Pitty: Admirável ano novo para quem não tem teto de vidro
Resenha - Pitty (Ballroom, Rio de Janeiro, 19/03/2004)
Por Rafael Carnovale e Anderson Guimarães de Carvalho
Postado em 19 de março de 2004
UM ADMIRÁVEL ANO NOVO PARA QUEM NÃO TEM TETO DE VIDRO
O ano de 2003 passou como um furacão na vida de Priscilla Leone, ou como queiram PITTY (apelido de infância). Da saída de Salvador (sua cidade natal) para o Rio de Janeiro (aonde gravou seu primeiro cd "Admirável Chip Novo") ao primeiro show (Canecão em 2003) foram apenas alguns meses, nada mal para a ex-vocalista da banda "hardcore" "Inkhoma".
Nesse tempo, PITTY passou de mais uma menina "arretada" para uma rockeira consistente. Seu rock, com fortes influências de PUNK e algumas pitadas do citado ALTERNATIVO (ou NEW METAL, como queiram) caiu como uma luva para o público adolescente. Sua imagem doce e suave, de menina, deu lugar a uma postura rockeira de mulher, com uma presença de palco marcante e positiva, uma legítima "Front-Woman". Escorada por uma banda competente, mas sem virtuosismo, formada por PEU nas guitarras, Dunga no baixo e Duda na bateria, PITTY rodou o Brasil, tocando desde em locais pequenos e botecos do interior, a casas de show consagradas. Sua participação ativa em movimentos "underground" também foi bem recebida, com shows em festivais e apoio a várias bandas iniciantes e veteranas.
Tanto trabalho rendeu frutos. "Admirável Chip Novo" vendeu mais de 100.000 cópias e caiu nas graças do público adolescente, cansado de Briteys e Aguileras. Ao invés de musas "pop", tínhamos uma baiana rockeira que não dubla suas músicas e vez por outra empunha uma guitarra que realmente toca. PITTY também fez sucesso fora do meio adolescente, ganhando diversos prêmios, principalmente neste início de 2004. O outro lado da moeda também se fez presente. Taxada de oportunista, votada como pior coisa de 2003 em algumas revistas e sites, PITTY não se abate e continua sua trajetória de shows, que completou um ano com uma boa turnê pelo Rio de Janeiro, com shows no Ballroom, Urca e no Canecão (como ela mesmo disse "aonde tudo começou"). Graças ao apoio de Kelita, da Na Moral produções, a WHIPLASH! pode cobrir dois desses eventos, para conferirmos realmente se Priscilla tem ou não teto de vidro.
PITTY - Ballroom - 19 de Março de 2003
Por Anderson Guimarães e Antonio Carlos Guedes
Fotos por Anderson Guimarães
No mesmo dia que os fãs do rock progressivo lotavam o Claro Hall para assistir aos veteranos do Jethro Tull, cerca de 500 pessoas compareceram ao Ballroom para prestigiar o show da PITTY.
Na abertura as bandas Forgotten Boys e Arkham fizeram um show de curta duração, mas deram conta do recado e aqueceram bem o público. Infelizmente não pudemos conferir a apresentação de ambas as bandas, pois estávamos realizando uma entrevista com a PITTY(que em breve estará no ar).
Por volta de uma e meia da manhã quando a PITTY entrou no palco. Foi a primeira vez que vi a banda ao vivo e o show foi uma grata surpresa. Com um bom som, a banda entrou demonstrando muita segurança. O destaque, obviamente é a vocalista PITTY. Deu pra sentir no show a herança que os tempos cantando Hardcore no Inkoma deixou na sua performance.
Sem ficar parada um segundo sequer, PITTY cantou o seu primeiro álbum praticamente na íntegra. E a recepção não poderia ter sido melhor. Afinal, quem não conhece músicas como "Teto de Vidro", "Máscara" e "Admirável Chip Novo" ? O som de PITTY é um punk rock moderno que agrada fãs de todas as praias.
A banda tocou com muita vontade durante todo o set. A energia que eles passavam ao público refletia nas diversas rodas abertas e no grande número de presentes pulando por ouvir suas músicas favoritas. O mais interessante deste show foi notar que praticamente todos ali sabiam cantar não só as músicas "carro-chefe" do CD, mas também as outras.
Mas quem acha que as únicas músicas boas são as citadas, está enganado. Outras excelentes músicas como "O Lobo"(com uma ótima letra),"Só de Passagem", "Temporal" ,"Equalize" "Semana que vem" e provavelmente uma das 3 melhores do repertório: "Emboscada".
Com uma ótima banda (destaque para o baixista Joe), a PITTY provou porque foi a maior revelação do rock nacional do ano de 2003. Revelação inclusive aqui na Whiplash!
PITTY - Canecão - 11 de Abril de 2004
Fotos e Texto por Rafael Carnovale.
Musa teen ou rockeira? Esta era uma pergunta que me rondava a cabeça quando me dirigia para o Canecão na noite de 11 de abril. PITTY, ou Priscilla Leone como queiram. O som de PITTY é rockeiro sim, e pesado. As baladas não são melosas, mas é fácil estereotipá-la como uma Britney Spears ou Sandy da vida. Mas ao contrário das mesmas, a baiana que deixou Salvador para gravar seu cd no Rio de Janeiro não explora sua imagem de mulher, não se usa como "sex symbol", embora pudesse fazê-lo. A mesma explora lados mais agressivos do rock, e os 2000 fãs que lotaram o Canecão comprovaram tal fato. Aliás, nem a própria PITTY poderia imaginar que um show marcado para um domingo pudesse ter um público tão presente.
Perto das 22 horas as luzes do Canecão se apagam e uma "intro" psicodélica invade o local. PITTY e seus asseclas vão entrando ao palco e começam com "Só de Passagem" e emendando com "O Lobo" e "Seu Mestre Mandou". O público respondia com palmas e cantava todas as músicas, principalmente o sucesso "Teto de Vidro" que viria a seguir.
Neste momento um silêncio invade o Canecão. Era "Br. Torto", uma música nova, que foi inserida no show, soando meio viajante.... o público ficou atento neste momento, voltando a pular como louco em "Admirável Chip Novo" e "Semana que Vem". A banda é extremamente competente, mas não espere encontrar músicos virtuosos. Os mesmos se esmeram em cumprir seu dever com habilidade, e o fazem muito bem. PITTY tem uma ótima presença de palco (a baiana é difícil de ser fotografada, de tanto que corre).
Aproveitando o momento festivo PITTY chama BNEGÃO (ex-Planet Hemp), para levarem "Private Idaho" do B-52´S, e "Love Buzz". A galera curtiu, mas as músicas soaram meio deslocadas no show, que voltou a empolgar com "Emboscada", "Equalize" e "Do Mesmo Lado". A galeria ia a loucura com as intervenções de PITTY, que não se cansava de agradecer aos presentes, e deixar bem claro que tem um carinho todo especial pelo público carioca.
Para fechar a banda mandou "I Wanna Be" e "Máscara", e uma infeliz tentativa de levar "Lithium", do Nirvana, que ficou bem fraca, destoando do resto das músicas. PITTY e a banda aproveitaram para tirar fotos do palco, que trazia a capa de seu cd, e finalizaram com 1 hora e 20 minutos de show. Vale citar o bom jogo de luzes, que deu um bom clima a apresentação.
O que mais posso falar da baiana? PITTY é uma realidade no rock brasileiro, e com méritos. Pode não ser a rockeira mais original da cena, mas tem competência e carisma... e que venham mais admiráveis chips novos!!!
Neste momento PITTY continua fazendo shows pelo Brasil, enquanto produz seu DVD, previsto para junho, e dá início a composição de novo material. É esperar para ver.... boa sorte baiana!!!!
Agradecimentos: Na Moral Produções (Kélita), PITTY e banda.
Site oficial: http://www.pitty.com.br
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