Made in Brazil: 44 anos de clássicos em Ponta Grossa

Resenha - Made in Brazil (Ponta Grossa, PR, 17/09/2011)

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Por Jackson Wójcik Pinto
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Aproveitando as festividades inerentes ao aniversário de 188 anos da cidade e do 3º Encontro de Motociclistas Easy Road realizado em Ponta Grossa, a Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal trouxe à cidade esta que é, sem sobra de dúvida, uma das mais expressivas bandas de rock and roll do Brasil.

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Antes da apresentação do Made na Praça do Sol do Complexo Ambiental de Ponta Grossa, tivemos a oportunidade de conferir os shows das três bandas que sagraram-se vencedoras do 1º Festival Easy Rock, que realizou-se durante o encontro de motociclistas. As bandas foram, na ordem de apresentação: Garimpeiros da Lua, Strêides e A Coisa. Os shows dessas bandas foram de aproximadamente 30 minutos cada, tempo suficiente para termos uma noção da proposta de cada uma, com muitos covers, salvo uma ou outra composição própria, até porque o evento era público, razão pela qual as bandas privilegiaram clássicos de grandes nomes do rock and roll para agitar a plateia e literalmente aquecer para a banda principal.

Com um atraso esperado de aproximadamente uma hora, os apresentadores da noite anunciam a entrada no palco de Mr. Oswaldo Vecchione e o Made In Brazil, banda essa que confunde-se com a própria história do rock and roll tupiniquim, já que está há mais de 44 anos na luta pela boa música. Oriundos do tradicional bairro da Pompéia em São Paulo, o Made In Brazil passou por mais de uma centena de formações, tendo encampado entre seus membros grandes nomes do cenário do rock brasileiro, e continuam firmes e fortes, tendo na dupla de irmãos Oswaldo e Celso Vecchione a viga mestra dessa longa e vitoriosa carreira.

Sem muito papo a banda começa seu show já empolgando todos os presentes com clássicos como "Vou te virar de ponta cabeça", "Rock de São Paulo" e Gasolina, esbanjando vitalidade e com uma comunicação com a platéia que cativou desde os primeiros acordes dos irmãos Vecchione e Cia. Sobre a participação do público presente, preciso fazer um pequeno parênteses, já que, como tratava-se de um evento reconhecidamente popular, tínhamos presente: personalidades da política local, motociclistas que adornavam o local com suas roupas características e que tem muito a ver com o rock and roll, simples transeuntes que pararam pra "dar uma olhadinha" , alguns realmente fãs da banda (grupo no qual tenho a honra de me incluir), jovens roqueiros aprendizes e muitos moradores de rua e afins, que deram um verdadeiro show a parte, especialmente próximo ao palco, onde agitaram tanto, ou até mais que os roqueiros propriamente ditos. Situação essa, que pela sua peculiaridade, só um evento com essa magnitude pode proporcionar.

Voltando ao show. Um destaque que eu gostaria de ressaltar na apresentação foi a execução de duas músicas que fazem parte do último registro de estúdio do Made, que foram a "Rock de verdade", música título do disco, que tem uma letra que certamente foi escrita levando em conta um sentimento comum a muitos apreciadores da boa música, na qual relata o descontentamento com os sons que tocam nas rádios e tvs atualmente. E a outra foi a "Todo dia rola um blues", que como o título sugere, é um blues que faz uma verdadeira ode ao blues propriamente dito, como música salvadora da pátria em momentos de tristeza e melancolia. Outra passagem do show digna de ser comentada foi o fato deles terem resgatado uma música que há muito não fazia parte de seus shows, que é a "Treta de rua", extraída do seu disco de 1985 chamado "Deus Salva... O Rock Alivia". Eu lembro que a última vez que os vi tocar essa música foi no final de 1985 no Festival Rock Capital no estádio do Avaí em Florianópolis, onde quem abriu o show foi um grupo paulistano chamado Excalibur, muito bom mas que infelizmente não foi pra frente.

A movimentação de palco dos músicos é notável, especialmente do Oswaldo e da dupla de backing vocals, Roberta e Cris, que arrancaram suspiros e coros ensaiados de elogios aos seus "dotes físicos" por parte da rapaziada presente. A dupla de guitarristas deu conta do recado, com direito a muitos solos, especialmente de blues, e a bateria redondinha com o baixo marcante, ora do Oswaldo, ora do Celso. A música "Anjo da guarda" quase botou abaixo o Complexo Ambiental, com todos cantando em uníssono seu refrão, assim como na irretocável "Uma Banda Made In Brazil" na qual o Oswaldo agradeceu muito ao público e apresentou a banda, mas sem dúvida o que todos estavam esperando veio no final, onde praticamente o público invadiu o palco, que foi na execução do grande e venerado clássico "Minha vida é rock and roll".

E afirmo que o público não invadiu justamente porque o próprio Oswaldo Vecchione, verdadeiro ícone do rock e blues brasileiro desceu até os fãs, durante a execução da música, deixando os mesmos tocar seu baixo e tirar fotos. Foi realmente um momento mágico desta banda que eu não canso de rasgar longos e demorados elogios. Após muitos agradecimentos e aplausos, encerra-se este show que, sem sombra de dúvida, pela sua grandiosidade e especialmente pela acolhida, tanto da banda para com o público como vice versa, ficará na memória de todos. O Oswaldo até comentou que gostaria de gravar um disco ao vivo em Ponta Grossa, visto a grande e fervorosa participação dos presentes.

Cenas do show:

Momento Rocktime no qual indico o CD Rock de Verdade e comento sobre o show:




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Sobre Jackson Wójcik Pinto

Jackson é apresentador do programa de TV Rocktime, apreciador do bom e velho rock and roll em todas as suas vertentes, desde blues até metal extremo, com uma nítida queda por hard rock e heavy metal tradicional. Roqueiro inveterado há mais de 35 anos, escreve sobre rock para diversos blogs e tem muito orgulho de, ainda que eventualmente, colaborar também com o site Whiplash.

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