Resenha - Shaman e Shadowside (Mythos, Santos, 20/04/2003)

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Por Fernando De Santis
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Fotos: Leandro Guedes

Domingo de Páscoa, mas ninguém queria saber de ficar em casa à noite, assistindo ao Fantástico e comendo chocolate. A cidade de Santos tinha um programa melhor para o feriado: a banda Shadowside, que vem se destacando no cenário do metal nacional e os veteranos músicos do Shaman, que se apresentariam pela primeira vez com a nova banda no litoral paulista. Com os ingressos esgotados, os fãs do litoral e da Capital, que estavam passando o feriado em Santos, compareceram em massa à danceteria Mythos.

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O atraso para a abertura dos portões deixou os fãs um pouco impacientes do lado de fora da casa, já que enfrentavam uma chuva desagradável, mas logo que entraram na casa, ficaram mais tranqüilos. Após esperar todos os fãs entrarem e terminar a passagem de som, o grupo santista Shadowside entrou no palco com muita potência. A noite também era de estréia, pois a banda apresentava o novo baixista, Lucas De Santis, que fazia pela primeira vez na vida um show. O rapaz demonstrou-se bem tranqüilo no palco (mesmo apresentando-se para mais de mil pessoas) e intimava o público com uma língua de dar inveja a Gene Simons.

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O set da banda era uma mistura de músicas do EP "Shadowside", alguns covers e músicas novas, que entrarão no álbum que será lançado ainda esse ano. "Vampire Hunter" que já é conhecida do público santista, abriu o show e teve na seqüência o cover de "Hunting High and Low" do Stratovarius. Outros covers que agitaram o público foram "Revelation" e "Future World" do Helloween, além de "Painkiller" do Judas Priest que fechou a apresentação de uma hora e meia. As novas músicas que estarão no primeiro disco obtiveram uma resposta satisfatória da platéia. Aliás, vale ressaltar que o som do Shadowside ficou muito mais maduro e muito mais pesado. Em alguns momentos dá para questionar realmente qual é o estilo musical da banda, pois muitas vezes eles abandonam o metal melódico com pitadas de hard rock e atacam com um Heavy BEM pesado. Os dois guitarristas da banda (Ricky e Bill) demonstraram o entrosamento de sempre, enquanto o baterista A.S. Rock sentava a mão nas baquetas e mais uma vez a vocalista Dani Nolden teve o público nas mãos. Seria um show perfeito, se o som não estivesse tão "embolado", mas tudo isso foi fruto de uma passagem de som feita às pressas.

Após a apresentação dos "donos da casa", seria a vez do Shaman subir pela primeira vez em um palco santista. O público foi ao delírio quando as luzes se apagaram e começou a rolar o prelúdio "Ancient Winds". Com as cortinas abertas e com uma luz roxa misturada a gelo seco, os integrantes do Shaman entraram no palco ovacionados. "Here I Am" foi a música que abriu o show. Tocando em um compasso mais lento do que o original, os músicos mostraram porque estão tendo tanto sucesso no Brasil e na Europa. Sem dar tempo para os fãs respirarem, emendaram a pesadíssima "Distant Thunder" que tem talvez um dos riffs mais interessantes feitos no metal, nos últimos tempos. "For Tomorrow" mostrou toda a mística que envolve o Shaman e foi aplaudida exaustivamente ao seu término.

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Como já é tradição nos shows do Shaman, a banda demonstrou sua habilidade em solos virtuosos. Hugo Mariutti esbanjou técnica e velocidade nas seis cordas. O baterista Rafael Confessori fez sem dúvida o solo mais interessante da noite. Em alguns minutos ele hipnotizou a todos com um solo impecável. Impressionante a técnica do rapaz, que conseguia "brincar" enquanto fazia o solo, batendo na própria cabeça ou girando as baquetas como malabarista. Andre Matos mostrou que além de ser um dos melhores vocalistas do Metal mundial, tem muita habilidade no teclado-piano. O término do solo foi misturado com a introdução do hit "Fairy Tale" que logo nos primeiros acordes recebeu aplausos de todos presentes na casa. Andre com uma presença de palco digna de um rockstar, cativava o público pedindo a participação de todos e conversando com a galera no intervalo das músicas.

O Shaman ainda tocou algumas músicas do Angra, como "Carolina IV" que foi muito bem aceita pelos fãs, mas ficou mais do que provado que numa próxima tour, a banda poderá gradativamente ir tirando essas músicas do set, reservando apenas o tempo deles para apresentar canções do Shaman. No fim do set a banda tocou a faixa "Ritual" que fechou a primeira parte do show. Na volta ao palco, Andre Matos convidou todos a viajar no tempo. Comentou com a platéia que no fim dos anos 80, ele e seus companheiros pegavam o ônibus na estação rodoviária do Jabaquara para descer a Serra do Mar e se apresentar em Santos... é claro que ele se referia ao Viper e presenteou a todos com o clássico "Living For The Night", numa versão bem maior do que a original, com direito a brincadeiras com o público e apresentação da banda. Mais uma vez os músicos deixaram o palco e voltaram ao som do playback de "Unfinished Allegro". Todos já sabiam o que viria pela frente: "Carry On" (clássico do Angra) fechou o show de forma espetacular.

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Uma noite de Páscoa memorável para o público de Santos, onde ficou mais do que provado que o Metal nacional tem um passado importante, um presente garantido e um futuro promissor.




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Sobre Fernando De Santis

Paulistano, nascido em 1979, Fernando De Santis passa grande parte do seu tempo viajando entre São Paulo, Santos e Curitiba. Nas horas de viagens dentro de ônibus ou aviões, costuma ouvir Hard Rock, Heavy Metal e demos de qualquer estilo. Atualmente trabalha como webdesigner para o Estado de São Paulo. Mantém o site "We Burn", dedicado ao Helloween desde 1998, que nunca lhe trouxe nenhum dinheiro, mas rendeu muito amigos.

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