Resenha - Helloween (Claro Hall, Rio de Janeiro, 26/03/2006)

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Por Rafael Carnovale
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CD novo, turnê nova e mais uma vez o Helloween chega ao Brasil para uma extensa turnê. Se em 2003 a banda teria que dividir sua data carioca (ocorrida no Canecão) com o show do Deep Purple (ocorrido no Claro Hall), desta vez não havia razão para xurumelas. Afinal eram só eles que se apresentariam no Rio, ao contrário de SP, que teve o show dos alemães, o show do Candlemass na Led Slay, e a Metal Sludge Party no Manifesto.

Fotos: Rodrigo Scelza

Confesso que não sou um dos grandes fãs do novo CD da banda, e achei uma tremenda burrice o mesmo levar o nome de “Keeper Of The Seven Keys” (mesmo com o subtítulo: “The Legacy”) porque isso acaba gerando comparações desnecessárias com os outros Keepers, clássicos supremos do metal melódico. Era uma banda, uma época e uma história. Hoje a banda está com novos integrantes e com uma sonoridade modificada (a entrada de Andi Deris nos vocais foi um dos fatores), mas ainda preservando alguns elementos que conectam as duas épocas. Mas assim mesmo a comparação ocorre e este novo Keeper de longe perde para os outros, até porque não estamos nos anos 80.

Chegamos à casa por volta das 16 horas, sob uma chuva torrencial que ocorria na cidade maravilhosa e pudemos presenciar a passagem de som do Helloween (os caras tocaram a nova “King Of a 1000 Years” inteira sem o vocalista Andi Deris) e do Shadowside (que mostrou um competente metal melódico flertando com o tradicional). Aproveitando, batemos um bom papo com a vocalista Dani Nolden, que você poderá conferir em breve, juntamente com uma completa entrevista.

O Claro Hall não estava lotado (ao contrário do show de SP, aonde foram registradas imagens para uso num futuro DVD), mas uma quantidade considerável de fãs compareceu à casa para ver o show dos alemães, que pela quinta vez (e quarta no Rio de Janeiro) nos brindavam com uma apresentação.

A abertura coube aos paulistas do Shadowside, que divulgavam seu recém lançado CD “Theatre Of Shadows”. A banda subiu ao palco por volta das 20h15 com “Vampire Hunter”, mostrando bastante agressividade e energia. Emendaram com “Highlight” e uma bela versão para “Rainbow In The Dark”, seguidas por “Shadow Dance” e “Illusion”. Dani possui um vocal agressivo e uma boa presença de palco, juntamente com o baixista Lucas De Santis e a dupla de guitarristas. Aproveitando a pausa, a mesma elogia o Rio de Janeiro e apresenta o novo integrante, o baterista Fábio Butividas, que emenda “Painkiller”. Uma boa versão, no que pese um escorregão de Dani no vocal, emendada com “We Want A Miracle” e “Here To Stay”, que fecharam 40 minutos de show. Um ótimo aquecimento de uma banda que promete muito, só pecando por colocar um tecladista com um ridículo sobretudo cinza e de cara pintada de preto...

Logo após o show do Shadowside, o palco começou a ser montado para a atração principal, e nota-se que o Helloween caprichou nesta turnê, trazendo um belíssimo “backdrop”, elevados ao lado da bateria de Dani Loeble (que no soundcheck se mostrou um excelente batera) e panos laterais, além de belo jogo de luz e som. As luzes se apagam perto de 22h10, quando o personagem Keeper começa a ler a intro em frente aos fãs (um guardião com tênis PUMA!) e Andi Deris e o guitarrista Sascha Gestner aparecem nos elevados, dando início a “King Of a 1000 Years”. Um início bombástico, de uma música que eu não achava que renderia muito.

“Eagle Fly Free” vem em seguida (para o delírio geral) e Deris mostra uma nova faceta: o vocalista agora usa falsetes para reproduzir algumas partes mais agudas, principalmente nas músicas mais antigas. Pausa para Deris brincar com a platéia (pedindo que a mesma testasse seu fone de ouvido, para ver se o mesmo funcionava) e emendam a recente (única de “Rabbit Don’t Come Easy”) “Hell Was Made In Heaven” e a clássica “Keeper Of The Seven Keys”, para depois tocaram a linda balada “A Tale That Wasn’t Right”. Um começo muito bonito... mas um tanto cansativo, dada a duração das faixas em questão, e uma certa falta de entrosamento entre os guitarristas Sascha e Michael Weikath (embora Sascha esteja cada vez mais solto).

Dani então dá início a um momento inusitado no show. O mesmo começa seu solo de bateria quando vemos o baixista Markus Grosskopf se posicionando num mini-kit localizado num dos elevados. Ambos passam um bom tempo duelando, fazendo a galera rir e se divertir, até que Markus enfurecido joga seu kit elevado abaixo. A decepção é saber que faltou espontaneidade, pois a mesma coisa ocorreu em SP. Mas é parte do show. Dani continua seu solo (muito longo...) e a banda entra com a nova “Occasion Avenue”, para tocar a inusitada “Mr. Torture” (com Deris contando a história da música), aonde a voz de Andi começou a dar sinais de cansaço e o vocalista começa a usar seus falsetes de modo irritante (fato que se repetiria várias vezes durante o show). Nada contra Deris. Ele continua sendo um frontman fantástico, e cantando cada vez mais, mas quando usa esses falsetes a vontade é de tapar os ouvidos e lembrar de como o Helloween foi genial em 2003.

A banda aproveita e emenda “Power”, que soou um tanto quanto perdida (faltaram o bom entrosamento das guitarras – mas será que tanto tempo depois eles continuam com esse problema?) e uma “Future World” por demais longa... a banda executou sua famosa interação com a galera, mas usando um instrumental totalmente deslocado (me senti ouvindo “Stayin’Alive” dos Bee Gees) e Deris abusando do direito de entupir nossos ouvidos com seus falsetes...

A banda lança mão de “The Invisible Man” e “Mrs. God” que redimem a trágica idéia executada em “Future World”, principalmente na segunda, que ficou mais pesada e bem interessante. Para por o Claro Hall no meio de um furacão de emoções, “I Want Out” e “Dr. Stein” são executadas, fechando um set de 2:30 e apenas (!) 15 músicas.

No final todos saímos com a sensação de que o show foi bom... mas faltou algo... o Helloween parece querer resgatar o “Happy Happy Helloween” dos anos 80 (aliás a galera só usou tal coro no final do show) e a nova formação (nem tão nova assim) não é capaz de fazer isso. Sinceramente prefiro o Helloween mais pesado e que flerta com o hard-rock nos CDs “Better Than Raw” e “Master Of The Rings” do que esse pastiche de anos 80. Será hora de pendurar as abóboras? De qualquer jeito, ao vivo a banda ainda manda bem.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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