Skid Row: revivendo sucessos do passado no Manifesto
Resenha - Skid Row (Manifesto Bar, São Paulo, 28/11/2009)
Por Otávio Augusto Juliano
Postado em 02 de dezembro de 2009
Shows do SKID ROW nos idos de 1990 nos remetem a apresentações de grandes proporções, para enormes platéias. Foi assim em 1992, durante o festival Hollywood Rock, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas o tempo passou, Sebastian Bach deixou a banda, o SKID ROW parou suas atividades por um tempo e as retomou em 2000, com Johnny Solinger no vocal e apenas três membros da formação original. Apesar das mudanças, é a boa música que ainda prevalece, e o SKID ROW atual mostrou isso no Manifesto Bar, no sábado 28/11.
Tudo começou alguns minutos antes das 20hs, quando Johnny Solinger (vocal), Dave "Snake" Sabo e Scotti Hill (guitarras), Rachel Bolan (baixo) e Dave Gara (bateria) entraram em cena ao som de "Blitzkrieg Bop", do RAMONES, recebidos por um Manifesto Bar lotado. "Big Guns", hit de abertura do primeiro álbum auto-intitulado da banda, deu início ao show, seguida por uma da fase pós-Bach, "New Generation", do álbum "Thickskin".
Mesmo sendo muito questionado até hoje por aqueles que "enterraram" o SKID ROW quando Sebastian deixou a banda, Johnny Solinger mostrou muita presença de palco, com seu visual ao estilo Bret Michaels de ser (vocalista do POISON), ora com chapéu de cowboy, ora com bandana.
Em "Riot Act", a terceira música da noite, a corda da guitarra de Dave "Snake" Sabo arrebentou, fazendo com que o roadie rapidamente substituísse o instrumento para a seqüência do show. Problema resolvido, a execução da música seguiu e Solinger ao final agradeceu os fãs paulistanos pela receptividade, seguindo-se com "Piece Of Me", anunciada pelos riffs tocados pelo baixista Rachel Bolan.
Johnny Solinger então avisou que muitas músicas "old school" seriam apresentadas naquela noite e a balada "18 and Life" arrancou gritos do público já nos seus acordes iniciais. Ao cantar o refrão, o vocalista aproveitou para brincar e trocou "18 and Life You Got It" por "18 and Life São Paulo". Sem deixar a clima esfriar, o sucesso "Monkey Business" deu seqüência ao show, merecendo destaque o duelo de guitarras proporcionado por "Snake" e Scotti, que se alongou por alguns minutos. Mantendo-se com uma alternância entre sucessos dos álbuns da banda lançados em 1989 e 1991, e músicas do primeiro disco com Solinger nos vocais, vieram "Thick Is The Skin", a rápida "Makin’ A Mess", a pop-rock "Ghost" e a ótima "Sweet Little Sister".
Era visível que todos os músicos estavam muito felizes pela volta ao Brasil. Scotti Hill divertiu os presentes com suas inúmeras caretas, interagiu bastante com os mais próximos do palco e não se cansou de distribuir palhetas. Da mesma forma "Snake" e Dave Gara não deixaram por menos, sempre com sorrisos estampados no rosto. Rachel, um dos mentores e compositores do grupo, deu uma aula de baixo e andou de um lado para o outro do pequeno palco, brincando inclusive com uma das fãs presentes, que utilizava uma tiara com chifres vermelhos piscantes (certamente uma recordação adquirida nas imediações do estádio do Morumbi, no dia anterior, para o show do AC/DC).
Solinger então apresentou a banda e deixou por último justamente o anúncio do nome de Rachel Bolan, pois foi ele quem assumiu os vocais nessa parte do show, para a execução da esperada "Psycho Therapy", cover dos RAMONES, tocada há muito tempo em apresentações ao vivo do SKID ROW, desde os tempos de Sebastian Bach.
Do punk à balada. Somente com voz e violão, era hora de um dos sucessos do grupo mais esperado da noite, a imortalizada "I Remember You". Apenas "Snake" e Solinger ficaram no palco e o público "assumiu o microfone", cantando em uníssono. Como disse o vocalista antes de cantá-la, tem canções que ficam para a história e jamais são esquecidas. "I Remember You" é um desses casos.
"Get The Fuck Out", "Disease", a única do álbum "Revolutions Per Minute" tocada no dia, e a pesada "Slave To The Grind" foram as escolhidas para fechar o show. E nessa hora a corda da guitarra de "Snake" arrebentou novamente, o que o deixou bastante irritado.
Problema contornado de novo, as luzes se apagaram e após pouco mais de 1 hora de show os músicos se retiraram do palco, voltando para o bis com "Youth Gone Wild". A canção composta pelos então jovens rebeldes Rachel Bolan e Dave "Snake" Sabo nos primórdios do nascimento do SKID ROW, foi um dos pontos altos da apresentação, que se encerrou pouco antes do relógio marcar 21:30hs. Ótimo show e com o set list anunciado (somente com a ordem alterada e com o acréscimo de "Disease").
Aqueles que acreditam ter sido o fim do SKID ROW com a saída de Sebastian Bach da banda que me desculpem, mas o grupo continua muito vivo na voz do "frontman" Johnny Solinger. Ele não veio para ocupar o lugar de ninguém, mas sim para dar seqüência à história de uma das grandes bandas de Hard Rock de todos os tempos – tem boa voz e sabe como utilizá-la quando a música exige.
Falo isso com a certeza de quem também custou a "engolir" o SKID ROW com o novo vocalista e com a nova direção musical adotada nos últimos dois discos. A banda continua muito entrosada, interpretando sucessos de outrora com a mesma competência.
Sem dúvida, o SKID ROW merecia ter vindo ao Brasil para tocar para um público maior ou ter feito ao menos mais uma apresentação, que certamente ficaria igualmente lotada.
Mas não importa. Como estava estampado na parte de trás de uma das camisetas usadas por Solinger durante o show: "O Rock não está morto". E o SKID ROW foi prova viva disso nessa ótima noite de Hard Rock em São Paulo.
Set List:
1 - Big Guns
2 - New Generation
3 - Riot Act
4 - Piece of Me
5 - 18 and Life
6 - Monkey Business
7 - Thick Is The Skin
8 - Makin' a Mess
9 - Ghost
10 - Sweet Little Sister
11 - Psycho Therapy
12 - I Remember You
13 - Get the Fuck Out
14 - Disease
15 - Slave to the Grind
16 - Youth Gone Wild
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