa que intitula seu primeiro vídeo clipe, “Masked Betrayer”.

Por volta das 20h, os reis do “Metal Malóka” subiram ao palco. O CLAUSTROFOBIA chegou arrepiando com uma introdução seguida de “War Stomp”, do CD I See Red. O grupo é composto por Marcus D’Angelo (Vocal/Guitarra), Daniel Bonfogo (Baixo), Caio D’angelo (Bateria) e Alexandre De Orio (Guitarra) e está na ativa desde 1994. Marcus, com o seu jeito despojado, comandou a bagunça e logo convocou a faixa “Metal Malóka”, o que fez com que a pista do Carioca Club ficasse agitadíssima.

A banda focou sua apresentação no último trabalho, Peste, gravado totalmente em português, mas não se esqueceu dos velhos sucessos. A seguir veio “Condemned”, juntamente com a fortíssima “Pino da Granada”, “Don’t Kill The Future”, “Bastardos do Brasil” e “Alegoria do Sangue”. O domínio que a banda exerceu sobre os fãs foi algo notável e, abusando disso, o grupo mandou ver com “Enemy”, a indispensável “Thrasher”, a nova e doentia “Peste”, e completou o show com a faixa “Paga Pau”. Assim foi a participação do CLAUSTROFOBIA na noite, um ótimo aquecimento para o EXODUS.

Uma pausa se estabeleceu. Era a hora de tomar um fôlego, comprar uma cerveja e recarregar a bateria, até por que o “pior” estava por vir. Foi exatamente às 21h10 que o quinteto californiano apareceu no palco, e isto aconteceu de forma magistral, mandando logo de cara a cativante “The Ballad Of Leonard And Charles” e “Beyond The Pale”, ambas do disco Exhibit B: The Human Condition. Rob Dukes (Vocal) mostrou ser um excelente frontman, com seu carisma agitou o público, sempre que podia sinalizava aos fãs com gestos pedindo que abrissem as tradicionais roda mosh. O show prosseguiu com “Children of a Worthless God” emendada do hit de 1985, “Piranha”. Com um set emocionante, os americanos seguiram demonstrando muita velocidade nos petardos “Brain Dead”, “A Lesson In Violence” e “Metal Command”. O guitarrista Gary Holt esbanjou destreza nas seis cordas, e a cada ano que se passa sua técnica está mais apurada. Jack Gibson (Baixo) foi o entusiasmo em pessoa e se movimentou o tempo todo pelo palco. No comando da bateria, Tom Hunting seguiu forte em sua pegada, deixando tudo redondo para que o espetáculo seguisse em perfeita ordem. E na outra guitarra tivemos Lee Altus que, mais recatado, ficou praticamente o show inteiro do lado esquerdo do palco.

Chegamos à metade do evento e, daqui em diante, o que tivemos foi uma compilação de clássicos encabeçado por “Blacklist”, “Fabulous Disaster” do CD homônimo, seguida da veloz “War Is My Shepperd”, e o petardo aclamado por todos, “Bonded By Blood”. Em “Strike of the Beast”, Rob Dukes solicitou que o público se dividisse, e assim comandou um gigantesco Wall of Death. Foi sem sombras de dúvidas um dos mais insanos que já presenciei, e acabou se tornando um dos pontos mais altos do show. Outro momento marcante aconteceu quando Lee Altus puxou um Ole Ole Ola em sua guitarra. Logo todos se uniram a ele e fizeram praticamente uma nova música e o vocal se alternou entre Rob Dukes e os fãs. O final ficou com "Good Riddance".

O EXODUS mais uma vez não desapontou em sua apresentação. Em uma noite dedicada totalmente ao Thrash Metal, a banda promoveu uma total devastação sonora no Carioca Club. O público compareceu em massa, e se tornou um dos principais personagens da noite.

Setlist

The Ballad Of Leonard And Charles
Beyond The Pale
Children of a Worthless God
Piranha
Brain Dead
Iconoclasm
A Lesson In Violence
Metal Command
Deathamphetamine
Blacklist
Fabulous Disaster
War Is My Shepperd
Bonded By Blood
Toxic Waltz
Strike of the Beast
Good Riddance

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