Sonic Youth: resenha de show no SWU no Roque Reverso
Resenha - Sonic Youth (SWU, Paulínia, 14/11/2011)
Por Flavio Leonel
Fonte: Roque Reverso
Postado em 27 de novembro de 2011
O Sonic Youth foi o grupo que melhor representou o lado alternativo do SWU Music & Arts Festival 2011. Em pouco mais de 1 hora de apresentação, a banda norte-americana desfilou uma mistura de guitarras barulhentas, som distorcido, experimentalismo e tudo aquilo que marcou sua extensa história iniciada em 1981. De maneira diferente do que poderia se imaginar para um festival, o grupo não se prendeu a um repertório de hits consagrados, contrariando a expectativa de muitos que julgavam que aquele poderia ser o último show da banda.
Vale lembrar que o casal Thurston Moore e Kim Gordon, um dos mais representativos do rock, anunciou recentemente o divórcio. Com isso, boa parte do público imaginou que grandes sucessos, como os que frequentaram as rádios e a MTV, estariam presentes em massa. Nada disso…
Após começar a apresentação de uma maneira bastante morna, com a música "Brave Men Run (In My Family)", o Sonic Youth emendou uma barulheira imensa com "Death Valley 69″, com os integrantes mostrando que, apesar de estarem na casa dos 50 anos de idade (Kim Gordon já tem 58!), continuam com a energia marcante que consagrou a banda.
Importante destacar que o Sonic Youth era uma das bandas que fugiam do padrão dos shows nos palcos principais no último dia do SWU. Apesar da maioria dos shows estar ligada ao rock pesado dos anos 90, o público acompanhou a apresentação dos norte-americanos com imenso respeito, como se, de fato, reconhecesse que um grande nome da história do rock estava ali perto. É claro que, para muitos, pode ter sido um dos shows menos impactantes (ou mais chatos) do dia, mas o Roque Reverso não constatou momentos de vaias ou xingamentos, que costumam acontecer em algumas apresentações que não agradam em determinados festivais.
Kim Gordon, de vestido vermelho, cantou a maior parte das músicas da noite. Em algumas delas, como em "Sacred Trickster", largou seu baixo para se concentrar no microfone e até dançar.
Um dos destaques do show foi a apresentação do baterista Steve Shelley. Com simplicidade, mas com performance empolgante, ele mostrou que, nem sempre, é necessário o músico ser um virtuose ou montar uma parafernália gigante para provar que domina o instrumento com categoria.
O guitarrista Lee Ranaldo, outra figura clássica da banda, assumiu os vocais em "Mote", música que trouxe um momento recheado de barulhos ensurdecedores, distorções e microfonias, com direito a Thurston Moore deixando sua guitarra sobre uma das câmeras que captavam as imagens do show para os telões do festival.
Depois de Kim Gordon cantar a boa e pesada "Cross the Breeze", foi a vez de Moore assumir pela primeira vez na apresentação o microfone. Antes de iniciar "Schizophrenia", ele disse que estava muito feliz por voltar ao Brasil e cometeu uma pequena gafe, ao chamar a música de "Sister", que, na verdade, é o nome do disco em que ela se encontra.
"Drunken Butterfly", um dos hits da banda, veio na sequência, com Kim Gordon novamente nos vocais, sem o baixo e dançando muito novamente. A música foi seguida por "Starfield Road" e "Flower".
A parte final do show ficou reservada para dois grandes sucessos do grupo: "Sugar Kane", numa versão mais pesada, e "Teenage Riot", obrigatória em qualquer apresentação do Sonic Youth.
Não bastasse o grupo fechar o set com seu maior clássico, Thurston Moore deu um show a parte no final. Ele fez de tudo com seu instrumento, desde as tradicionais distorções até uma simulação de sexo com sua guitarra, para delírio dos fãs da banda.
Ao se despedir do público, ele disse que espera voltar em breve. Tal afirmação deu certa esperança aos fãs de que o grupo não encerre as atividades.
O blog Roque Reverso acompanhou o show da banda no SWU. Entre no link abaixo para conferir mais detalhes da apresentação, como o set list e vídeos selecionados no YouTube.
ROQUE REVERSO
O blog do bom e velho rock and roll
http://www.roquereverso.wordpress.com
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