Resenha - Brujeria (Clube Recreativo Caxiense, Duque de Caxias, 09/12/2007)

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Por Carlos Mendes
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Parece carma, mas quem gosta de música mais pesada não tem moleza. Dá pra contar nos dedos as vezes que você sai de casa e volta sem atropelos. Ver Brujeria e Taurus em Duque de Caxias, num domingo, não seria mesmo fácil.

A promessa do pessoal do All Rock Point era de que os portões seriam abertos às 2 da tarde. O primeiro show começaria "pontualmente" às 3h. Mesmo chegando lá às 4, os portões não tinham sido abertos. O calor era tão grande que no bar ao lado do clube a cerveja já tinha acabado. O jeito foi achar um bar mais distante e esperar a abertura dos portões.

Já era mais de 5 da tarde quando consegui entrar e descobri que a primeira banda já tinha tocado. Quem vive no underground está sujeito a tudo, certo? Sabe qual foi o motivo do atraso? A quadra do Clube Recreativo Caxiense, onde ocorreria o show, não foi liberada na hora acertada porque o time de futsal do clube chegou às semi-finais do campeonato. Tomara que seja vice!

Das quatro bandas "novatas" de abertura (Ravok, Unliver, Forceps e Agressor) destaque para o Agressor. De novata ela não tem nada, já que começou em 1982 e retornou em 2001. Eles agitaram a galera e mostraram seu thrash vigoroso, com Paulo tocando bateria e cantando ao mesmo tempo.

Confesso que estava ansioso pela apresentação do Taurus. Referência do thrash nacional na década de oitenta, a banda retornou à ativa em 2007, para comemorar os 20 anos do disco "Signo de Taurus". Depois do primeiro show, em abril, abrindo para o Testament, esse seria apenas o segundo show no Rio de Janeiro. Aquele primeiro show foi meio decepcionante, mas parece que a galera aproveitou os inúmeros shows pelo Brasil afora e voltou à velha forma. Faltavam vinte para as nove quando o Taurus começou. Contando com Otávio Augusto nos vocais (que não estava no primeiro show), Jeziel (vocal e guitarra), Cláudio Bezz (guitarra), Beto de Gásperis (baixo) e Sérgio Bezz (bateria) a banda entrou detonando a intro "Signo de Taurus" e "Mundo em Alerta". Não satisfeitos, mandaram "Batalha Final" e "Damien". Já eram quatro músicas do primeiro disco e ainda viriam mais três. Parece que a banda ganhou outra dinâmica com a volta de Otávio Augusto, que agora divide os vocais com Jeziel, que era o vocalista nos discos "Trapped in Lies" e "Pornography". Tocaram ainda "Nothing to Say" e "Trapped in Lies", seguidas de "Falsos Comandos", "Pornography" e "Caustic Brains". O fãs já estavam eufóricos a essa altura e parece que o Taurus saiu de lá com mais deles do que entrou, graças à apresentação vigorosa e bem pesada. Pra fechar o caixão oitentista surgem "Rebelião dos Mortos" e "Massacre"; apresentada como 'um hino' e que foi cantada a plenos pulmões.

Daí pra frente tivemos que assistir uma passagem de som de mais de uma hora. Foi difícil de aturar mas, (nada) pontualmente às 11 horas, o Brujeria sobe ao palco com Juan Brujo, Fantasma, Hongo, El Cynico e El Podrido tocando uma intro e emendando com "Brujerizmo". Vale lembrar que o show estava previsto para terminar às 10 da noite. Mas, pelo menos nessa hora, a galera não demonstrava muita pressa em deixar Caxias. A quadra reagiu ensandecida ao teatro apresentado pelo Brujeria. A estrutura de luz que ficava à frente do palco balançava e as rodas abriam em todo o canto. Foi bonito de se ver. E os mascarados não deixaram por menos e executaram "Vayan Sin Miedo", "Desperado" e "Colas de Rata". O som da banda nem é muito complicado, mas é tocado com propriedade pela formação que veio ao Brasil. Juan Brujo e Pat Hoed nos vocais, Shane Embury na guitarra, Jeff Walker no baixo e Adrian Erlandsson na bateria. Só pra citar algumas bandas pelas quais essas feras já tocaram ou ainda tocam: Napalm Death, Carcass, Cradle of Filth... As linhas de baixo de Shane no Napalm são bem mais complicadas que as guitarras do Brujeria. Mas o povo tá ali pra levar porrada na orelha, certo? Então tome "Marcha de Ódio", "El Desmadre", "Mecosario", "Hechando Chingasos", "La Traición" e "Cristo de la Roca".

Agora cabe aqui um pequeno parênteses. Até onde os fãs do Brujeria entendem que as letras e tudo mais são apenas teatro? Eles nem são mesmo mexicanos. Acho que a brincadeira passa do limite apenas quando eles fazem uma música em homenagem a alguém como Pablo Escobar. Tratar como se fosse um Robin Hood um traficante, líder do Cartel de Medellín, que se tornou uma das maiores fortunas do mundo vendendo pó... já passa do ponto. Juro que vi moleques ainda perguntando se ele existiu mesmo.

Discussões à parte, los cabrones atacam de "El Patrón" (aquela que fala do Pablo Escobar), "Misas Negras", "Anti-Castro" (viu como eles podem ser políticos também em suas letras?), "Revolución" e "Castigo del Brujo". Tocaram também uma (boa) música nova, chamada "Debilador". Seguiram de "Cuiden a Los Niños" (que parece não ter sido tocada em SP), "La Ley de Plomo" e "Consejos Narcos". Aí vem aquela saidinha antes do bis, que já constava no set-list, pra ver se a galera grita o nome da banda. A galera gritou, a banda voltou e tocou "La Migra", com direito ao diálogo no início. Foi com o clipe (bem legal por sinal) dessa música que a banda apareceu.

A banda emenda com "Raza Odiada". Logo no início um espertinho sobe no palco e rouba o chapéu do Jeff Walker (link do ato no youtube). Péssima idéia. Ele não gostou nem um pouco e logo no final da música o baixista muito revoltado pega o microfone e ameaça, em inglês, terminar com o show se o chapéu não for devolvido. Aí começa uma discussão que não vai terminar tão cedo. O que dá o direito de alguém (mesmo que seja um fã) roubar o chapéu de um músico respeitado? Um sujeito como Jeff Walker, que fez importante contribuição a música com o Carcass, precisava mesmo dar chilique e ameaçar terminar um show por causa de um chapéu de cowboy? O que se seguiu foi uma infeliz sucessão de erros, onde a banda se retirou do palco e os organizadores faziam todo tipo de declaração ao microfone. Ameaçaram o larápio, ofereceram uma visita ao camarim com fotos e autógrafos (!) a quem devolvesse o chapéu. Não faltaram ordens desencontradas, fruto de ânimos exaltados. Após dez minutos, com as luzes acesas, o chapéu não foi encontrado e a banda volta. Jeff colocou um boné do Brujeria e o show continuou. Estranho foi ver Jeff atirar o boné ao público depois de algumas músicas. Vai entender...

Pra fechar temos "Division del Norte" e "Matando Güeros". Foram nove músicas de "Brujerizmo" e oito de "Raza Odiada". Depois que o Brujeria deixou o palco ainda rolou "Marijuana", versão que a banda fez para "Macarena" com letra inspirada. Apesar de todos os percalços a apresentação foi ótima. Mesmo acabando quase meia-noite e meia.

Set-List Taurus

Signo de Taurus (intro)
Mundo em Alerta
Batalha Final
Damien
Nothing to Say
Trapped in Lies
Falsos Comandos
Pornography
Caustic Brains
Rebelião dos Mortos
Massacre

Set-List Brujeria

Intro
Brujerizmo
Vayan Sin Miedo
Desperado
Colas de Rata
Marcha de Odio
El Desmadre
Mecosario
Hechando Chingasos (Greñudos Locos II)
La Traición
Cristo de la Roca
El Patrón
Misas Negras (Sacrificio III)
Anti-Castro
Revolución
Castigo del Brujo
Debilador (música nova)
Cuiden a Los Niños
La Ley de Plomo
Consejos Narcos
----
La Migra (Cruza la Frontera II)
Raza Odiada (Pito Wilson)
Division del Norte
Matando Güeros
Marijuana (som mecânico)

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