Mr. Big: Vivos e detonando na noite de São Paulo

Resenha - Mr. Big (HSBC Brasil, São Paulo, 09/07/2011)

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Por Otávio Augusto Juliano
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Era uma noite bastante fria de um sábado de feriado em São Paulo, mas havia um local na cidade muito movimentado, em que a sensação térmica era de calor: o HSBC Brasil! A justificativa era a passagem da banda MR. BIG por terras paulistanas, fazendo com que o frio fosse esquecido dentro de um HSBC Brasil lotado.

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Como anunciado, às 21hs o vocalista norueguês JORN Lande subiu ao palco para abrir a noite. Dono de uma bela voz, o músico veio ao Brasil acompanhado de sua banda solo para tocar alguns de seus sucessos e homenagear o velho mestre DIO, falecido em maio de 2010, vítima de câncer.

O público, embora tenha respeitado o músico e até mesmo o acompanhado com palmas em algumas oportunidades, desde o início deixou claro que a intenção era mesmo ver a atração principal da noite, o MR. BIG. Nem quando JORN tocou um dos seus principais sucessos, “We Brought the Angels Down”, a plateia se empolgou. Foi um show tecnicamente muito bom, mas bastante morno, em razão da falta de empolgação dos presentes.

A apresentação durou 1:30h e, salvo alguns raros momentos, somente na volta para o bis é que o público cantou junto com JORN o cover de “Rainbow In The Dark”, gravada originalmente por DIO (coincidentemente uma música que não está no mais recente álbum lançado por JORN, integralmente dedicado ao falecido vocalista). Antes ainda foi executada a bonita “Song For Ronnie James”, canção composta por ele e dedicada ao DIO.

Apesar do bom trabalho do vocalista e de sua banda formada por Willy Bendiksen (bateria), Tore Moren (guitarra), Tor Erik Myhre (guitarra) e Nic Angileri (baixo), o que todos esperavam mesmo era pelos donos da noite, o MR. BIG.

Na hora marcada, às 23hs, o grupo apareceu ao som da rápida “Daddy, Brother, Lover, Little Boy” e o guitarrista Paul Gilbert pegou durante a canção uma adaptada furadeira para tocar seu instrumento de seis cordas. Ou seja, o circo estava armado e a diversão só estava começando.

O set list foi o mesmo do show anterior em Buenos Aires e quem estava acompanhando as últimas notícias sabia o que estava por vir: clássicos da carreira da banda intercalados com canções do mais recente álbum “What If...”.

Com os riffs iniciais de guitarra da segunda música da noite, “Green-Tinted Sixties Mind”, o “jogo já estava ganho” e o MR. BIG tinha o controle total do público, que agitava bastante e parecia compensar todo o tempo parado durante a apresentação da banda JORN. Até as canções do mais novo álbum do grupo estavam na ponta da língua de grande parte do público, que veio dos mais diversos lugares do Brasil, como de Rondônia, segundo informou um dos fãs presentes que conversou com a reportagem do Whiplash. O fato de serem apenas duas apresentações marcadas para o Brasil (São Paulo e Porto Alegre), fez com que muitos se deslocassem de toda a parte do país, para lotar o HSBC Brasil.

Enquanto músicas novas como “Undertow” e “Once Upon A Time” ficaram ainda mais pesadas ao vivo, as clássicas “Take Cover” e “Road To Ruin” mostraram como o MR. BIG sabe realmente compor canções de Hard Rock e se mantém extremamente entrosado em cima do palco. A musicalidade do grupo é incrível e a capacidade de cada músico dominar o que faz deixou muitos presentes boquiabertos: Pat comanda sua bateria com talento e muito ritmo e Eric ocupa todos os espaços do palco, interage com o público e segura com muita habilidade vocal até mesmo as canções que ainda exigem muito de sua voz.

Faltou falar de alguém? Bom, difícil encontrar palavras para definir a qualidade e a interação entre o baixista Billy Sheehan e o guitarrista Paul Gilbert. Sem dúvida os dois foram capazes de proporcionar momentos inesquecíveis, daqueles que vale recorrer ao YouTube para relembrar.

Billy estava claramente muito empolgado em tocar no Brasil novamente e não cansou de usar e abusar de seu baixo, dominado com rara habilidade e técnica. Paul também mostrou porque é um dos mais talentosos guitarristas do mundo e porque seu lugar é mesmo ao lado do MR. BIG (Paul ficou mais de uma década longe da banda após sua saída em 1997).

Além dos muitos fãs homens presentes, a pista estava repleta de casais e mulheres, o que permitiu ao vocalista Eric brincar com o público, ao pedir gritos tanto dos marmanjos como das moças separadamente. O equilíbrio entre o número de fãs do sexo masculino e feminino era tanto que ficou difícil definir se foram os homens ou as mulheres que ganharam a disputa proposta por Eric.

Com pouco mais de 1:30h de show, a banda encerrou com “Addicted To That Rush” e se despediu do público, mas logicamente se tratava de uma falsa despedida e os músicos retornaram para colocar a “cereja no bolo” e encerrar essa grande noite em São Paulo.

Aquela que era esperada por muitos então foi tocada, a balada “To Be With You”, primeiro lugar nas paradas musicais, seguida por “Colorado Bulldog”, música com linhas de baixo muito interessantes, com outro show do baixista Billy Sheehan. Para fechar de vez, outro daqueles momentos inesquecíveis. Era hora de “Smoke On The Water”, cover do DEEP PURPLE, com a troca de papéis no palco. Paul foi para bateria, Pat para o baixo, Eric para a guitarra e Billy apareceu no palco com a camisa da seleção brasileira para assumir o vocal da música. No meio da execução ainda houve nova troca de instrumentos e Eric pegou o baixo, Billy a guitarra e Pat o microfone. Divertidíssimo.

No fim, “Shy Boy”, cover do TALAS, primeiro grupo do baixista Billy Sheehan, ainda foi tocada para encerrar a 1 da manhã esse show incrível dessa talentosa banda de Hard Rock. O registro negativo ficou apenas por conta de um fã (será mesmo?) que arremessou um copo de cerveja na direção de Billy, mas felizmente errou o alvo.

Como disse um dos presentes à reportagem do Whiplash, é torcer para que esta vinda do MR. BIG surta o mesmo efeito da passagem do TWISTED SISTER por aqui. Show com casa cheia com direito a retorno um ano depois para uma nova apresentação.

Fazendo alusão ao título de uma das músicas da banda, fica a torcida para que Eric, Billy, Paul e Pat se mantenham “alive and kickin’” (algo como “vivos e detonando”, numa tradução livre) e passem por aqui outras vezes, para esquentar as frias noites paulistanas.

Agradecimentos a Heloisa Vidal e Adriano Coelho (Free Pass Entretenimento) pelo credenciamento e pela atenção.

MR. BIG

Banda:

Eric Martin - vocal
Pat Torpey - bateria
Billy Sheehan - baixo
Paul Gilbert - guitarra

Set List:
1.Daddy, Brother, Lover, Little Boy
2.Green-Tinted Sixties Mind
3.Undertow
4.Alive And Kickin'
5.American Beauty
6.Take Cover
7.Just Take My Heart
8.Once Upon a Time
9.A Little Too Loose
10.Road To Ruin
11.Merciless
12.Guitar Solo
13.Still Ain't Enough for Me
14.Price You Gotta Pay
15.Take A Walk
16.Around the World
17.As Far as I Can See
18.Bass Solo
19.Addicted To That Rush
Bis:
20.To Be With You
21.Colorado Bulldog
22.Smoke on the Water (DEEP PURPLE)
23.Shy Boy (TALAS)

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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