Helloween: No Rio de Janeiro, um bom show, apesar de algo estar faltan
Resenha - Helloween (Claro Hall, Rio de Janeiro, 26/03/2006)
Por Rafael Carnovale
Postado em 31 de março de 2006
CD novo, turnê nova e mais uma vez o Helloween chega ao Brasil para uma extensa turnê. Se em 2003 a banda teria que dividir sua data carioca (ocorrida no Canecão) com o show do Deep Purple (ocorrido no Claro Hall), desta vez não havia razão para xurumelas. Afinal eram só eles que se apresentariam no Rio, ao contrário de SP, que teve o show dos alemães, o show do Candlemass na Led Slay, e a Metal Sludge Party no Manifesto.
Confesso que não sou um dos grandes fãs do novo CD da banda, e achei uma tremenda burrice o mesmo levar o nome de "Keeper Of The Seven Keys" (mesmo com o subtítulo: "The Legacy") porque isso acaba gerando comparações desnecessárias com os outros Keepers, clássicos supremos do metal melódico. Era uma banda, uma época e uma história. Hoje a banda está com novos integrantes e com uma sonoridade modificada (a entrada de Andi Deris nos vocais foi um dos fatores), mas ainda preservando alguns elementos que conectam as duas épocas. Mas assim mesmo a comparação ocorre e este novo Keeper de longe perde para os outros, até porque não estamos nos anos 80.
Chegamos à casa por volta das 16 horas, sob uma chuva torrencial que ocorria na cidade maravilhosa e pudemos presenciar a passagem de som do Helloween (os caras tocaram a nova "King Of a 1000 Years" inteira sem o vocalista Andi Deris) e do Shadowside (que mostrou um competente metal melódico flertando com o tradicional). Aproveitando, batemos um bom papo com a vocalista Dani Nolden, que você poderá conferir em breve, juntamente com uma completa entrevista.
O Claro Hall não estava lotado (ao contrário do show de SP, aonde foram registradas imagens para uso num futuro DVD), mas uma quantidade considerável de fãs compareceu à casa para ver o show dos alemães, que pela quinta vez (e quarta no Rio de Janeiro) nos brindavam com uma apresentação.
A abertura coube aos paulistas do Shadowside, que divulgavam seu recém lançado CD "Theatre Of Shadows". A banda subiu ao palco por volta das 20h15 com "Vampire Hunter", mostrando bastante agressividade e energia. Emendaram com "Highlight" e uma bela versão para "Rainbow In The Dark", seguidas por "Shadow Dance" e "Illusion". Dani possui um vocal agressivo e uma boa presença de palco, juntamente com o baixista Lucas De Santis e a dupla de guitarristas. Aproveitando a pausa, a mesma elogia o Rio de Janeiro e apresenta o novo integrante, o baterista Fábio Butividas, que emenda "Painkiller". Uma boa versão, no que pese um escorregão de Dani no vocal, emendada com "We Want A Miracle" e "Here To Stay", que fecharam 40 minutos de show. Um ótimo aquecimento de uma banda que promete muito, só pecando por colocar um tecladista com um ridículo sobretudo cinza e de cara pintada de preto...
Logo após o show do Shadowside, o palco começou a ser montado para a atração principal, e nota-se que o Helloween caprichou nesta turnê, trazendo um belíssimo "backdrop", elevados ao lado da bateria de Dani Loeble (que no soundcheck se mostrou um excelente batera) e panos laterais, além de belo jogo de luz e som. As luzes se apagam perto de 22h10, quando o personagem Keeper começa a ler a intro em frente aos fãs (um guardião com tênis PUMA!) e Andi Deris e o guitarrista Sascha Gestner aparecem nos elevados, dando início a "King Of a 1000 Years". Um início bombástico, de uma música que eu não achava que renderia muito.
"Eagle Fly Free" vem em seguida (para o delírio geral) e Deris mostra uma nova faceta: o vocalista agora usa falsetes para reproduzir algumas partes mais agudas, principalmente nas músicas mais antigas. Pausa para Deris brincar com a platéia (pedindo que a mesma testasse seu fone de ouvido, para ver se o mesmo funcionava) e emendam a recente (única de "Rabbit Don’t Come Easy") "Hell Was Made In Heaven" e a clássica "Keeper Of The Seven Keys", para depois tocaram a linda balada "A Tale That Wasn’t Right". Um começo muito bonito... mas um tanto cansativo, dada a duração das faixas em questão, e uma certa falta de entrosamento entre os guitarristas Sascha e Michael Weikath (embora Sascha esteja cada vez mais solto).
Dani então dá início a um momento inusitado no show. O mesmo começa seu solo de bateria quando vemos o baixista Markus Grosskopf se posicionando num mini-kit localizado num dos elevados. Ambos passam um bom tempo duelando, fazendo a galera rir e se divertir, até que Markus enfurecido joga seu kit elevado abaixo. A decepção é saber que faltou espontaneidade, pois a mesma coisa ocorreu em SP. Mas é parte do show. Dani continua seu solo (muito longo...) e a banda entra com a nova "Occasion Avenue", para tocar a inusitada "Mr. Torture" (com Deris contando a história da música), aonde a voz de Andi começou a dar sinais de cansaço e o vocalista começa a usar seus falsetes de modo irritante (fato que se repetiria várias vezes durante o show). Nada contra Deris. Ele continua sendo um frontman fantástico, e cantando cada vez mais, mas quando usa esses falsetes a vontade é de tapar os ouvidos e lembrar de como o Helloween foi genial em 2003.
A banda aproveita e emenda "Power", que soou um tanto quanto perdida (faltaram o bom entrosamento das guitarras – mas será que tanto tempo depois eles continuam com esse problema?) e uma "Future World" por demais longa... a banda executou sua famosa interação com a galera, mas usando um instrumental totalmente deslocado (me senti ouvindo "Stayin’Alive" dos Bee Gees) e Deris abusando do direito de entupir nossos ouvidos com seus falsetes...
A banda lança mão de "The Invisible Man" e "Mrs. God" que redimem a trágica idéia executada em "Future World", principalmente na segunda, que ficou mais pesada e bem interessante. Para por o Claro Hall no meio de um furacão de emoções, "I Want Out" e "Dr. Stein" são executadas, fechando um set de 2:30 e apenas (!) 15 músicas.
No final todos saímos com a sensação de que o show foi bom... mas faltou algo... o Helloween parece querer resgatar o "Happy Happy Helloween" dos anos 80 (aliás a galera só usou tal coro no final do show) e a nova formação (nem tão nova assim) não é capaz de fazer isso. Sinceramente prefiro o Helloween mais pesado e que flerta com o hard-rock nos CDs "Better Than Raw" e "Master Of The Rings" do que esse pastiche de anos 80. Será hora de pendurar as abóboras? De qualquer jeito, ao vivo a banda ainda manda bem.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Após 36 edições, MTV exclui categoria "Melhor Videoclipe de Rock" do VMAs
O clássico dos Beatles que John Lennon disse que deveria ter sido dos Wings
A canção "nada a ver" que o Metallica gravou por parecer ser feita para eles; "somos nós"
O álbum que Andreas Kisser já confirmou que vai lançar após o Sepultura
A opinião de percussionista brasileiro que gravou com o The Doors
A música de Elton John que fez James Hetfield querer tocar guitarra
A música do Pink Floyd que o vocalista do Creed ouviu todos os dias por um ano
A música do Soundgarden criada para tirar sarro do "rock idiota"
Guitarrista do Rush, Alex Lifeson conta por que parou de fumar maconha aos 72 anos
O guitarrista que James Hetfield considera "o cara"
Floor Jansen canta Metallica com a Banda de Fuzileiros Navais da Marinha Holandesa
Frank Beard, baterista do ZZ Top, morre aos 77 anos de idade
Kirk Hammett era um "ótimo aluno", segundo Joe Satriani
Faith No More iguala marca de Paul McCartney, Rolling Stones e Foo Fighters
Os 5 álbuns obrigatórios para se ter uma boa base na música, segundo Regis Tadeu
O disco que Corey Taylor considera o álbum de heavy metal perfeito
Capas: 10 das mais belas feitas por artistas dos quadrinhos
"Eu não estou nem aí com esses caras", diz Glenn Hughes sobre Ian Gillan e Roger Glover



Os 10 melhores discos do metal alemão, de acordo com a Metal Hammer
Andi Deris diz que o Helloween ainda consegue cantar todas as músicas no tom original
5 músicas de metal com refrãos feitos na medida para você pular sem parar
Os 20 melhores álbuns de rock e heavy metal lançados em 1987, segundo a Louder
Michael Kiske: "Hoje eu entendo que precisava ter saído do Helloween"
Andi Deris entrou no Helloween sem avisar o Pink Cream 69, lembra Dennis Ward
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista



