Coldplay: despreparado e pequeno para estádios brasileiros
Resenha - Coldplay (Morumbi, São Paulo, 02/03/2010)
Por Thiago J. Z. Martins
Fonte: Solada
Postado em 04 de março de 2010
Talvez o show na pista VIP e na área de imprensa tenha sido diferente, tamanha a euforia das resenhas publicadas até agora. Quem esteve na pista normal não teve muitos motivos para ter saído satisfeito após a apresentação do Coldplay, nesta última terça-feira, no Morumbi. Inicialmente, porque a qualidade de som foi péssima. Volume baixo, instrumentos embolados, plateia desinteressada, tudo jogou contra a performance do quarteto inglês.
Culpa da própria banda. O setlist começou quente, queimando hits do porte de "Clocks", "In My Place" e "Yellow" na primeira parte do show. Com o som péssimo e o público ainda entrando e se ambientando ao estádio, a tática de ganhar a plateia logo de cara e depois ir só cozinhando o show, que se permite inferir do formato do repertório, desmoronou. Pela primeira vez, presenciei um público vaiar a banda principal e pedir que se aumentasse o volume.
Com o público perdido, o que se viu foi o vocalista e aniversariante da noite Chris Martin incapaz de conquistar a atenção dos presentes ao Morumbi, que dispersavam conforme músicas menos famosas eram apresentadas e demoravam a engrenar nos hits subsequentes, como "Fix You". Depois, mesmo abusando do português, das imagens do telão e outros adereços, o Coldplay não tinha a habilidade de manter essa galera empolgada, pequeno diante da imensidão de um estádio. Momentos de introversão, que de longe pareciam mais intensos, eram perdidos pela letargia de se estar próximo de quem pouco se importava com o fato de haver quatro músicos no palco. Não à toa, os remixes eletrônicos de "God Put a Smile Upon Your Face" e "Talk" soavam mais interessantes, pois apelavam para um ambiente de festa, não de show.
Alguns momentos, ao menos, destoaram. "Viva La Vida", com sua repetida melodia de fácil assimilação, foi recebida com alegria pelo público, pulando e cantando junto. "Politik", com o som um pouco melhor, embora ainda inaceitável num espetáculo de tamanha proporção e custo, transpareceu a noção de como a levada pesada de bateria de "Clocks" poderia ter chacoalhado as estruturas do Morumbi. Vaga ideia, pois também não foi capaz de fazer isso, afinal, o volume não era dos mais altos, nem a força da performance.
Houve, na maior parte, momentos de extrema decepção. Quando os músicos tocaram num minipalco "improvisado" no meio da pista, a maior proximidade não prendia a atenção do público. Nem mesmo quando puxaram um apelativo "olê olê olê olê" a galera cantou junto. Ao final de pouco mais de uma hora e meia de um show no qual a canção com maior participação da plateia é um "Parabéns pra você" - cantado em português mesmo pelo baterista Will Champion -, superando com sobras "The Scientist", no bis, ficou a certeza de que o Coldplay não está pronto para os estádios brasileiros.
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