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Helloween: Show de um dos maiores grupos de metal da história

Resenha - Helloween (Bar Opinião, Porto Alegre, 11/09/2003)

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Por Ricardo Finocchiaro
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Fotos: Roberto Scliar (www.scliar.org)

11 de setembro, há dois anos esta data é lembrada por um ato de terrorismo que marcou a história da humanidade. Mas a partir de agora, em Porto Alegre, ela será lembrada como o dia do melhor show que o Brasil já viu de um dos maiores grupos de heavy metal da história. Aliás, o primeiro show da turnê nacional do novo álbum "Rabbit Don’t Come Easy", os fundadores do metal melódico, os alemães do grupo Helloween.

Uma banda que já passou por altos e baixos: diversas trocas em sua formação, gravaram discos fantásticos e outros nem tanto, seu ex-frontman Michael Kiske – um dos maiores vocalistas da história do metal - se converteu ao gênero pop. O que vimos no Bar Opinião na quinta-feira, dia 11 de setembro, foi a prova cabal de que a criatividade e capacidade de seus remanescentes – Michael Weikath, Markus Grosskopf e Andi Deris – e de seus novos integrantes – Sascha Gerstner e Stefan Schwarzmann – ainda tem muito gás para queimar.

Mas vamos antes falar do show da banda de abertura. A turma da Magician subiu ao palco pouco depois das 22h para um show que estava programado para ser de 45 minutos, o que acabou não ocorrendo, e o show se limitou a pouco mais de 20 minutos. Tempo suficiente para que os magos de Porto Alegre mostrassem todo o peso de suas composições próprias. Cristiano Schmidt (guitarra), Elizandro Max (baixo), Dan Rubin (vocal), Zé ‘Professor’ Bocchi (bateria) e Renato Osório (guitarra) fizeram os mais de mil presentes do local delirarem através de seus fantásticos arranjos de cordas, do peso da bateria e da melodia das vozes. Aliás, esse é um fator marcante da Magician, a maneira como eles usam os backing vocals somados ao vocal principal, tudo ao vivo, sem gravações, a única banda que eu havia visto interagir desta maneira é a Dragonheart de Curitiba, realmente isto dá muito mais vida ao show. A alternância dos solos das guitarras também é outro ponto forte, os dois guitarristas se nivelam por alto e tem solos muito característicos. Já nas cordas graves, Max faz seus dedos deslizarem criando linhas de muito bom gosto, ao contrário de outros grupos onde o baixista é mera formalidade, na Magician sua técnica transparece realmente nas composições.

Dan Rubin, que já era reconhecido na cidade por sua excelente voz, finalmente melhorou sua presença de palco, que não era seu ponto forte, claro ainda faltam alguns detalhes para poder ser considerado um frontman, mas sua interação e, principalmente, a resposta do público a seus chamados, provam que ele está no caminho certo. O término precoce do show, por parte dos organizadores, mostram como ainda existe a falta de respeito com os músicos locais, principalmente no quesito de cumprir o prometido. O coro do público, que clamava por mais músicas da banda, bem que poderia ter sido atendido. Afinal, a voz do povo não é a voz de deus? Enfim, parabéns à Magician e pelo belo trabalho que vem desenvolvendo, estamos todos no aguardo de seu primeiro compacto oficial.

Eis que todos se preparam para receber as abóboras alemãs, em entrevista concedida dias antes do show, Michael Weikath prometia uma apresentação recheada de surpresas incluindo músicas que não tocavam a mais de dez anos. Como tivemos o privilégio de sermos a primeira cidade do mundo a receber a nova turnê, não tinha mesmo como descobrir o que estava por vir.

Sem nenhuma cerimônia os músicos foram entrando um a um no palco do Opinião e a casa vinha abaixo com gritos e saudações. Eles simplesmente abrem com "Starlight" do primeiro álbum do grupo intitulado "Walls of Jericho". A descrição de como o público reagia a este momento era um tanto quando engraçada, uma boa parte cantava a música e pulava, outra – os fãs mais recentes – não conheciam o tema e outros simplesmente olhavam ‘embasbacados’ – eu era um deles. Logo após entram direto com outra clássica do primeiro disco "Murderer", ouviam-se urros de satisfação no local. Pareceu que as duas primeiras músicas foram usadas para ajustar o som, pois estava tudo meio embolado, mas tudo se arrumou para aquela que seria a terceira música e a maior surpresa da noite: "Keeper of the Seven Keys", sim meus caros, eles tocaram essa! E para deleite de muitos e constatação de outros, Andi Deris simplesmente deu um show, cantou do começo ao fim com uma voz impressionante, e o público chorava de emoção. Na seqüência enfileiraram "Future World" e "Eagle Fly Free", e ninguém ficou parado, por vezes os gritos abafavam o som e muitas vezes também o silêncio da platéia mostrava o quão enfeitiçados estavam todos.

Terminada a fase Hansen / Kiske o show avança alguns anos e eles tocam "Hey Lord" do álbum "Better Than Raw", onde Deris faz a já conhecida brincadeira de dividir o público e ver quem canta mais alto o refrão e "Forever and One" do "Time of the Oath", fazendo o público descansar um pouco. Logo depois vem a "Open Your Life" do novo álbum, muito bem executada, com um peso marcante. Mais uma clássica com "Dr. Stein" e mais uma balada que fica demais quando tocada ao vivo "If I Could Fly", talvez a música mais "alegrinha" do "The Dark Ride". Aí vieram "Back Against the Wall", também do novo álbum, e a maravilhosa "Power" onde novamente o show parou para as brincadeiras entre público e banda, isso é que é show interativo!

Mesmo com constantes microfonias, a banda e o público não deixavam o clima esfriar. A qualidade dos músicos mantinha o nível da apresentação. Havia momentos em que o áudio estava perfeito e momentos, poucos, que se doía o ouvido. Markus parecia endiabrado como sempre, correndo de um lado para o outro, sempre sorrindo e mostrando disposição. Weikath com a cara carrancuda e séria, mas também indo de um lado ao outro e brincando com o novo guitarrista, Sascha Gerstner. Falando dos novos integrantes – Sascha e Stefan - não posso fazer injustiça, eles são ótimos, mas sente-se claramente a diferença da pegada de Roland Grapow e Uli Kusch, mas nada que não seja compensado com tempo e dedicação.

As últimas três músicas, antes do bis é claro: "Just a Little Sign", "Sole Survivor" e "I Can", colocaram a multidão aos pés dos alemães que, em seus sorrisos, mostravam a satisfação do dever cumprido. Mas aqueles abóboras ainda reservavam mais dois petardos para o público gaúcho. As luzes diminuem e é tocado os primeiros acordes de "Where the Rain Grows" do álbum "Master os the Rings", realmente eles souberam escolher o repertório desta vez, deram um presente aos fãs, e para fechar de vez a apresentação em Porto Alegre mais uma do primeiro álbum: "How Many Tears". Com direito a paradinha no meio da música, onde a galera começou a entoar o grito de guerra ‘happy, happy helloween...helloween...ô ô ôô’.

Simplesmente demais, não há palavras para descrever, quem foi presenciou, sem sombra de dúvidas, o melhor show do Helloween no Brasil, desde sua primeira apresentação em palcos tupiniquins em 1996. Ficamos no aguardo agora do encerramento da turnê e novidades do grupo. Happy Helloween para todos!

Helloween – Set List:

01.Starlight
02.Murderer
03.Keeper Of The Seven Keys
04.Future World
05.Eagle Fly Free
06.Hey Lord
07.Forever and One
08.Open You Life
09.Dr. Stein
10.If I Could Fly
11.Back Against The Wall
12.Power
13.Just a Little Sign
14.Sole Survivor
15.I Can

Bis:
16.Where The Rain Grows
17.How Many Tears