Resenha - Angra (Circo Voador, Rio de Janeiro, 10/03/2006)

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Por Rafael Carnovale
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O ano de 2005 foi bem intenso para o Angra. Vários shows, uma turnê extensa e a consolidação de “Temple Of Shadows” como um grande álbum. O início de 2006 nos presenteia com os últimos shows desta turnê. Em boa hora, já que a banda promete voltar com tudo até o fim do ano com um novo petardo e mais shows.

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O Rio de Janeiro foi contemplado com apenas dois shows desta nova turnê: um no Canecão e outro no Claro Hall, em 2004 e 2005 respectivamente. Os fãs pediam shows, e, numa parceria entre a loja Headbanger e a Connecting Music, a banda chegou ao Rio para uma apresentação numa sexta feira no Circo Voador. É... o Angra voltava ao circo, aonde já tocara vários anos antes, com a formação antiga. Mas o tempo passou... e a banda agora é outra, ainda competente, mas com novos integrantes.

Nestes últimos shows a banda vem executando as músicas de “Temple Of Shadows” na íntegra e em sequência. Particularmente acho que esta é uma estratégia arriscada... antes que me atirem pedras e coisas piores, vou explicar o porque: apesar de ser um grande CD (presença obrigatória em qualquer “Top 3” que seja feito dos álbuns do Angra), o mesmo é um CD intrincado e deveras experimental. Não é um álbum de fácil audição, nem um álbum comercial... mas como se tratam dos últimos shows até o lançamento do próximo álbum, a idéia se mostra válida, porque provoca uma mudança no set usual, e torna-se um atrativo a mais para os fãs.

E tal idéia mostrou-se funcional, já que 1800 fãs se espremiam nas imediações do Circo Voador, esperando a abertura dos portões. Nesse momento é necessário apontar um erro gritante da organização: foram abertas apenas duas catracas, de modo que só passavam duas pessoas por vez... isso gerou demora na entrada, que ocasionou um atraso de 50 minutos no horário do show (marcado para as 22hs). Uma banda de abertura (que não foi escalada) e a abertura do Circo um pouco mais cedo (os portões foram abertos às 21hs) poderiam ajudar a amenizar o quadro. Mas no final os fãs de metal mostraram que em tudo se dá um jeito com empolgação e respeito.

Perto de 23 horas as luzes se apagam e a intro “Deus Le Volt” começa a rolar no Circo... aliás... que intro? Mal se ouvia alguma coisa... e um emaranhado de riffs e batidas marcou a entrada da banda com “Spread Your Fire” (sem os vocais de Sabine), “Angels And Demons” e “Waiting Silence”. O som estava péssimo: guitarras baixas, bateria fraca e baixo inaudível.

Mas tal fato não ocultava uma situação triste e deprimente: a banda não mostrava a menor empolgação no palco. Parecia que eles estavam passando o som ao vivo. Mesmo com petardos como “Wishing Well”, “Temple Of Hate” e a lindíssima “Late Redemption” a banda não mostrava conforto nenhum... e ouso dizer que o que imperava era displicência e má vontade absurdas. Kiko Loureiro e Rafael Bittencout cometendo erros e forçando improvisos, e um Edu Falaschi sem movimentação e longe da performance magistral de 2005 no Claro Hall (além de alguns agudos exageradíssimos no começo do show). No mais, as faixas de “Temple Of Shadows” não funcionaram como deveriam. Mas isso foi compensado pelo público, que deu uma aula de carinho e respeito a banda... coisa que não foi retribuída. O final da primeira parte, com “Gate XIII” soou como o término de um expediente de repartição pública, mesmo com Edu se comunicando com a platéia, e reclamando constantemente do som, que não ajudou muito. Aquiles e Felipe faziam o que podiam, mas mal se podia ouvir suas performances... o que pode se dizer?

Mas quem achava que tudo seria pior, não previu o que aconteceu a seguir.

Após um breve intervalo, a banda volta com tudo executando “Nothing To Say” e a aclamada “Carolina IV” (desnecessária... poderia ser trocada por outras faixas, já que possui longa duração... mas adorada e aplaudida por todos). Estávamos diante de outra banda, mais descontraída e menos sisuda no palco. “Evil Warning” veio em seguida e foi o grande momento do show. Para encerrar uma noite trágica, mas com força, a banda emenda “Acid Rain”, “Carry On” “Rebirth” e “Nova Era”, numa sequência que realmente soou empolgante, mas que não apagou o quase fiasco da duas horas de show. No final, agradecimentos de Edu, o tecladista Fábio Laguna jogado na platéia, e a sensação de que faltou alguma coisa.

o Angra é uma banda que atingiu um patamar de respeito e admiração por parte dos fãs dos quatro cantos do mundo, portanto, momentos como os que vimos neste show (principalmente no seu começo) não podem ocorrer. Foi uma falta de consideração com aqueles que vieram assistir o show.

Musicalmente, a banda também não se mostrou em grande forma. Mesmo que pese o fim de uma grande turnê, não se justificam os erros, os improvisos em excesso e a sensação de que estávamos vendo a decadência de um grande nome do metal nacional. Muito se falou sobre a performance de Edu. De fato o vocalista não estava em seus melhores dias, mas mostra um amadurecimento em relação aos primeiros shows, principalmente na performance em faixas mais antigas. Não procura imitar ninguém... faz o que sabe que pode fazer... mas ainda falta alguma presença de palco.

No final, um show inconstante... indigno da carreira do Angra e decepcionante, já que a banda sempre se caracterizou por uma boa performance no palco. Uma noite para ser esquecida... e vamos para o próximo CD!

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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