Deep Purple: Show previsível, mas não menos empolgante
Resenha - Deep Purple (Tom Brasil, São Paulo, 28/11/2006)
Por Juliano Dantas
Postado em 05 de dezembro de 2006
Quem esperava só mais um show, dentre os inúmeros que o Purple fez na última década no Brasil, acertou. Mas, também errou. Surpreendeu, sem dúvida, o vigor dos roqueiros – mesmo após 38 anos de baladas e muito rock and roll. Ian Gillan mantém um bom ritmo durante a toda apresentação (e foram duas horas cravadas), cantando desde os clássicos do disco "Machine Head", até os álbuns mais recentes da banda. Vale lembrar que, apesar de "Burn" ser um disco memorável, Gillan não canta nenhuma música originalmente gravada por David Coverdale nos shows. Pena, por que além dessa, "Mistreated" seria perfeita numa noite para relembrar que os dinossauros ainda estão em pé e dando os seus chutes.
Fotos: André Gomes
Que a música anda sendo maltratada ultimamente é fato, e não dá para perder shows que ainda conseguem agitar o esqueleto de coroas, jovens (e haviam muitos na terça-feira passada) e de quem mais estiver a fim de pagar o preço para ver. E em "noite de gala", com casa lotada, nada mau ficar no camarote, livre da confusão e do forno que vira a pista e, ainda, poder tomar uma cerveja sem levar empurrões. Mas isso custou aos paulistanos a "módica" quantia de 200 reais para o ingresso inteiro, sentado e com mesa. R$100 para a pista. Ah! E para refrescar, cinco reais numa lata de Nova Schin...
Críticas à parte, continuemos a falar da banda – Steve Morse assumiu, há 10 anos, o posto de guitarrista do Deep Purple, e faz jus ao seu cargo. Para quem começou a tocar no Dixie Dregs na década de 70 e mais tarde montou a excelente banda com o seu próprio nome, a felicidade de passar dos 50 fazendo o que gosta (e muito bem acompanhado) está estampada na face do cara. Aliás, acho que deve ser ele que ainda bota uma pilha em Gillan, Glover e no Paice. Os velhotes ainda compõem e lançam CDs. "Purpendicular", "Abandon", "Bananas" e "Rapture Of The Deep" (que também é a turnê de 2006) são quatro bons exemplos do que é ter de renovar e surpreender o público fiel após quase duas décadas sem Ritchie Blackmore. By the way, alguém tem ouvido falar nesse cidadão?
Bem depois dele, há uns cinco anos, foi o tecladista original e "maestro" Jon Lord que partiu para novos desafios profissionais. Como a fauna é farta e tem sempre um insatisfeito, o tecladista que compôs e gravou "Mr. Crowley", do primeiro disco de Ozzy, Don Airey, prontamente integrou a banda inglesa. E cumpre bem o seu papel. O som do órgão eletrônico ainda ecoa, bem rápido e alto. Os solos em dueto com Gillan ainda existem, o que deixa o público bastante feliz. E, é óbvio, duelos com Morse, solos de baixo e bateria fecham a conta para o bom apreciador de Hard Rock setentista.
Esqueci de falar de alguém? Do Roger Glover? Opa. O cara também esteve lá no Tom Brasil. O baixista mostrou para a juventude o que é por peso e distorções no instrumento para acompanhar o ritmo frenético do Deep Purple.
Depois de Curitiba e duas noites em São Paulo, o grupo visitou o Rio de Janeiro, Vitória e Belo Horizonte. Turnê para um público seleto, mas acima da média e generosa se compararmos com muitos novatos ou figurões que passam pelo Brasil e ninguém percebe.
A conclusão a que chego é a seguinte: não adianta desdenhar ou insinuar que o Purple deva se aposentar. Rolling Stones, Roger Waters, Iggy & Stooges, Rush e Neil Young são outros exemplos de longevidade. Eles não conseguiriam jogar futebol, golfe, cair na gandaia, ir atrás de mulheres, passear de iate, Ferrari, jatinho ou fazer rapel o tempo todo. O trabalho dos nossos camaradas ainda é rodar o mundo e divertir roqueiros. A começar, meus amigos e amigas, por eles próprios.
Set List:
Pictures Of Home
Things I Never Said
Into The Fire
Strange Kind Of Woman
Rapture Of The Deep
Fireball
Wrong Man
Solo do Morse – Well Dressed Guitar e brincadeiras com riffs clássicos
Kiss Tomorrow Goodbye
When A Blind Man Cries
Lazy
Solo de teclado do Don Airey – Perfect Strangers
Space Truckin´
Highway Star
Smoke On The Water
Bis:
Hush – com solo de bateria de Ian Paice
Solo de baixo do Roger Glover – Black Night
Juliano é colaborador do Whiplash! e repórter da revista Vinil, veículo do Sul do país.
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