Resenha - Helloween e Gamma Ray (Abril Pro Rock, Recife, 27/04/2008)

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Por Paulo Peterson
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O Abril Pro Rock chega a sua 16ª edição com várias mudanças. Aumento de bandas estrangeiras, local, palestras, curadoria para bandas independentes e alteração nos dias de apresentação. Tudo isso para revitalizar, um dos festivais mais antigos em atividade no território nacional. Esse ano, o evento contou com o patrocínio da Petrobras, e um investimento em torno de 700 mil reais.

Com a mudança de local do Centro de Convenções para o Chevrolet Hall, ambos em Olinda, o festival ganhou em conforto e espaço. O local dispõe de um palco de 1000m², totalmente modulado, com paredes móveis, e capacidade para 15.000 pessoas.

O anúncio do Helloween e Gamma Ray, com sua Hellish Tour pelo nordeste, agitou os headbagers pernambucanos e de outros estados. Não se via tamanha euforia, desde 2002, quando tivemos a dupla também germânica do Kreator e Destruction.

Aproveitando a passagem da Hellish Tour por várias cidades no país, a produção do festival mudou pela primeira vez a noite ‘metal’ do costumeiro segundo dia de evento (sábado), para quinze dias após as duas primeiras noites (11 e 12 de abril).

Chegado o dia do festival, os portões estavam agendados para abrir às 20h, devido à quantidade de pessoas que se aglomeravam no portão de entrada, aos gritos de “Happy Happy Helloween” e “Gamma Ray”, a produção liberou os portões às 18h. Com isso, o público entrou tranqüilamente sem causar tumulto.

Quando os telões anunciaram a primeira atração da noite, a euforia foi geral, com a intro “Welcome” rolando nos PAs, o baterista Dan Zimmerman vai para seu kit e pede ao público para bater palmas, entrando Kai Hansen, Dirk Schlächter e Henjo Ritcher mandando ver com “Into the Storm”, emendam com “Heaven Can Wait” e “New World Order”. Um começo sem tempo para respirar, Kai Hansen não conseguia disfarçar a alegria em ver o público cantando suas músicas. Anuncia “Fight” e a excelente faixa do novo disco “Empress”. Confesso que ambas ao vivo ficam melhores do que estúdio. A precisão com que as músicas eram tocadas contagiou o público, o carisma de Hansen deixava o público cada vez mais em suas mãos. Chega o momento dos clássicos, o primeiro foi “Valley of the King” e o hino “Rebellion in a Dreamland”, cantada por quase 5.000 vozes. Este momento ficará eternizado na memória dos presentes. Se Kai Hansen já tinha a platéia na mão, ela ficava hipnotizada com os comandos dados pelo guitarrista. Além de ser um excelente músico, mostrou simpatia e um carisma acima do normal.

O hino “Heavy Metal Universe” deu seqüência ao ataque sonoro da usina chamada Gamma Ray. Nesse momento, Kai Hansen pega a bandeira nacional, coloca em seu pescoço, e diz que nossa bandeira, era a do Heavy Metal do Universo. Levou ao delírio novos e antigos fãs aos primeiros acordes de “Walls of Jericho” emendada com “Ride the Sky”. A quantidade de pessoas batendo cabeça era impressionante, alguns simulavam guitarras, outros choravam tamanha emoção de estarem ouvindo pela primeira vez esta música ao vivo. Despedem-se pela primeira vez com “Somewhere out in a Space”, voltando para o bis com “Send me Sign”. Deixam o palco, com o ar de felicidade estampado em suas faces. Comentaram depois que ficaram surpresos, com a quantidade de pessoas e a recepção ao grupo.

Enquanto o palco era preparado para o Helloween, o público pôde descansar desfrutando alguns vídeos exibidos nos telões.

Quando “For Those About to Rock” do AC/DC ecoou nos PA´s do Chevrolet Hall, era o aviso que tinha chegado o momento de conferirmos o Helloween. Entram com a longa “Halloween” e seus dez minutos de pura magia, seguindo com “Sole Survivor”, primeiro grande sucesso da era Deris, o público vai ao delírio, ainda mais com “March of Time”, uma pérola do Keeper of The Seven Keys 2, incendiado o começo do show.

Dando seqüência, Deris anuncia a próxima faixa, o single “As Long As I Fall” do novo álbum. Ao vivo empolga mais do que em disco. Seguindo na trilha dos Keeper’s, tocam “A Tale That Wasn’t Right”, momento de muito isqueiro acesso. Saem do palco deixando o baterista Dani Loeble para seu solo, por sinal, ele tentou tirar uns ritmos nacionais, mas não mostrou conhece-los bem. Mesmo assim, foi bastante aplaudido. Mais uma faixa longa é executa, dessa vez “King for a 1000 Years”. Mas nada se compara aos primeiros acordes de “Eagle Fly Free”. Nunca havia presenciado tamanha comoção em um show nesses últimos anos em Recife. Euforia ao extremo, pessoas se abraçando, pulando, gritando, chorando, uma cena indescritível. A voz de Deris foi abafada pelo o público, que soltou os pulmões e cantou cada frase.

Mais uma do Gambling with the Devil, agora com “The Hells of the 7 Bells”, que na minha opinião, deveria ser trocada por “The Saints” ou “Kill It”, do mesmo álbum, mesmo assim o público agitou. “If I Could Fly” esfria um pouco os ânimos, mas quando Deris pergunta se tinha algum doente ali e anuncia “Dr. Stein”, novamente o público responde cantando tudo ao pé da letra. Retornam para o bis com o aguardando medley, desfilando durante 15 minutos vários clássicos, como “I Can”, “Where the Rain Grows”. “Perfect Gentleman” foi um show à parte, ele cantava um trecho e o público outro; agradeceu dizendo “You are perfect”. Continuam o medley tocam “Power”, uma pena não ser inteira, mesmo assim tiram o que existia de oxigênio no peito de cada um, emendada com a parte final de “Keeper of the Seven Keys”. Medley é bom, mas fica o gostinho de quero mais.

Saem do palco por cinco minutos, para o momento mais aguardado da noite, a jam histórica, que reúne no palco os integrantes do Gamma Ray e Helloween, com exceção do baterista Dan Zimmerman. A primeira foi “Future World”, não contive a emoção, presenciando a poucos metros uma cena que esperei por muitos anos, ver Kai Hansen e Mike Weikath lado a lado solando esta canção, não resisti e cantei junto. Em “I Want Out” tive que controlar as emoções para evitar um infarto. O público estava insano, as grades de proteção eram empurradas, fazendo com que os seguranças tivessem um trabalho ainda maior segurando o ânimo da platéia ensandecida.

Com um abraço conjunto entre as bandas, agradecem ao público pela recepção, deixando no ar, um “não será a última vez que tocaremos aqui”. Esperamos que na próxima edição, a produção do evento, tragam bandas desse naipe, o público metal merece, mostrou mais uma vez, que é fiel, pois sempre é a noite que mais coloca público em todas as edições do festival.

Clique aqui para os bastidores e outras resenhas deste show.

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