Resenha - Shaman (Horion, Belo Horizonte, 16/11/2002)

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Por Thiago Sarkis
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Fotos por Cristiano Kriss – (0xx31) 9147-4418


Resposta e renascimento (redundante ou familiar, mas enfim...), talvez essas sejam as duas palavras que podemos tirar do show do Shaman em Belo Horizonte, no dia 16 de Novembro de 2002. Pelo menos, foram as que me vieram à cabeça imediatamente, ou melhor, na verdade, são aquelas que retornam à minha mente toda vez que me lembro das reações do público de cerca de novecentas pessoas e, igualmente, do resultado, depois de cada música preparada e ensaiada na passagem de som, e finalmente tocada.

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Vamos começar pela organização, que está de parabéns, sem dúvida alguma. Aliás, creio que finalmente achamos o lugar certo para eventos de metal na capital mineira. É irônico, já que de repente, uma casa chamada Horion, onde geralmente reina o pagode, se confirma como este local. Fãs respeitados e com possibilidades bem razoáveis em relação à acomodação. Além do bom atendimento, e ótima acústica, superando, com vantagem por sinal, o Lapa Multshow e seus eqüestres seguranças, estão disponíveis até algumas mesas e cadeirinhas para comer uns petiscos na hora que rola determinada música excluída de seu cardápio de benevolência auditiva, ou enquanto toca a banda de abertura, geralmente insossa. Aproveitando a deixa, comemoremos irmãos, pois desta vez fomos em vias rápidas ao assunto principal, evitando os cruéis e curtos set lists que duram anos se pensarmos no sofrimento que causam.

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Passando ao público, digamos que ainda não chega ao nível esperado no quesito quantidade, mas já melhorou e, por outro lado, em qualidade e intensidade, foi satisfatório e tem boa parte no saldo positivo – ignorando a questão financeira, à qual não tenho acesso - da noite.

Direto ao topo, com os ex-membros do Angra, André Matos, Luis Mariutti e Ricado Confessori, além do novo companheiro Hugo Mariutti, e do fiel escudeiro, o tecladista Fábio Ribeiro. Profissionais sérios, atendendo e respeitando os admiradores em todos os vieses que pudermos imaginar. De crianças a adultos, de noveleiros globais a anciões metálicos.

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Na passagem de som, ao olhar atento da apresentadora do Riff MTV, Penélope, já era perceptível tal virtude. Acredito que facilmente possamos falar de até duas ou três horas com integrantes do grupo no palco acertando os mínimos detalhes e ensaiando repetidamente.

Especialmente chamava a atenção o vocalista, o qual trançava de um canto a outro, meticulosamente avaliando cada amplificador e saída de som possível. Se bobear, tirou até poeira de microfone, e plantou bananeira pra colocar no ponto o retorno do violino do convidado Marcus Viana, cuja dedicação nos momentos precedentes ao show fora de mesma notoriedade e apreço. Interagia-se e palpitava sem parar. Podíamos mesmo desconfiar que se preparava para uma apresentação de seu Sagrado Coração da Terra.

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O ingresso avisava o espetáculo às nove da noite. Bem, digamos que tenha ocorrido um "pequeno atraso", uma vez que a introdutória "Ancient Winds" nos chega depois das onze. Tudo bem, já é tradição, seria previsível. Não tanto, mas vamos nessa.

O Shaman testa então, oficialmente, e finalmente, o fazer ao vivo em Belo Horizonte. Provavelmente eles vão querer mais, tendo em vista que dispararam, logo de início, músicas do álbum "Ritual" de 2002, sendo estas recebidas e cantadas como se fossem clássicos de longa data no metal.

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Como você pode conferir na cópia do set list, foram quatro petardos debutantes em seqüência. A aceitação, não custa repetir, foi impressionante.

A seção "oldies" vem, obviamente, e aquele ar de comparação paira no ar. Em "Wings Of Reality" e "Lisbon", dá pra evitar, porém, com "Nothing To Say", sinceramente, é melhor que os fãs entendam de uma vez por todas que Edu Falaschi é o NOVO vocalista do Angra e não o substituto de André Matos, pois este é insubstituível. Preferência por um dos dois, qual é mais técnico, e outras coisas, fora de contextualização aqui. São diferentes, apesar de soarem semelhantes e em estilos próximos, se é que dá pra entender. O ponto chave é que Matos passou e deixou uma marca, impossível de se apagar, mesmo para quem não gosta de suas vocalizações. E ele segue com os direitos reservados de seu estilo único.

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Outra questão é o lado de maestro do líder. André literalmente rege o conjunto, dando vazão à sua formação acadêmica. Assim como nos outros sentidos: tanto musicalmente, quanto no domínio total da platéia. Uma presença de palco fantástica, um talento artístico e teatral que cativa àqueles que assistem seus espetáculos, tamanho carisma.

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Marcus Viana, a surpresa na apresentação em Minas Gerais, surge então no palco, com seu violino vermelho, numa soberba "Over Your Head". Junto dele, Confessori monstruosamente na batera e na percussão e Hugo Mariutti em noite inspirada também. Os presentes deliram com a participação especial e gritam: "Ô Marcus Via...na". Clima de festa e ainda mais conjunção entre os entusiastas e seus ídolos.

O violinista se retira. Já fez muitas trilhas de novelas e deixa os novatos na mão com sua "Fairy Tale", da trilha sonora de "O Beijo do Vampiro" da TV Globo. Passa um curto tempo e ele retorna, é claro. Maravilhoso o som e incrível a técnica e adaptação ao estilo.

Pausa para descanso. No primeiro bis, destaque para "Living For The Night" do Viper, com aumento progressivo da atuação da audiência, chegando ao uníssono no refrão. Memórias boas e inesperadas, pela expectativa de "Painkiller". E ela vem, para fechar com chave de ouro, após "Carry On".

O Shaman sai de BH com uma ótima primeira impressão, e pequenos vazios que serão preenchidos nessa promissora carreira que se vê adiante. O que podemos tirar e notar de mais positivo, a partir dessa apresentação, é que os antigos integrantes do Angra seguem nos trazendo aquele espírito da "Terra Santa", que tanto nos orgulha e que fez Thijs Van Leer (Focus), ao escutar a música "Holy Land", enchê-los de elogios e dizer "Parabéns ao Brasil por isso".

Shaman - http://www.shamanonline.com.br
Top Link - http://www.toplinkmusic.com
Cogumelo - http://www.cogumelo.com

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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