O Rappa: Tirando o máximo de sua empreitada no Acústico MTV
Resenha - O Rappa (Olympia, 10/11/2005)
Por Lidiane dos Santos
Postado em 21 de novembro de 2005
Atualmente, o Rappa é uma das maiores banda de rock no Brasil. Notória não apenas por sua música, mas também pelo lado político e o engajamento social, a banda conseguiu tirar o máximo de sua empreitada no "Acústico MTV", fugindo do padrão e criando novos arranjos para suas canções, resultando num álbum cheio de energia e musicalidade.
Fotos:
Lidiane dos Santos e Alexandre Cardoso
(www.allfotos.fot.br)
Na primeira das três noites do show, o Olympia recebeu lotação máxima, mostrando que a banda tem grande apelo com o público de São Paulo. Entre alguns mais humildes e outros nem tanto, essa mistura de raças e classes mostra a capacidade que a música tem para juntar até mesmo os mais diferentes seres num mesmo lugar, apenas com o objetivo de se divertirem.
Falcão cumprimenta o público ainda com as cortinas fechadas e quando elas se abriram, percebe-se que aquela noite seria memorável. Com dez músicos no palco e Falcão posicionado sentado a frente com seu violão, a banda toca "Na Frente do Reto", levantando o público com seu refrão mais do que apropriado ("O show tá começando").
Com o som impecável, uma bela iluminação e um cenário que mostrava diversas animações ( a maioria baseada em grafites), via-se que aquilo era um verdadeiro espetáculo que ia deixar muita banda gringa de boca aberta. Os músicos que acompanham a banda nesse projeto acústico são de muito talento e conseguem deixar a música do Rappa ainda mais forte e vibrante ao vivo.
Falcão, com sua disposição de criança, já não se agüentava sentado e na segunda música, "Mar de Gente", levantou-se para, com toda sua energia, pular junto com o público. Aliás, todos ali pareciam estar numa grande festa, pois não ficavam quietos ou parados por um minuto.
Mas o momento que o chão tremeu mesmo foi em "Reza Vela": ouvia-se por todos os lados vozes gritando, do começo ao fim, a letra da musica. A energia do local era tamanha que chegava a dar arrepios. E foi nesse mesmo ritmo que Maria Rita, filha de Elis Regina, subiu ao palco. Apesar de seu microfone estar mais baixo, estava totalmente descontraída e divertindo-se muito ao cantar com Falcão os sucessos "O que sobrou do céu" e "Rodo Cotidiano".
As quase duas empolgantes horas de show pareceram pouco. É muito difícil uma banda manter um ritmo de show assim e ainda por cima, em grande sintonia com a platéia: foi assim desde a primeira música até "Eu quero ver Gol", que fechou o show e teve Falcão brincando com a galera, falando nomes de jogadores do futebol (devidamente aplaudidos pelo público) e lamentando por não poder citar nenhum de seu Flamengo. A única coisa que desagradou foi que, no intervalo entre as músicas, o DJ colocava uma musiquinha como ponte para a troca de instrumentos e novo posicionamento da banda. Muitas vezes essa musiquinha não se encaixava e quebrava o clima e o ritmo do show.
No entanto, isso não tira os méritos da banda e do show. Ótima platéia, produção impecável e músicos maravilhosos (backing vocals, percussionistas, bacus, o violinista convidado Sibae outros). Mas lógico que Falcão tem seu destaque maior: um cidadão brasileiro de consciência e fé, que faz de sua música um instrumento de comunicação e conscientização. Ver toda aquela gente curtindo e cantando músicas que falam de injustiça social, a violência e a clemência por paz, me fez sentir bem em saber que há outros que ainda lutam e se preocupam em fazer a diferença, por um Brasil melhor.
O Rappa é uma das poucas banda que se salva em meio a tantas modas passageiras das rádios e com certeza, faz por merecer todo o sucesso de crítica e público que conseguiu ao longo de sua carreira.






Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os melhores álbuns de metal lançados em 1986, segundo Gastão Moreira
O erro que James Hetfield admite ter cometido com Jason Newsted no Metallica
Nicko McBrain destruiu camarim por ter se decepcionado com atuação de Blaze em show do Maiden
O álbum mais subestimado do Led Zeppelin, segundo Robert Plant: "Um dos nossos melhores"
Cantora canadense Sass Jordan morre aos 63 anos
O rockstar que Ozzy Osbourne considerava o "meu Deus do rock"
A banda que tentou trabalhar com Kurt Cobain, mas ele mal conseguia parar em pé
Os 10 melhores discos do Kiss, em lista do Classic Rock History
Causa da morte de Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, é revelada
A categórica resposta de Regis Tadeu sobre se há álbum brasileiro clássico de rock pós-2000
Floor Jansen garante que novo álbum solo é mais metal que o Nightwish
"Ed Sheeran não é uma vítima", diz Tom Morello sobre recente polêmica
O disco solo que Roger Waters coloca no mesmo nível dos maiores clássicos do Pink Floyd
Eleições 2026: e se os astros do metal disputassem todos os cargos?
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
7 clássicos do rock nacional dos anos 1990 que estão na memória afetiva do brasileiro
Baixista do Rappa conta bastidor intenso sobre Marcelo Yuka: "Era para eu estar no carro"
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente


